Publicado em 27 de outubro de 2025 às 09:32
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, é "um cara muito vigoroso" e que ele ficou "impressionado" após o encontro que tiveram no último domingo, na Malásia, onde ambos participaram da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).>
A declaração foi dada a jornalistas na manhã desta segunda-feira (27/10), a bordo do avião presidencial americano, em resposta a uma pergunta sobre como foi o encontro com Lula.>
"Muito bom. Tivemos um bom encontro. Vamos ver o que acontece. Eles querem fazer um acordo. Vamos ver. Neste momento eles estão pagando uma tarifa de 50%. Mas nós tivemos um grande encontro.">
Trump também aproveitou para parabenizar Lula, que completa 80 anos nesta segunda-feira.>
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Em postagem no Twitter, Lula disse que a reunião foi "ótima" e acrescentou que as negociações continuam "imediatamente" para buscar soluções para a tarifa de 50% às importações brasileiras e também para sanções contra autoridades impostas pelo governo Trump.>
"Ele [Trump] garantiu que vamos ter um acordo. E acho que será mais rápido do que muita gente pensa", disse Lula durante uma coletiva de imprensa.>
Lula afirmou que Brasil e EUA devem participar de novas rodadas de negociações sobre as tarifas "nas próximas semanas" em Washington.>
"Estou convencido de que, em poucos dias, teremos uma solução definitiva entre Estados Unidos e Brasil, para que a vida siga boa e alegre, do jeito que dizia Gonzaguinha em sua música", disse o brasileiro.>
Foi o primeiro encontro formal entre os dois, que mantinham relação distante desde o início do governo Trump. A situação se agravou em julho, quando Washington anunciou o tarifaço contra o Brasil.>
Mas o diálogo melhorou a partir de setembro, quando ambos tiveram breve contato durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o que abriu as negociações para o encontro bilateral.>
Na reunião com Trump, o brasileiro disse ter pedido ao americano "a suspensão da taxação e revisão das punições aos nossos ministros", referindo-se a sanções aplicadas pelos EUA a magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF) e autoridades de seu governo.>
Lula chama as sanções de "infundadas e baseadas em informações erradas" e diz que Trump "ficou surpreso" ao ouvir que as sanções americanas haviam atingido até a filha de 10 anos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT).>
Padilha foi sancionado em agosto por ter participado da elaboração do programa Mais Médicos. Segundo o governo americano, o programa consistiu em um "esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano", em referência à participação de médicos cubanos no programa entre 2013 e 2018.>
O ministro, sua esposa e filha tiveram os vistos americanos cancelados.>
Já oito magistrados do STF - entre os quais o ministro Alexandre de Moraes - foram sancionados com base na Lei Magnitsky, criada para punir estrangeiros que os EUA consideram autores de graves violações de direitos humanos.>
Lula disse ainda ter defendido na reunião com Trump a legitimidade do julgamento no STF que condenou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por golpe de Estado e outros crimes. O americano já fez várias críticas ao julgamento e o usou como um dos argumentos para aplicar as tarifas de 50% contra o Brasil.>
Referindo-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula disse que Trump sabe que "rei morto, rei posto".>
"Bolsonaro faz parte do passado da política brasileira. Eu disse [a Trump]: com três reuniões que você fizer comigo, vai perceber que Bolsonaro não era nada", disse o petista.>
Lula disse que a reunião com Trump foi importante para que pudessem se conhecer pessoalmente.>
"Quando você se conhece [por intermédio] das pessoas que falam, é mais difícil. Tem que sentir, pegar na mão, olhar, ver a reação da pessoa. Acho que houve sinceridade na nossa relação", afirmou.>
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