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Moraes decide que Bolsonaro vai cumprir 27 anos de prisão em sala da Polícia Federal

Moraes decide que Bolsonaro vai cumprir 27 anos de prisão em sala da Polícia Federal

Supremo Tribunal Federal declarou o trânsito em julgado do processo que condenou o ex-presidente por trama golpista, concluindo a ação penal; Alexandre de Moraes define que pena será cumprida em sala especial da Polícia Federal onde Bolsonaro já está, em Brasília

Publicado em 25 de novembro de 2025 às 16:04

Imagem BBC Brasil
Bolsonaro foi levado para uma cela na Superintendência da PF em Brasília no dia 22 Crédito: EPA

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (25/11) o encerramento do processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Com isso, terá início a execução da pena — o ministro determinou que o ex-presidente ficará na mesma sala especial onde já está, na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

Na decisão, Moraes determina ainda "a manutenção de disponibilização de atendimento médico em tempo integral" a Bolsonaro, "em regime de plantão".

Também garante "o acesso da equipe médica que acompanha o tratamento de saúde do réu, independentemente de prévia autorização judicial".

A decisão ocorre em meio a críticas da família de Bolsonaro e de seus apoiadores de que o ex-presidente poderia morrer na prisão, devido a problemas de saúde decorrentes da facada que sofreu na eleição de 2018.

Moraes determinou também a execução da pena para outros seis condenados no processo. Os generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira ficarão presos no Comando Militar do Planalto, que fica em Brasília.

Outro condenado, o general Braga Netto, está preso preventivamente desde dezembro de 2024 no Comando da 1ª Divisão de Exército, no Rio de Janeiro. Ele cumprirá a pena no mesmo local.

Já Anderson Torres deverá ser preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, que fica dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, e é conhecido como Papudinha. O local oferece condições melhores que a Papuda.

No momento, Bolsonaro está preso preventivamente em uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

O ministro pode mantê-lo neste local ou decidir que ele deve ser transferido para uma unidade prisional, como o Complexo Penitenciário da Papuda.

Já a defesa deve tentar reestabelecer a prisão domiciliar, com o argumento de que o ex-presidente tem graves problemas de saúde.

Esse cenário, porém, ficou mais difícil depois que Bolsonaro danificou sua tornozeleira eletrônica usando um ferro de solda, o que provocou sua transferência para a PF no sábado (22/11).

A prisão preventiva foi decretada em agosto por Moraes com o argumento de que havia risco do ex-presidente fugir do país.

Essa medida foi determinada dentro de inquérito que investigava a atuação do seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nos Estados Unidos.

Ele articulou junto ao governo de Donald Trump retaliações ao Brasil para tentar impedir a condenação de Bolsonaro, mas não teve sucesso. Agora, Eduardo vai responder a um processo criminal por obstrução de justiça.

Imagem BBC Brasil
Filho de Bolsonaro, Carlos deixa a PF após visitar o pai em Brasília Crédito: Reuters

Defesa de Bolsonaro não apresentou novo recurso

A defesa de Bolsonaro tinha até segunda-feira (24/11) para apresentar novos embargos de declaração, um tipo de recurso contra sua condenação, mas isso não foi feito, diante da forte expectativa de que seriam rejeitados.

Dessa forma, Moraes determinou o trânsito em julgado do processo, ou seja, a conclusão da ação penal.

A defesa ainda pode tentar apresentar outro tipo de recurso, os chamados embargos infringentes, que servem para questionar decisões tomadas sem unanimidade, mas ele deve ser recusado sem que o STF analise seu conteúdo.

A jurisprudência atual da Corte estabelece que apenas decisões das Turmas que tenham ao menos dois votos divergentes podem ser contestadas por embargos infringentes. E, no caso de Bolsonaro, o placar do seu julgamento na Primeira Turma ficou em 4 votos a 1 por sua condenação.

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