Publicado em 27 de outubro de 2025 às 11:32
Parlamentares e aliados de Jair Bolsonaro (PL) minimizaram o progresso anunciado pelas autoridades brasileiras nas negociações com os Estados Unidos e criticaram a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao incluir a Venezuela na pauta de sua conversa com Donald Trump na Malásia neste domingo (26/10).>
As figuras, que chegaram a adotar um tom de celebração quando as autoridades americanas anunciaram medidas de retaliação contra o Brasil em julho deste ano, afirmaram que a culpa pela implementação das tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros recai sobre o governo Lula. Um deles resumiu o encontro deste domingo como "uma foto pra inglês ver".>
Trump e Lula se reuniram às margens da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) na capital Kuala Lumpur. A conversa foi marcada pelo clima cordial, com Trump se dizendo "honrado" em encontrar o presidente brasileiro.>
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou nas redes sociais que o governo brasileiro saiu da reunião com Trump "sem absolutamente nenhuma notícia boa para os brasileiros".>
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Ele respondeu a uma publicação do também senador Humberto Costa (PT-PE), que celebrava o encontro em Kuala Lumpur como uma vitória do diálogo e da soberania nacional.>
>Prezado Vampirão, a mentira está no DNA do pt.
Trump disse que o assunto “Bolsonaro” não era de interesse do repórter que perguntou.
A única soberania que Lula defende é a de traficantes, “vítimas dos usuários”.
Os assuntos governo brasileiro aliado de ditaduras, como a… pic.twitter.com/F924Mnhvvj— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) October 26, 2025
Eduardo Bolsonaro (PL-SP) compartilhou a postagem do irmão e, em um tuíte próprio, chamou a atenção para a empatia que Donald Trump nutre por Jair Bolsonaro.>
"Interessante laço entre Trump e Bolsonaro é a empatia", escreveu no X, sugerindo ainda que a linguagem corporal do republicano durante a reunião com Lula mostraria que o líder americano espera uma mudança de posição do brasileiro no futuro.>
"A capacidade de @realDonaldTrump se colocar no lugar de @jairbolsonaro e imaginar que, quando sair da presidência, Lula e sua equipe apoiarão a lawfare que certamente Trump sofrerá", afirmou Eduardo Bolsonaro.>
Em outra publicação, o deputado criticou ainda o fato do presidente brasileiro ter mencionado a atual tensão entre Venezuela e Estados Unidos em uma conversa com "o 01 da economia mundial".>
>Então, segundo o MRE:
-Não falaram de Bolsonaro;
-Lula explicou a injustiça de sancionar Moraes (sem citar JB!);
-Trump curtiu Lula ter-se posto como mediador para o assunto: narcoditador Maduro.
Nos poucos minutos com o 01 da economia mundial trataram de... VENEZUELA?♂️ https://t.co/Zg5ZdCZ21Y— Eduardo Bolsonaro?? (@BolsonaroSP) October 26, 2025
Lula disse ter conversado sobre Jair Bolsonaro com Donald Trump, mas disse que o ex-presidente "faz parte do passado da política brasileira".>
"Ele sabe que rei morto, rei posto. Ele sabe. O Bolsonaro faz parte do passado da política brasileira. Eu ainda disse para ele, com três reuniões que você fizer comigo, você vai perceber, sabe, que o Bolsonaro era nada, praticamente", afirmou o presidente em uma coletiva de imprensa realizada em Kuala Lumpur após a reunião.>
Donald Trump também comentou sobre o encontro. A jornalistas antes de deixar a Malásia, o líder americano disse que a reunião com Lula foi "muito boa" e voltou a elogiar o presidente brasileiro.>
Trump chamou Lula de "muito vigoroso e impressionante" e desejou os parabéns a ele por seu aniversário de 80 anos nesta segunda-feira (27/10).>
"Tivemos uma reunião muito boa, vamos ver o que acontece. Não sei se alguma coisa vai acontecer, mas veremos. Eles gostariam de fazer um acordo. Vamos ver, agora mesmo eles estão pagando, acho que 50% de tarifa. E quero desejar feliz aniversário ao presidente, hoje é o aniversário dele. Ele é um cara muito vigoroso, na verdade, e foi muito impressionante", afirmou Trump.>
Também após o encontro na Malásia, outro filho de Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), sugeriu que o governo brasileiro estaria enganando a população. "Deve ser a terceira reunião e os caras que atacam diariamente Trump se fazem de idiotas para enganar outros idiotas. Para a organização ficar como está é positivo…. O plano de dominação segue em pleno vapor!", escreveu, também no X.>
Já Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados, afirmou que as tarifas impostas pelos EUA contra o Brasil seriam culpa no governo Lula, que não quis negociar com os americanos antes.>
"Há meses o Brasil paga o alto preço da falta de humildade de um descondenado presidente [que] arrogantemente que não quis negociar logo o tarifaço. Hoje está provado que a culpa é do descondenado Lula", afirmou.>
>Para aqueles que diziam que o TARIFAÇO era culpa de Eduardo Bolsonaro, hoje fica provado que nunca foi.
