Publicado em 8 de setembro de 2025 às 15:33
O primeiro-ministro francês François Bayrou perdeu o voto de confiança que havia convocado para seu governo. >
Em uma sessão extraordinária nesta segunda-feira (8/9), a Assembleia Nacional Francesa votou por 364 votos a 194 para destituí-lo do cargo e derrubar seu governo minoritário. >
Bayrou agora precisa apresentar ao presidente Emmanuel Macron a renúncia de seu governo, o que, segundo a imprensa francesa, será feito na terça-feira.>
Na França, o primeiro-ministro é o chefe de governo, nomeado pelo presidente e responsável pela governança cotidiana. Ele responde ao parlamento e deve ser aprovado por ele, que também pode votar para destituí-lo do cargo. >
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Diante do cenário, Macron provavelmente terá que escolher entre nomear um quinto primeiro-ministro em menos de dois anos, ou convocar eleições antecipadas, o que poderia resultar em um parlamento ainda mais hostil.>
Macron também tem a opção de convocar uma eleição presidencial – na qual não poderia concorrer, já que seu segundo mandato termina em 2027. Alguns grupos parlamentares têm pedido que ele siga esse caminho, mas ele tem descartado repetidamente a possibilidade de renunciar.>
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A destituição de Bayrou ocorre em meio a uma crise política e econômica que a França atravessa. >
Há muito tempo Bayrou alerta sobre as finanças da França e busca angariar apoio para seu orçamento, que, segundo ele, cobriria um rombo fiscal de 44 bilhões de euros.>
Em seu discurso no parlamento, ele afirmou que a França tem "um enorme número de questões" pela frente que exigirão "mudanças profundas" – e listou a alta dívida e a baixa produtividade do país.>
Usando uma metáfora para a França como um navio navegando em mares agitados, Bayrou tentou tentando convencer os parlamentares de que a França está afundando em dívidas pesadas. >
No início do discurso, ele afirmou que a cada ano a França deve 100 bilhões de euros aos seus credores – o dobro do que produz.>
"Nosso país trabalha, pensa que está ficando mais rico, mas, em vez disso, a cada ano fica mais pobre. É uma hemorragia silenciosa, enterrada, invisível e insuportável.">
Ele afirmou ainda que a juventude francesa será vítima da "escravidão" da dívida. >
Após o discurso de Bayrou no parlamento, a líder do partido de direita radical Reunião Nacional (RN), Marine Le Pen, afirmou que este dia marca "o fim da agonia de um governo fantasma". >
Sob aplausos, ela culpou políticos de direita e de esquerda como "responsáveis" pelo "colapso" do país.>
Le Pen também criticou as forças políticas opostas que se uniram na última eleição como parte de uma estratégia de votação tática para manter seu partido fora do governo, e pediu que os franceses sejam chamados às urnas novamente.>
Em junho de 2024, diante de uma derrota contundente para seu partido na votação para o Parlamento Europeu, Macron dobrou a aposta e convocou eleições parlamentares antecipadas, que esperava alcançar "uma maioria clara, serena e harmoniosa".>
Em vez disso, resultou em um parlamento dividido e sem maioria, o que dificultou a obtenção do apoio necessário para a aprovação de projetos de lei e do orçamento anual por qualquer primeiro-ministro.>
É possível que Emmanuel Macron aja rapidamente para nomear um novo primeiro-ministro – certamente é do interesse do país que ele o faça.>
Mas questões práticas – e precedentes – sugerem que este pode se tornar um processo demorado.>
Macron precisa encontrar um nome suficientemente inquestionável para, pelo menos, parte da oposição parlamentar, para que não seja automaticamente derrubado.>
Os dois primeiros-ministros nomeados por ele neste parlamento obscuro – Michel Barnier e François Bayrou – levaram semanas para serem encontrados. O terceiro não será mais fácil.>
Enquanto isso, Bayrou provavelmente permanecerá como chefe de governo interino.>
Há pressão de alguns setores – notadamente da Reunião Nacional de Marine Le Pen – para uma nova dissolução da Assembleia. Mas também há vozes fortes dizendo que seria uma perda de tempo, porque uma nova votação dificilmente mudaria muita coisa.>
Além disso, há também vozes – desta vez da esquerda radical – pedindo a renúncia de Macron à presidência. Mas, conhecendo o caráter do homem, é muito improvável que isso aconteça.>
*Por Hugh Schofield, correspondente de Paris>
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