Publicado em 14 de agosto de 2025 às 07:25
O Supremo Tribunal Federal (STF) elegeu nesta quarta-feira (13) o ministro Edson Fachin como novo presidente da Corte e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para o biênio 2025-2027. Na mesma sessão, o colegiado escolheu o ministro Alexandre de Moraes para ocupar a vice-presidência. A posse está marcada para 29 de setembro, às 16h.>
A votação foi simbólica, com placar de 10 a 1, já que o próprio candidato não vota em si. A escolha seguiu a tradição de eleger o ministro mais antigo que ainda não tenha exercido a presidência. O mandato de dois anos terá início no dia seguinte ao fim da gestão de Luís Roberto Barroso, em 28 de setembro.>
De acordo com o Regimento Interno do STF, a eleição ocorre na segunda sessão ordinária do mês anterior ao término do mandato vigente. Na abertura da sessão, Barroso elogiou o sucessor: "Considero, pessoalmente e institucionalmente, que é uma sorte do país poder, nesta conjuntura, ter uma pessoa com a qualidade moral e intelectual de Vossa Excelência conduzindo o Tribunal".>
Após o resultado, Fachin agradeceu a confiança dos colegas e disse que pretende manter o fortalecimento da colegialidade, do diálogo e da pluralidade. >
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"A eleição tem um efeito simbólico. É como uma corrida de revezamento: o bastão agora chegou aqui e recebo com o sentido de missão e com a consciência de um dever a cumprir", afirmou. >
Moraes também agradeceu e destacou a parceria com Fachin — os dois já dividiram a liderança no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2022.>
Luiz Edson Fachin nasceu em 8 de fevereiro de 1958, em Rondinha (RS). Graduado em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde é professor titular de Direito Civil, Fachin possui mestrado e doutorado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e pós-doutorado no Canadá.>
Antes de integrar o Supremo Tribunal Federal (STF), atuou como advogado e consultor nas áreas de Direito Civil e Direito Internacional, além de participar de comissões acadêmicas e jurídicas de relevância nacional.>
Indicado para o STF pela então presidente Dilma Rousseff, tomou posse em 16 de junho de 2015 e atualmente ocupa a vice-presidência da Corte. Ao longo de sua trajetória no tribunal, Fachin já presidiu ou foi vice no Tribunal Superior Eleitoral, consolidando experiência em julgamentos de alta complexidade. >
Operação Lava Jato>
Fachin ganhou notoriedade ao assumir, em 2017, a relatoria dos processos da Operação Lava Jato no Supremo, após a morte do ministro Teori Zavascki. >
Considerado um entusiasta da operação, Fachin tem um histórico de decisões que foram consideradas "favoráveis" à operação.>
Entre os desdobramentos recentes sob sua relatoria está o caso do ex-presidente Fernando Collor, condenado a 8 anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em processo ligado a irregularidades na BR Distribuidora.>
A condenação, de maio de 2023, foi confirmada em 2024, e a prisão de Collor foi determinada após o esgotamento dos recursos. Em decisão referendada por 6 a 4 no STF, Fachin acompanhou o voto do relator Alexandre de Moraes para manter o ex-presidente preso. Posteriormente, a pena foi convertida em prisão domiciliar por questões de saúde.>
Marco temporal na demarcação de áreas indígenas>
Fachin também se destacou em processos envolvendo direitos indígenas. No julgamento sobre o chamado "marco temporal" — tese segundo a qual só poderiam ser demarcadas terras ocupadas por povos indígenas na data da promulgação da Constituição de 1988 — o ministro votou contra a adoção dessa regra. O caso, de repercussão geral, tem como origem uma disputa por terras em Santa Catarina e pode definir o futuro de dezenas de processos semelhantes.>
Além disso, em janeiro de 2024, Fachin suspendeu decisões judiciais que travavam a demarcação da Terra Indígena Tekoha Guasu Guavira, no Paraná. De acordo com o ministro, as decisões não observaram o direito ao contraditório e à ampla defesa das comunidades indígenas.>
"É fundamental que as soluções possam de fato refletir as diferenças de realidade e de percepção entre as partes. O envolvimento ativo de todos os atores estatais, sobretudo para ouvir as partes e as auxiliar a encontrar pontos comuns", decidiu Fachin, conforme noticiado pela Agência Brasil. O processo voltou a avançar após anos de impasse e aumento da tensão na região, incluindo ataques armados contra indígenas Avá-Guarani. O ministro também conduz ações que pedem medidas de proteção a povos isolados e de recente contato.>
Revista íntima>
Em outro caso envolvendo segurança pública, o Supremo concluiu em abril de 2025 o julgamento que proibiu a chamada "revista íntima vexatória" — procedimento adotado em presídios que expõe e humilha visitantes e detentos. O processo foi relatado por Fachin.>
Pela decisão, a prática está proibida imediatamente. No entanto, o tribunal estabeleceu um prazo de até 24 meses para que os estabelecimentos prisionais se adaptem e instalem equipamentos como scanners corporais e detectores de metais. Nesse período de transição, só poderão ser usados métodos de revista que não sejam invasivos nem humilhantes, como inspeção visual de objetos ou detectores portáteis.>
'Uberização'>
Sob relatoria do ministro Edson Fachin, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa um recurso que discute se motoristas de aplicativos têm vínculo empregatício com as plataformas digitais — tema conhecido como "uberização". A decisão terá efeito vinculante para todos os casos semelhantes no país, graças ao reconhecimento da repercussão geral (Tema 1.291).>
Em dezembro de 2024, Fachin promoveu uma audiência pública com 58 expositores, incluindo representantes de motoristas, empresas, sindicatos e especialistas, para subsidiar a decisão do tribunal. O objetivo foi avaliar aspectos como a carga horária, o controle algorítmico das atividades e a ausência de benefícios trabalhistas típicos, como férias e 13º salário.>
A definição do STF terá impacto direto em milhares de processos espalhados pelo Judiciário brasileiro, estabelecendo um padrão para a relação entre trabalhadores e plataformas digitais.>
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