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EUA dizem ter apreendido navio com bandeira da Rússia usado no passado para transportar petróleo da Venezuela

EUA dizem ter apreendido navio com bandeira da Rússia usado no passado para transportar petróleo da Venezuela

Navio petroleiro Marinera, acusado de violar sanções americanas, foi apreendido por forças dos EUA cerca de 200 km ao sul da Islândia.

Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 12:09

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (7/1) a apreensão de um navio petroleiro no Atlântico Norte com bandeira da Rússia que no passado teria sido usado para transportar petróleo venezuelano.

A BBC está acompanhando a jornada do petroleiro com dados de monitoramento remoto. A embarcação estava a cerca de 200 km ao sul da Islândia.

O navio Marinera — cujo nome anterior era Bella 1 — é acusado de violar sanções americanas e transportar petróleo iraniano. No passado, ele já foi usado para carregar petróleo bruto venezuelano, mas há relatos de que ele estaria vazio no momento.

O Comando Europeu dos EUA afirma que o Departamento de Justiça e o Departamento de Segurança Interna dos EUA "anunciaram hoje a apreensão do navio M/V Bella 1 por violações das sanções americanas".

Em uma publicação no X, o comando disse: "A embarcação foi apreendida no Atlântico Norte em cumprimento a um mandado expedido por um tribunal federal dos EUA, após ter sido rastreada pelo (navio de patrulha) USCGC Munro."

A Guarda Costeira dos EUA tentou abordar o Bella 1 no mês passado no Caribe, quando se acreditava que ele estivesse se dirigindo para a Venezuela. Havia um mandado para apreender o navio.

Em seguida, o navio mudou drasticamente de rumo — e também seu nome, para Marinera. Acredita-se que a bandeira do navio também mudou de Guiana para Rússia.

Segundo a rede americana CBS News, a Rússia havia mobilizado nesta semana recursos navais para escoltar o petroleiro. A Rússia afirmou estar "monitorando com preocupação" a situação em torno do navio.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no mês passado que estava ordenando um "bloqueio" de petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela. O governo venezuelano disse que a ação americana é um "roubo".

Antes da prisão do ex-líder venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA no sábado (3/1), Trump acusou repetidamente o governo da Venezuela de usar navios para levar drogas aos EUA.

Duas imagens divulgadas pela emissora estatal russa RT mostravam um helicóptero próximo a um navio que parece ser o Marinera.

Características visíveis nas imagens da embarcação, incluindo a posição da janela e a cor branca e verde da estrutura metálica, são consistentes com imagens de satélite e de domínio público do Marinera, segundo verificação da BBC junto a especialistas.

Acredita-se que o Marinera estivesse entre a Escócia e a Islândia na noite de terça-feira, com a distância e o clima dificultando uma abordagem.

Os dados de rastreamento do petroleiro sugerem que ele estava no Atlântico Norte, aproximadamente 2 mil km a oeste da Europa continental na terça-feira. Na quarta-feira, o navio estava a 200 km ao sul da Islândia.

De acordo com o direito internacional, os navios que carregam a bandeira de um país estão sob a proteção dessa nação, mas Dimitris Ampatzidis, analista sênior de risco da empresa de inteligência marítima Kpler, disse à BBC que mudar o nome e a bandeira do navio pode não mudar muita coisa.

"A ação dos EUA é motivada pela identidade subjacente do navio [número IMO], redes de propriedade/controle e histórico de sanções, não por suas marcas pintadas ou bandeira", disse ele.

Ampatzisdis acrescentou que a mudança para o registro russo pode causar "atrito diplomático", mas não impediria qualquer ação de fiscalização dos EUA.

Antes da abordagem americana ao navio, o ministério das Relações Exteriores da Rússia havia dito que "nosso navio está navegando nas águas internacionais do Atlântico Norte sob a bandeira estatal da Federação Russa e em total conformidade com as normas do direito marítimo internacional".

"Por razões que nos são obscuras, o navio russo está recebendo atenção crescente e claramente desproporcional por parte de militares dos EUA e da Otan, apesar de seu status pacífico", afirmou o ministério.

"Esperamos que os países ocidentais, que declaram seu compromisso com a liberdade de navegação em alto-mar, comecem a aderir a esse princípio também."

O potencial impasse em relação ao petroleiro ocorre dias depois de os EUA terem surpreendido o mundo com a prisão de Nicolás Maduro em Caracas. Os EUA bombardearam alvos na cidade durante a operação para extrair Maduro e sua esposa sob suspeita de crimes relacionados a armas e drogas.

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