Publicado em 21 de novembro de 2025 às 09:24
Estados Unidos e Rússia estariam preparando uma nova proposta de paz para pôr fim à guerra na Ucrânia, que exige concessões significativas de Kiev, segundo informações veiculadas em diversos sites de notícias.>
O acordo exigiria que a Ucrânia cedesse territórios que ainda controla e reduzisse drasticamente o tamanho de suas forças armadas.>
Acredita-se que as negociações excluem autoridades europeias e ucranianas, aumentando os temores de que o plano seja amplamente favorável à Rússia. Washington, porém, rejeitou as alegações de que a Ucrânia não esteja envolvida na elaboração do plano.>
A Casa Branca reconheceu a existência de um plano de paz "detalhado e aceitável". Também acrescentou que o presidente Donald Trump estava cada vez mais "frustrado" com a Rússia e a Ucrânia "por sua recusa em se comprometer com um acordo de paz" e que sua equipe vinha trabalhando nessa proposta.>
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Moscou não confirmou nem negou a existência de um plano.>
Em pronunciamento na tarde de quinta-feira (20/11), o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que representantes dos EUA em Kiev apresentaram "sua visão" de um plano para pôr fim à guerra, mas que ele estava "pronto para trabalhar com os EUA".>
"Desde os primeiros dias da guerra, mantivemos uma posição muito simples: a Ucrânia precisa de paz. Uma paz verdadeira, que não seja destruída por uma terceira invasão.">
A primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Svyrydenko, se reuniu com autoridades americanas em Kiev na quinta-feira.>
"As partes concordaram em trabalhar nas disposições do plano para que um fim justo para a guerra possa ser alcançado", afirmou o gabinete de Zelensky.>
A Rússia lançou uma invasão em grande escala da Ucrânia em 2022, o maior conflito na Europa desde a 2ª Guerra Mundial.>
Diversos veículos de imprensa internacionais divulgaram detalhes de um suposto plano de 28 pontos, que teria sido acordado entre o enviado de Trump, Steve Witkoff, e o enviado especial da Rússia, Kirill Dmitriev.>
Um alto funcionário americano confirmou à BBC que Witkoff vinha trabalhando discretamente em uma proposta e que havia recebido contribuições tanto dos ucranianos quanto dos russos sobre os termos que consideravam aceitáveis para o fim da guerra.>
Na quarta-feira (19/11), começaram a surgir relatos sugerindo que o plano exigiria concessões significativas da Ucrânia, embora o funcionário entrevistado pela BBC tenha afirmado que "ambos os lados terão que fazer concessões, não apenas a Ucrânia".>
Os veículos Axios, Financial Times e Reuters, citando fontes próximas às negociações, noticiaram que Kiev deverá ceder as áreas da região de Donbas, no leste da Ucrânia, que ainda controla, reduzir o tamanho de suas forças armadas e entregar grande parte de seu armamento.>
Segundo a Axios, que noticiou o plano em primeira mão, a transferência do restante de Donbas seria feito em troca de garantias de segurança dos EUA para Kiev e a Europa contra futuras agressões russas.>
O Financial Times acrescentou que, de acordo com o plano, a Ucrânia teria que concordar em reduzir pela metade o tamanho de suas forças armadas, reconhecer oficialmente o idioma russo e conceder status de proteção à Igreja Ortodoxa Russa.>
Já segundo o The Telegraph, Kiev manteria a propriedade legal de Donbas, enquanto a Rússia pagaria um aluguel não especificado por seu controle de fato.>
De acordo com a Constituição ucraniana, as questões territoriais devem ser submetidas a um referendo nacional, uma votação que quase certamente fracassaria. Mas um sistema de "arrendamento" proposto contornaria essa exigência.>
Uma fonte entrevistada pela agência de notícias AFP afirmou que o plano exige "o reconhecimento da Crimeia e de outras regiões ocupadas pela Rússia".>
As forças russas controlam aproximadamente um quinto do território ucraniano e continuam avançando, além de realizarem frequentes ataques à infraestrutura energética ucraniana com a aproximação do inverno.>
