Publicado em 22 de janeiro de 2021 às 07:31
- Atualizado Data inválida
Em seu segundo dia na cadeira de presidente dos Estados Unidos, Joe Biden cumpriu nesta quinta (21) sua promessa de campanha e anunciou uma série de iniciativas para acelerar a vacinação no país e tentar conter a pandemia de coronavírus, que já matou mais de 408 mil pessoas. >
Algumas medidas representam um rompimento com a política defendida por seu antecessor, o republicano Donald Trump, que tirou o país da Organização Mundial da Saúde (OMS) e se recusou a impor restrições à população para lidar com a emergência sanitária.>
Biden, que assumiu oficialmente nesta quarta (20), cancelou a saída da entidade e assinou uma série de ordens executivas mecanismos que não precisam da aprovação do Congresso para entrar em vigor que facilitam a distribuição de imunizantes e impõem regras de distanciamento social.>
Entre as novas medidas, qualquer viajante que quiser entrar nos Estados Unidos vai precisar apresentar um teste com resultado negativo antes de embarcar e ainda terá que cumprir uma quarentena ao chegar.>
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O governo americano está em negociação com México e Canadá para aplicar essas restrições também a quem entra no país por via terrestre.>
Além disso, o uso de máscara passa a ser obrigatório em todas as viagens interestaduais, incluindo as de avião, barco, trem e ônibus.>
Durante a apresentação das novas regras, Biden não deixou claras a duração da quarentena nem a antecedência com que o teste precisa ser feito. Ele também não esclareceu qual será a punição para quem descumprir as regras.>
Para o anúncio, o presidente estava acompanhado de sua vice, Kamala Harris, e do médico Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA. Ele é considerado um dos principais infectologistas do governo americano e, inicialmente, foi um dos líderes da resposta do país à pandemia.>
Fauci, porém, teve que ir a público diversas vezes desmentir ou esclarecer declarações falsas dadas por Trump, que acabou por escantear o médico dos eventos principais.>
Biden, por sua vez, deixou claro durante a campanha à Presidência que queria devolver o protagonismo ao infectologista, permitindo que ele se tornasse um dos rostos dos esforços públicos contra a Covid-19.>
"Acima de tudo, nosso plano é restaurar a confiança do público. Vamos garantir que cientistas e especialistas em saúde pública vão falar diretamente com você", disse o democrata na Casa Branca.>
"É por isso que vocês vão ouvir muito mais do dr. Fauci novamente, e não do presidente", completou Biden, em referência à gestão Trump.>
Em entrevista coletiva pouco depois, o próprio infectologista disse que, na nova gestão, quando ele não sabe algo, ele está autorizado a dizer isso publicamente em vez de chutar uma resposta.>
"A ideia de que você pode chegar aqui e falar sobre o que sabe e quais são as evidências, o que é a ciência, é uma sensação libertadora", completou o médico, conhecido por sua diplomacia.>
Coube a Fauci, que passou a ocupar também o cargo de conselheiro-chefe de Covid-19 da Casa Branca, anunciar durante uma reunião da OMS na manhã desta quinta que os EUA iriam aderir ao consórcio Covax, uma iniciativa da entidade que visa disponibilizar a vacina para a toda a população mundial.>
O infectologista também já tinha declarado apoio a uma promessa de campanha de Biden de aplicar 100 milhões de vacinas em seus primeiros 100 dias no cargo.>
Para que isso de fato aconteça, Biden anunciou que seu governo pretende usar farmácias em cidades pequenas para distribuir os imunizantes.>
Questionado por jornalistas durante a apresentação se a meta não seria pouco ambiciosa, o democrata demonstrou irritação. "Quando eu anunciei isso, vocês todos disseram que não era possível. Caramba, dá um tempo", respondeu o presidente.>
Na última semana, o governo Trump vacinou uma média de 912.497 pessoas por dia próxima, portanto, do número necessário para a meta de Biden ser cumprida.>
O novo presidente também ordenou que a Fema (agência responsável por responder a emergências nos EUA), indique um responsável em cada estado para cuidar da resposta ao coronavírus.>
A ideia é que essa pessoa receba os pedidos das autoridades locais e encaminhe imediatamente para o governo federal, de modo a agilizar a resposta - esse esquema é comum em casos de desastres naturais no país.>
Biden autorizou ainda que as verbas da agência possam ser usadas para pagar os custos extras que os estados devem ter para deixar escolas, creches e faculdades abertas durante a pandemia. O dinheiro também poderá ser usado para pagar o serviço de agentes da Guarda Nacional que participem do combate à Covid-19.>
O democrata também assinou uma ordem invocando a Lei de Proteção de Defesa. O mecanismo, criado para tempos de guerra, estabelece que as agências federais e a indústria americana devem ter como prioridade os esforços para ajudar o país.>
Isso permite, por exemplo, que Biden ordene que determinada indústria privada produza algum equipamento necessário para o combate ao coronavírus - Trump chegou a usar a lei para forçar alguns locais a produzirem respiradores no início da pandemia.>
Biden, porém, sinalizou que pretende usar a regra de maneira mais ampla que o republicano, como muitos de seus colegas de partido vinham pedindo nos últimos meses.>
"Nosso plano nacional lança um esforço de guerra em larga escala para resolver a falta de suprimentos ao acelerar a produção de equipamentos de segurança, seringas, agulhas, tudo que for necessário", afirmou o democrata.>
"Quando eu digo 'esforço de guerra', as pessoas olham para mim tipo 'esforço de guerra'? Bem, como eu disse ontem à noite, 400 mil americanos morreram [por causa do coronavírus]. Isso é mais do que morreram na Segunda Guerra. 400 mil, isso é um esforço de guerra", completou.>
Apesar de anunciar os novos esforços de seu governo contra a Covid-19, Biden afirmou que a pandemia está longe de acabar no país e que o número de americanos mortos pela doença deve chegar a 500 mil em fevereiro.>
"No último ano, nós não pudemos confiar no governo federal para agir com a urgência, foco e coordenação necessárias. E temos visto o custo trágico dessa falha", afirmou.>
Para tentar conter a disseminação do vírus, ele pediu que pelos próximos cem dias todos os americanos usem máscara sempre que possível recomendação que Trump se recusou a fazer.>
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