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Após encontro na ONU

Governo brasileiro teme que conversa com Trump possa virar humilhação para Lula

Aliados falam em cautela e avaliam que presidente americano pode usar diálogo como forma de pressionar o líder brasileiro

Publicado em 23 de Setembro de 2025 às 20:31

Agência FolhaPress

Publicado em 

23 set 2025 às 20:31
NOVA YORK - Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viram o gesto de Donald Trump como uma vitória para o brasileiro, mas temem que o americano use o diálogo entre os dois como uma forma de pressionar e até humilhar o líder petista, a exemplo do que já fez com líderes europeus na Casa Branca.
Os dois tiveram uma breve interação na manhã desta terça-feira (23) pouco antes de o republicano discursar na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Trump sugeriu, e Lula aceitou, uma conversa para a próxima semana. O encontro foi divulgado pelo presidente americano ao final de sua fala, em que ele também disse que gostou do brasileiro e que teve uma "excelente química" com o petista.
Os detalhes ainda estão sendo acertados. À jornalista Christiane Amanpour, da CNN, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, afirmou que a conversa deverá ser por telefone ou videoconferência. "O presidente está muito ocupado, tem uma agenda cheia. Talvez não seja possível se encontrar pessoalmente, mas encontraremos alguma maneira [de realizar a conversa]", afirmou Vieira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou durante assembleia-geral da ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou durante assembleia-geral da ONU Crédito: Ricardo Stuckert/PR
A preocupação, segundo integrantes do governo brasileiro, é que o diálogo não fuja do formato diplomático estabelecido. No início do ano, um encontro entre Trump e Volodimir Zelenski descambou para uma sessão pública de humilhação do ucraniano, por exemplo.
Brasil e Estados Unidos vivem um momento tenso em suas relações. Washington, em um gesto de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, impôs tarifas comerciais às importações brasileiras e sanções a membros do Executivo e do Judiciário, como o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

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