Publicado em 26 de novembro de 2021 às 08:56
Uma nova variante da Covid, com múltiplas mutações e potencialmente mais contagiosa, foi detectada na África do Sul, país que vê sinais de uma nova onda da pandemia.>
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (25) por cientistas e pelo governo da África do Sul.>
A variante B.1.1.529 apresenta um número "extremamente alto" de mutações e "podemos ver que ela tem potencial para se espalhar muito rapidamente", afirmou o virologista Túlio de Oliveira, em entrevista coletiva online supervisionada pelo Ministério da Saúde da África do Sul.>
Além da potencial maior capacidade de disseminação, também há preocupação quanto a mutações ligadas a um possível escape imune, ou seja, possibilidade de redução de eficácia de vacinas. Apesar disso, os cientistas não têm como fazer afirmações mais precisas sobre isso.>
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Oliveira aponta que há mais de 30 mutações na proteína S (spike), através da qual o vírus se liga em células humanas para efetuar a invasão, o que faz com que essa variante seja muito diferente das cepas que circulam no mundo.>
Dados preliminares apontam que a variante aumentou rapidamente na província de Gauteng, a mais populosa do país e que inclui Pretória e Johannesburgo, e já pode estar presente nas outras oito províncias do país.>
Segundo Oliveira, a vigilância genômica aponta que a B.1.1.529, em menos de duas semanas, já se sobressai em relação às infecções pelas outras variantes da Covid, logo após "uma devastadora onda da Delta".>
Pesquisadores afirmam que cerca de 90% dos novos casos em Gauteng poderiam estar associados à variante B.1.1.529.>
A nova variante, ainda sem um nome derivado de letras gregas, como a alfa e a delta —o que deve mudar em breve, após reunião de autoridades de saúde com a OMS (Organização Mundial da Saúde) — é passível de detecção facilmente a partir de exames PCR, sem necessidade de sequenciamento genético. Isso poderia, diz Oliveira, facilitar a vigilância global da cepa.>
O NICD (Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul), porém, não atribui o crescimento de caso locais à nova variante. Mais de 1.200 casos novos em 24 horas foram registrados na quarta-feira, contra cem no início do mês. Os dados diáros dessa quinta, publicados pelo NICD, já apontam para 2.465 novas infecções.>
O ministro da Saúde, Joe Phaahla, afirmou que o aumento "exponencial" das infecções foi provocado por esta nova variante, o que representa "uma grande ameaça".>
A equipe de Oliveira, do instituto de pesquisa KRISP, vinculado à Universidade de Kwazulu-Natal, foi a que descobriu a beta altamente contagiosa — e uma das quatro variantes rotuladas como preocupantes pela OMS — no ano passado.>
"O que nos preocupa é que esta variante pode não só ter uma capacidade de transmissão aumentada, mas também ser capaz de contornar partes do nosso sistema imunológico", disse o professor Richard Lessells.>
Vinte e dois casos haviam sido registrados, número que, em seguida, saltou para 100. Os casos estavam concentrados principalmente em jovens, de acordo com o NICD. Também foram relatadas infecções na vizinha Botswana e em Hong Kong (em uma pessoa que voltava de uma viagem à África do Sul).>
A OMS deve se reunir nesta sexta-feira (26) para determinar a periculosidade da nova variante.>
"Existem muitas variantes, mas algumas não têm influência sobre a evolução da epidemia", comentou em uma coletiva de imprensa John Nkengasong, do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças da União Africana).>
Os cientistas alertam que a África do Sul deve se preparar para uma nova onda de pacientes nos próximos dias ou semanas. O país é o mais afetado pela Covid no continente, com 2.952.500 casos e 89.771 mortes por Covid desde o início da pandemia.>
Segundo Phaahla, é muito cedo para dizer se o governo precisará impor restrições mais duras em resposta à variante.>
O surgimento desta nova cepa "reforça o fato de que este inimigo invisível com o qual lidamos é muito imprevisível", acrescentou.>
Além da nova cepa, o temor de uma nova onda de pandemia até o final do ano está ligado à baixa vacinação no país. Somente 35% dos adultos que poderiam estão vacinados concluíram o esquema primário de imunização.>
Recentemente, a Europa voltou a ser o epicentro da pandemia. A Áustria impôs recentemente um novo confinamento, a França anunciou um reforço das medidas sanitárias e a Alemanha ultrapassou a trágica marca de 100 mil mortes — além de vir batendo recordes de infecções diárias.>
A Covid já matou mais de 5,16 milhões de pessoas em todo o mundo desde o final de 2019.>
A OMS estima que, considerando o excesso de mortalidade direta e indiretamente ligado à Covid-19, o número de vítimas da pandemia pode ser de duas a três vezes superior.>
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