Em 2022, o Kremlin anexou quatro regiões ucranianas — Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson — apesar de não ter controle total sobre elas.>
A Rússia também anexou a península ucraniana da Crimeia em 2014.>
Os detalhes completos do plano ainda são desconhecidos.>
Segundo uma fonte citada pela AFP, também não está claro quais compromissos a Rússia assumiria em troca das concessões que Kiev descreveu anteriormente como uma derrota.>
Putin exige há muito tempo que Kiev abandone seus planos de ingressar na Otan, a aliança liderada pelos EUA, e retire suas tropas das quatro províncias que Moscou reivindica como parte da Rússia.>
Moscou não deu qualquer indicação de que irá retirar essas exigências, e a Ucrânia já declarou que não as aceitará.>
Os EUA confirmaram a existência de um plano, mas a Rússia não.>
Na quarta-feira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, escreveu no X que alcançar uma paz duradoura exigirá que ambos os lados aceitem concessões difíceis, porém necessárias.>
Ele afirmou que os EUA estavam consultando ambos os lados envolvidos no conflito para desenvolver uma lista de possíveis ideias para o fim da guerra.>
Embora a equipe de Dmitriev tenha se recusado a comentar as notícias, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou na quinta-feira que contatos foram feitos com os EUA, mas que nenhuma consulta ou negociação estava ocorrendo.>
Em resposta a uma pergunta da BBC, Peskov afirmou na quinta-feira que não podia confirmar a existência desse plano, acrescentando: "Não temos nada de novo a acrescentar ao que foi dito em Anchorage (onde ocorreram as últimas conversas entre Putin e Trump). Não temos nada de novo a dizer sobre este assunto.">
O chefe da diplomacia da UE, Kakha Kallas, alertou na quinta-feira que qualquer plano exigiria o apoio tanto dos ucranianos quanto dos europeus.>
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, acrescentou que "os ucranianos não querem nenhuma forma de capitulação".>
Antes da declaração emitida também na quinta-feira pelo gabinete de Zelensky, o presidente ucraniano não havia mencionado o plano que vinha sendo especulado.>
No entanto, a primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, afirmou que sua reunião naquele dia com autoridades americanas proporcionou "uma oportunidade para que representantes do governo dos EUA avaliassem a situação no terreno e vissem as consequências da agressão russa".>
Zelensky descartou repetidamente a possibilidade de ceder território à Rússia.>
Kiev e seus aliados ocidentais, incluindo os EUA, exigiram um cessar-fogo imediato ao longo da extensa frente, mas Moscou rejeitou essa exigência e reitera suas demandas, que, segundo a Ucrânia, equivalem a uma rendição de fato.>
No início deste mês, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que as pré-condições de Moscou para um acordo de paz — que incluem a cessão de território, severas restrições ao tamanho do exército ucraniano e a neutralidade do país — não mudaram desde que Putin as formulou em 2024.>
Vitaliy Shevchenko, especialista em Rússia e Ucrânia do BBC Monitoring, acredita que o suposto plano de paz EUA-Rússia para a Ucrânia "difere pouco das exigências maximalistas que Moscou já expressou".>
Ele acrescenta que, se for verdade que Washington apoia o que, na prática, é a lista de desejos de Vladimir Putin na Ucrânia, "isso alimentaria ainda mais as dúvidas sobre a imparcialidade dos EUA como mediadores nos esforços para pôr fim à guerra".>
Ele explica que isso também aumentaria as preocupações existentes na Europa de que Washington esteja tentando marginalizar seus aliados no bloco enquanto trabalha para melhorar suas relações com Moscou.>
O correspondente da BBC no Departamento de Estado de Washington, Tom Bateman, observa que Moscou já fez essas exigências antes e que Kiev as considera uma capitulação.>
"Washington endureceu recentemente sua posição em relação a Moscou com novas sanções e pode estar se preparando para pressionar ainda mais o presidente Zelensky em relação ao que ele e seus aliados europeus sempre consideraram linhas vermelhas", conclui.>
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