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Política

Ditadura da Nicarágua liberta presos políticos pela lei da anistia

A atual crise nicaraguense teve início em 18 de abril de 2018, quando um grupo de estudantes universitários foi às ruas para se manifestar contra uma reforma do sistema de pensões

Publicado em 11 de Junho de 2019 às 19:28

Publicado em 

11 jun 2019 às 19:28
Bandeira da Nicarágua Crédito: Pixabay
A ditadura nicaraguense liberou nesta terça-feira (11) os jornalistas Miguel Mora, dono e diretor da emissora 100% Notícias, a principal da Nicarágua, e a porta-voz do canal, a também jornalista Lucía Pineda Ubao, além de outros 54 presos políticos.
A decisão foi comemorada por jornalistas e grupos de defesa de direitos humanos. Mora afirmou à imprensa local que estava feliz por ser "novamente um homem livre". "Nunca cometi um delito e fiquei preso por seis meses."
O reencontro dos libertados com familiares e amigos, porém, também teve um gosto amargo.
A autorização para deixarem a prisão se deve a uma lei aprovada pela ditadura de Daniel Ortega que, ao mesmo tempo em que determina a libertação, confere ampla anistia a militares e membros das forças que reprimiram os protestos que deixaram 325 mortos e mais de 2.000 feridos em pouco mais de um ano.
A atual crise nicaraguense teve início em 18 de abril de 2018, quando um grupo de estudantes universitários foi às ruas para se manifestar contra uma reforma do sistema de pensões.
As marchas começaram a atrair mais gente pedindo a renúncia do governo, e a repressão passou a ser de imensa brutalidade. Além do Exército e da polícia, Ortega armou e colocou nas ruas também os militantes da Juventude Sandinista e de outras associações políticas, formando milícias.
O Centro Nicaraguense de Direitos Humanos chamou a lei de Ortega de "auto-anistia" e afirmou que a ação é ilegal de acordo com leis internacionais.
Ortega, ao determinar a soltura, falou em "reconciliação da sociedade", mas oposicionistas protestaram contra o fato de que oficiais ficarão impunes diante da violência e dos homicídios cometidos.
Entre os libertados também está o líder camponês Medardo Mairena, preso desde junho do ano passado e acusado de realizar um ataque numa aldeia em um ponto longínquo do país, mesmo que ele tenha apresentado evidências de que não esteve lá.
Ortega se comprometeu a soltar os outros 182 presos políticos até o próximo dia 18. Prisioneiros já libertados no começo do ano, porém, afirmam que continuam sendo fiscalizados e impedidos de trabalhar, além de serem obrigados a fornecer semanalmente suas localizações à polícia.
Mora foi solto, mas o canal 100% Notícias segue fora do ar. A tentativa de chegar a uma espécie de pacto com a sociedade, ou pelo menos de tirar a Nicarágua do foco dos noticiários de modo negativo, pode estar relacionada à crise econômica que o país enfrenta devido às reduções das ajudas enviadas pela Venezuela desde a gestão de Hugo Chávez (1999-2013).
Nesta mesma semana, o Banco Central da Nicarágua anunciou a queda de 73,4% das verbas oriundas do regime de Nicolás Maduro no ano passado em relação a 2017. A tendência para 2019 é de queda ainda maior.
Ortega é um dos principais aliados do ditador na região. A profunda crise na Venezuela, no entanto, fez com que a produção petrolífera no país, principal responsável pelo aporte à Nicarágua, caísse muito.

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