Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 22:10
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, disse nesta quarta-feira (7/1) que seu país pretende manter um controle significativo sobre a indústria petrolífera da Venezuela, incluindo a supervisão da venda de produção do país sul-americano. >
A declaração foi feita em meio a expectativas e incertezas sobre os planos da Casa Branca para a Venezuela após uma operação no último sábado (3/1) que levou à detenção de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em Caracas.>
"Vamos comercializar o petróleo bruto da Venezuela: primeiro, esse petróleo que se acumulou e foi armazenado, e depois, de forma indefinida, venderemos a produção venezuelana no mercado", disse Wright.>
O ex-executivo da indústria de petrolífera explicou que as vendas serão geridas pelo governo americano e o valor gerado seria depositado em contas controladas também por Washington, até ser transferido para a Venezuela para "beneficiar o povo venezuelano". >
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"Precisamos ter essa influência e controle sobre as vendas de petróleo para impulsionar as mudanças que são absolutamente necessárias na Venezuela", acrescentou. >
A declaração foi feita diante de uma audiência seleta de investidores e banqueiros em uma conferência sobre energia organizada pelo Goldman Sachs, em Miami. >
Pouco depois, a Petróleos de Venezuela S.A divulgou um comunicado informando que "está atualmente em negociação com os EUA para a venda de volumes de petróleo, no âmbito das relações comerciais existentes entre os dois países". >
E acrescentou: "Esse processo está sendo conduzido sob acordos similares aos vigentes com empresas internacionais, como a Chevron, e baseia-se em uma transação estritamente comercial, respeitando os critérios de legalidade, transparência e benefício para ambas as partes.">
Os detalhes fornecidos por Wright lançam nova luz sobre a estratégia do governo de Trump sobre a indústria petrolífera venezuelana, depois que o presidente anunciou na terça-feira (6/1) que a Venezuela entregará aos EUA milhões de barris de petróleo, avaliados em cerca de US$ 2,8 milhões (aos preços atuais do mercado). >
"Tenho o prazer de anunciar que as autoridades interinas da Venezuela entregarão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade, não sujeito a sanções, aos Estados Unidos", escreveu Donald Trump em uma publicação na plataforma Truth Social. >
Isso ocorre dias depois das forças militares americanas atacarem a Venezuela, prenderem Nicolás Maduro, e o levarem para Nova York para responder por acusações de tráfico de drogas.>
A possível chegada de barris aos EUA é vista como um boa notícia para as refinarias americanas, que são projetadas para processar petróleo pesado como o da Venezuela. >
Se o fluxo do petróleo bruto continuar, segundo especialistas, isso poderá se traduzir na diminuição dos preços que os consumidores americanos pagam pela gasolina e o diesel, mantendo sob controle as pressões inflacionárias. >
E o controle da inflação é uma das prioridades da Casa Branca para manter o apoio à sua gestão.>
Até agora, os líderes na Venezuela não se pronunciaram publicamente sobre os planos anunciados pela Casa Branca. >
Se implementados, os planos do governo Trump representariam uma das maiores transformações econômicas na história recente da Venezuela. >
Contudo, não está claro sob qual autoridade legal o governo dos EUA atuaria para supervisionar as vendas de petróleo venezuelano. >
Segundo um resumo publicado na quarta-feira pelo Departamento de Energia, o governo Trump está suspendendo sanções impostas ao petróleo venezuelano de forma "seletiva", para permitir o transporte e a venda de petróleo bruto aos mercados de todo o mundo. >
Nesse contexto, Wright destacou a importância, para os EUA, de controlar o petróleo venezuelano. >
"Se controlarmos o fluxo de petróleo e o fluxo de caixa dessas vendas, teremos uma grande vantagem", disse o secretário de Energia em sua primeira manifestação pública após a detenção de Maduro. >
"Precisamos ter essa vantagem e esse controle sobre as vendas de petróleo para impulsionar as mudanças que simplesmente precisam acontecer na Venezuela", acrescentou. >
Wright também disse que seu governo mantém um "diálogo ativo" com Caracas, assim como com as grandes petrolíferas americanas.>
ConocoPhillips e Exxon Mobil estão entre as petrolíferas que, segundo informações, estão sendo convocadas pelo governo Trump para investir na Venezuela e reativar a produção. >
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, anunciou que uma reunião com executivos do setor petrolífero será realizada na sexta-feira (9/1) "para discutir oportunidades". >
Leavitt aproveitou a ocasião para anunciar que "o governo dos Estados Unidos já começou a comercializar petróleo venezuelano no mercado global em benefício dos EUA e contratou os principais negociadores de commodities do mundo e bancos estratégicos para executar e fornecer apoio financeiro para essas vendas de petróleo bruto e derivados". >
A declaração foi feita depois de Washington ter apreendido, nesta quarta-feira, dois navios petroleiros ligados à produção venezuelana.>
Uma das embarcações, o Marinera (antes chamado Bella 1), navegava pelas águas do Atlântico Norte, enquanto a segunda, conhecida como M/T Sofia, operava no mar do Caribe. >
Segundo os EUA, ambos os navios violavam suas sanções. >
A captura do Marinera foi autorizada por uma ordem judicial que inclui seus tripulantes, disse Leavitt. >
"A tripulação agora está sujeita a um processo judicial por quaisquer violações aplicáveis da lei federal. Eles serão transferidos para os EUA para esse processo, se necessário", pontuou. >
Em um dia agitado, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, também se pronunciou sobre a situação na Venezuela. >
O chefe da diplomacia americana disse nesta quarta-feira que o plano dos EUA para a Venezuela inclui três fases: estabilização, recuperação e transição. >
"O primeiro passo é a estabilização do país. Não queremos que ele caia no caos", declarou diante do Congresso americano. >
"A segunda fase será o que chamamos de fase de recuperação, e consiste em garantir que empresas americanas, ocidentais e de outros países tenham acesso ao mercado venezuelano de forma justa", explicou. >
Rubio também falou sobre um processo de reconciliação nacional dentro da Venezuela, para que as forças da oposição sejam libertadas das prisões ou repatriadas ao país e possam "começar a reconstruir a sociedade civil". >
"E depois, a terceira fase, claro, será a de transição.">
Sobre o petróleo venezuelano, Rubio afirmou que o governo está "prestes a fechar um acordo para assumir todo o petróleo que eles têm, o petróleo que está parado na Venezuela". >
"Vamos adquirir entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo. Vamos vendê-los a preço de mercado, não com os descontos que a Venezuela recebia", garantiu o secretário de Estado ao Congresso, reiterando que os recursos obtidos com essas vendas seriam administrados diretamente pelo governo Trump. >
"Esse dinheiro será administrado de forma que controlaremos sua distribuição para beneficiar o povo venezuelano, e não a corrupção nem o regime.">
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