Distanciamento continua fundamental, mesmo com vacinação, diz Opas

Maioria dos países ainda não está pronta para a vacinação, e campanhas não devem ser apressadas. É hora de agir para distribuir as doses, diz a  Organização Pan-Americana da Saúde.

Publicado em 19/01/2021 às 16h05
As vacinas servem para estimular o sistema imunológico que passa a reconhecer agentes que causam doenças produzindo anticorpos
As vacinas servem para estimular o sistema imunológico que passa a reconhecer agentes que causam doenças produzindo anticorpos. Crédito: @jcomp/Freepik

No momento em que a vacinação começa nas Américas, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) alertou hoje (19) que ainda haverá um longo caminho até a imunização massiva e, enquanto isso não ocorrer, é fundamental manter as medidas de distanciamento social e de prevenção ao novo coronavírus.

Sete países das Américas já iniciaram seus programas de vacinação: Brasil, Canadá, Estados Unidos, México, Argentina, Chile e Costa Rica. Diante desse contexto, a diretora da Opas, Carissa Etienne, fez um chamado aos governantes da região para não “baixar a guarda” neste momento e salvar vidas.

“As vacinas vão ajudar a salvar vidas. Estamos cientes de que ainda não há doses para atingir o impacto da transmissão [do vírus] no curto prazo. As doses disponíveis são poucas. E esses fatores mostram a necessidade de intensificar as ações do sistema de saúde para limitar a exposição ao vírus. Distanciamento social, evitar aglomeração e lavagem das mãos são nossas melhores esperanças”, disse Carissa, em entrevista coletiva.

De acordo com Carissa, a situação de acesso limitado à vacina deve durar algumas semanas ou meses, mas, ao mesmo tempo em que países já estão começando, é importante manter todas as medidas de proteção. “Para este ano, vamos ter que manter medidas para limitar transmissão intensa”, completou o brasileiro Jarbas Barbosa, diretor assistente da Opas.

DISTRIBUIÇÃO 

As Américas têm cerca de 1 bilhão de pessoas que devem ser protegidas da pandemia. A estimativa é que a região receba, até o início de março, cerca de 20 milhões de doses de vacinas. Para abril, são esperadas mais 35 milhões e, para maio, mais 45 milhões. Todas as nações da região estão no consórcio Covax Facility, articulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A preocupação da Opas, assim como da OMS, é assegurar que a distribuição ocorra para todos os que querem ser vacinados e que se dê de forma equitativa entre as nações, não favorecendo as mais ricas, nem deixando de contemplar as menos desenvolvidas.

Carissa Etienne afirmou que o mecanismo Covax Facility é o caminho mais adequado para a compra de vacinas. Até o momento, o consórcio tem previsão de 2 bilhões de doses e continua negociando com as farmacêuticas que atuam no desenvolvimento de imunizantes, como Astrazeneca e Pfizer.

Diante do envio das vacinas, os representantes da Opas que participaram da entrevista coletiva ressaltaram a necessidade de os países se prepararem adequadamente, o que passa pela elaboração e pelo lançamento dos planos nacionais.

A Opas disponibilizou para os governos documentos para orientá-los na formulação e no monitoramento desses instrumentos. Entre os pontos, destacam-se a definição dos públicos prioritários, a organização da logística de armazenamento, distribuição e aplicação.

Até o momento, 18 países já compartilharam seus planos com a organização. Carissa Etienne ressaltou que ainda há dificuldades em algumas nações das Américas com a preparação para o início dos planos de imunização.

“A maioria dos países não está pronta para começar a vacinar. Os países não deveriam apressar campanhas: estar prontos é mais importante do que ser rápidos. É tempo de os países agirem para estar prontos para distribuir as doses e vacinar as pessoas”, afirmou a diretora da Opas.

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