Há meses o Brasil paga o alto preço da falta de humildade de um Descondenado presidente arrogantemente que não quis negociar logo o tarifaço.
Hoje está provado que a culpa é…— Sóstenes Cavalcante (@DepSostenes) October 26, 2025
Evair de Melo (PP-ES), que foi vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara entre 2020 e 2022, afirmou que a reunião em Kuala Lumpur acabou apenas com "uma foto pra inglês ver".>
"Enfim, Lula resolveu agir como presidente de uma grande nação. Depois de quase dois anos bajulando ditadores, atacando o agro e isolando o Brasil, finalmente sentou à mesa com Donald Trump. Mas o resultado? Nenhum. Nenhum acordo, nenhuma proposta, nada de concreto — apenas uma foto pra inglês ver", escreveu o deputado federal no X.>
"E pra completar o fiasco, na cara do Lula, Trump fez questão de elogiar Bolsonaro, chamando-o de 'grande homem'. Bolsonaro segue sendo referência mundial. O resto é barulho de militância.">
Alguns dos aliados de Jair Bolsonaro ainda usaram o momento para voltar a defender a ideia de que o ex-presidente está sendo perseguido pela Justiça brasileira.>
Bolsonaro foi condenado no STF em setembro a 27 anos e 3 meses de prisão por golpe de Estado e outros crimes. Trump já fez várias críticas ao julgamento e o usou como um dos argumentos para aplicar as tarifas de 50% contra o Brasil.>
Para o senador Jorge Seif Junior (PL-SC), Trump se posicionou abertamente em defesa de Bolsonaro, em uma declaração que "expõe a crise institucional brasileira".>
>O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se posicionou abertamente: chamou de “witch hunt” o julgamento de Bolsonaro e defendeu que ele seja julgado nas urnas e não por um tribunal de justiça.
Essa declaração expõe a crise institucional brasileira: um ex‑presidente sendo… pic.twitter.com/1XzdpR5IDy— ?? Jorge Seif Junior (@jorgeseifjunior) October 26, 2025
Já o vice-líder da oposição na Câmara, Mauricio Marcon (PODE - RS), classificou as declarações dadas por Lula após a reunião com Trump como petulantes.>
"Que petulância, depois do Trump ouvir isso nunca mais tira a Magnitsky do Xandão!", escreveu no X, em referência à aplicação de sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) pelos EUA.>
Oito magistrados da Corte — entre os quais o ministro Alexandre de Moraes — foram sancionados com base na Lei Magnitsky, criada para punir estrangeiros que os EUA consideram autores de graves violações de direitos humanos.>
As imagens compartilhadas por Marcon em sua postagem são de uma coletiva de imprensa dada pelo presidente Lula na Malásia, após o encontro com Trump. Em sua declaração, o presidente brasileiro afirma que espera a "suspensão da taxação" e "da punição aos nossos ministros" para que a relação com os EUA avance.>
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