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Crise

Maduro autoriza Cruz Vermelha a levar ajuda humanitária à Venezuela

Em meio à escassez aguda de alimentos básicos e medicamentos, a entrada da ajuda humanitária tornou-se um dos elementos centrais da luta pelo poder entre Maduro e Guaidó

Publicado em 29 de Março de 2019 às 19:18

Publicado em 

29 mar 2019 às 19:18
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Arquivo Agência Brasil

A Cruz Vermelha informou nesta sexta-feira (29) que obteve permissão do regime de Nicolás Maduro e da oposição, comandada por Juan Guaidó, para dar início a uma campanha de ajuda humanitária na Venezuela. A operação será similar àquela que a organização atualmente mantém na Síria, afirmou Francesco Rocca, presidente da Federação Internacional da Cruz Vermelha. Segundo as Nações Unidas, 89% da população síria está vivendo na pobreza e depende de ajuda alimentar internacional.

A Cruz Vermelha advertiu que não aceitará ser alvo de interferência política em meio à luta entre o governo de Nicolás Maduro e o líder parlamentar da oposição Juan Guaidó. "Em um período de aproximadamente 15 dias, estaremos preparados para oferecer ajuda (...) Esperamos ajudar a 650 mil pessoas a princípio", disse Rocca.

Os primeiros suprimentos incluem equipamentos médicos, kits para cirurgias e geradores, afirmou o presidente. A Venezuela sofreu dois grandes apagões no último mês. Rocca ressaltou que a organização agirá de acordo com seus princípios de "imparcialidade, neutralidade e independência", "sem aceitar a interferência de ninguém".

Em meio à escassez aguda de alimentos básicos e medicamentos, a entrada da ajuda humanitária tornou-se um dos elementos centrais da luta pelo poder entre Maduro e Guaidó, reconhecido como presidente encarregado da Venezuela por mais de 50 países, dentre eles Brasil e Estados Unidos.

Em 23 de fevereiro, Nicolás Maduro impediu a entrada de toneladas de alimentos, remédios e itens de primeira necessidade enviados pelos EUA pelas fronteiras de Brasil e Colômbia. Os tumultos deixaram cerca de sete mortos e dezenas de feridos.

Maduro alegou que a tentativa de fazer entrar os pacotes de ajuda humanitária era uma "desculpa" para uma intervenção militar com o objetivo de derrubá-lo.

Rocca expressou a disposição por parte da Cruz Vermelha de trabalhar com esses suprimentos acumulados nas fronteiras da Colômbia e do Brasil com a Venezuela, mas sob as regras da instituição. "Essa é uma questão muito politizada... Se essa ajuda estiver de acordo com nossas regras e nossos protocolos, é claro que estamos dispostos a distribuí-la", concluiu.

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