Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 08:11
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma que a aquisição da Groenlândia é fundamental para o desenvolvimento de seu futurista sistema de defesa Domo de Ouro.>
Em um discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, ele disse: "Tudo o que queremos da Dinamarca, para segurança nacional e internacional, e para manter à distância nossos potenciais inimigos — muito enérgicos e perigosos — é esta terra onde construiremos o maior Domo de Ouro já feito.">
No ano passado, Trump disse que o sistema estaria "totalmente operacional" até o final de seu mandato presidencial em 2029.>
Após um financiamento inicial de US$ 23 bilhões, o presidente estimou o custo total em cerca de US$ 175 bilhões, mas o Escritório de Orçamento do Congresso afirmou que o valor final poderia ser quase cinco vezes maior ao longo de duas décadas.>
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Os planos envolvem uma rede de tecnologias de "próxima geração" em terra, mar e espaço — incluindo interceptores e sensores espaciais, com o objetivo de deter mísseis.>
O Domo de Ouro expandiria e aprimoraria os sistemas existentes para proteger os EUA contra ameaças aéreas cada vez mais sofisticadas de países como Rússia e China.>
O plano de Trump é parcialmente inspirado no Domo de Ferro de Israel, que usa sistemas de defesa por radar para interceptar ameaças de mísseis de curto alcance e está em uso desde 2011.>
O Domo de Ouro, no entanto, seria muitas vezes maior e projetado para combater uma gama mais ampla de ameaças.>
Ele usaria uma rede de potencialmente centenas de satélites, algo que teria sido inviável economicamente no passado, mas que é uma possibilidade mais prática hoje.>
"Ronald Reagan queria isso há muitos anos, mas eles não tinham a tecnologia", disse Trump, referindo-se ao sistema de defesa antimíssil baseado no espaço, popularmente chamado de "Guerra nas Estrelas", que o ex-presidente havia proposto na década de 1980.>
O Domo de Ouro seria "capaz até mesmo de interceptar mísseis lançados do outro lado do mundo ou lançados do espaço", acrescentou Trump.>
Ele seria construído para se defender contra mísseis de cruzeiro e balísticos (incluindo armas hipersônicas — aquelas capazes de se mover mais rápido que a velocidade do som) e sistemas de bombardeio orbital fracionário — também chamados de FOBS — que poderiam lançar ogivas do espaço.>
O diretor do Centro de Inovação Cibernética e Tecnológica dos EUA, o contra-almirante Mark Montgomery, disse à BBC que o Domo de Ouro dependeria de "três ou quatro grupos de satélites que, juntos, somam centenas de satélites".>
"Há satélites que fazem detecção, várias centenas deles, detectando lançamentos. Depois, há uma série que rastreia e fornece soluções de controle de fogo. E, por fim, há satélites de engajamento, que carregam as armas cinéticas ou o que quer que seja usado para abater [os mísseis inimigos]", disse ele à BBC.>
O jornalista Shashank Joshi, editor de defesa da revista The Economist, disse à BBC que os militares dos EUA levam o plano muito a sério, mas que não é possível acreditar que ele será concluído durante o mandato de Trump. Além disso, o custo enorme do projeto consumiria uma grande parte do orçamento de defesa dos EUA.>
Montgomery concorda.>
"Esta é uma missão de cinco, sete, dez anos para ser feita do jeito certo", diz.>
"Teremos coisas daqui a três anos que nos tornem mais seguros? Pode ter certeza", disse ele. Mas ele ressalta que um "sistema 100% seguro" não é viável até o final do atual mandato do presidente.>
O general Michael Guetlein será responsável por liderar o projeto bilionário do Domo de Ouro.>
Desde dezembro de 2023, ele é o vice-chefe de operações espaciais da Força Espacial, o ramo das Forças Armadas dos EUA que fornece "alerta de mísseis, consciência espacial, posicionamento, navegação e sincronização, comunicações e guerra eletrônica espacial".>
Guetlein, um general de quatro estrelas descrito por Trump como "um homem muito talentoso", tem larga experiência em espaço e detecção de mísseis. Ele já foi chefe do Comando de Sistemas Espaciais e diretor de sistemas de sensoriamento remoto.>
Nascido e criado no Estado americano de Oklahoma, Guetlein ingressou na Força Aérea dos EUA em 1991, após se formar na Universidade Estadual de Oklahoma.>
O Domo de Ouro tem como finalidade principal a defesa contra mísseis que possam ser lançados por Rússia e China.>
Um documento divulgado recentemente pela Agência de Inteligência de Defesa observou que as ameaças de mísseis "aumentarão em escala e sofisticação", com ambos os países supostamente projetando ativamente sistemas "para explorar lacunas" nas defesas dos EUA.>
A China e a Rússia criticaram o conceito como "profundamente desestabilizador".>
O novo sistema de defesa "prevê explicitamente um fortalecimento significativo do arsenal para a condução de operações de combate no espaço", disse um comunicado do Kremlin publicado após conversas entre a Rússia e a China em maio de 2025.>
No entanto, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, descreveu posteriormente o plano como "uma questão soberana" para os EUA e sugeriu que ele poderia levar a uma retomada das negociações sobre armas nucleares.>
A China, por sua vez, afirmou que o plano colocaria em risco a segurança internacional, intensificando a militarização do espaço e arriscando uma corrida armamentista.>
"O Domo de Ouro propõe abertamente um aumento em larga escala das capacidades de combate no espaço exterior... e tem aspectos de natureza fortemente ofensiva, contrários aos usos pacíficos defendidos pelo Tratado do Espaço Sideral", disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China em maio passado, instando os EUA a abandonar o sistema.>
Ainda não está claro se o Canadá participará do projeto de defesa, visto que a tensão entre os países vizinhos tem aumentado devido às tarifas de Trump.>
Em Davos, o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que o país foi convidado. Trump também afirmou que o Canadá deveria ser "grato" pelos "benefícios" que recebe dos EUA e que o sistema defenderia o Canadá "por sua própria natureza".>
Em maio de 2025, o gabinete do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que ele e seus ministros estavam discutindo uma nova relação econômica e de segurança com seus homólogos americanos.>
"Essas discussões incluem, naturalmente, o fortalecimento do NORAD (Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte) e iniciativas relacionadas, como o Domo de Ouro", acrescentou.>
No ano passado, o então ministro da Defesa canadense, Bill Blair, também reconheceu que o Canadá tinha interesse em participar do projeto da cúpula, argumentando que "fazia sentido" e era do "interesse nacional" do país.>
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