Publicado em 28 de novembro de 2024 às 20:43
A catedral de Notre-Dame será reaberta nesta sexta-feira (29/11), quando o presidente da França, Emmanuel Macron, conduz uma visita televisionada pelo interior reformado da igreja. >
Cinco anos e meio após o incêndio de 2019, a joia gótica de Paris foi resgatada, renovada e restaurada — oferecendo aos visitantes o que promete ser uma experiência visual de tirar o fôlego.>
O presidente, acompanhado de sua esposa Brigitte e do arcebispo de Paris, Laurent Ulrich, dará início a um programa de cerimônias que culminará com a "entrada" oficial na catedral em 7 de dezembro e a primeira missa católica no dia seguinte.>
Após conhecer os destaques da restauração de 700 milhões de euros (R$ 4,4 bilhões) — incluindo as enormes vigas do telhado que substituem a estrutura medieval consumida pelo fogo —, Macron fará um discurso de agradecimento aos cerca de 1,3 mil profissionais que trabalharam na reforma. >
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O interior reformulado da Notre-Dame se mantém em sigilo, com poucas imagens que mostram o progresso das obras divulgadas ao longo dos anos.>
Mas pessoas que estiveram lá recentemente afirmam que a experiência é impressionante: a catedral foi transformada por uma nova clareza e luminosidade, que contrastam com a atmosfera sombria que predominava antes.>
"A palavra que melhor captará o dia será 'esplendor'", disse uma fonte do Palácio do Eliseu envolvida na restauração.>
"As pessoas vão redescobrir o esplendor da pedra talhada, [que tem] uma brancura imaculada como talvez não se veja na catedral há séculos.">
Na noite de 15 de abril de 2019, pessoas de todo o mundo assistiram às imagens ao vivo das chamas que se espalharam pelo telhado da catedral. No auge do incêndio, a agulha do século 19 desabou.>
A estrutura da catedral, que já era motivo de preocupação antes do incêndio, passava por uma reforma externa na época. Entre as teorias para a causa do fogo estão um cigarro deixado por um operário ou um curto-circuito.>
Cerca de 600 bombeiros lutaram contra as chamas por 15 horas.>
Os oito sinos da torre norte correram risco de cair, o que poderia derrubar a própria torre e, possivelmente, boa parte das paredes da catedral. No entanto, a estrutura foi salva.>
Houve muitos danos causados pela queda de madeira e alvenaria, além da água usada pelas mangueiras dos bombeiros.>
Felizmente, a lista do que foi preservado é muito maior — incluindo todos os vitrais, a maioria das estátuas e obras de arte, e a relíquia sagrada conhecida como a Coroa de Espinhos. O órgão — o segundo maior da França — foi muito afetado pela poeira e fumaça, mas reparável.>
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Os clérigos da catedral também celebraram alguns "miraculés" — sobreviventes milagrosos.>
Entre eles está a estátua do século 14 conhecida como a Virgem do Pilar, localizada no coro, que por pouco não foi esmagada por pedras que caíram.>
Além disso, 16 enormes estátuas de cobre dos Apóstolos e Evangelistas, que rodeavam a agulha, foram retiradas para restauração apenas quatro dias antes do incêndio.>
Após inspecionar a devastação no dia seguinte, Macron fez uma promessa que, na época, pareceu precipitada para muitos: reabrir a Notre-Dame para visitantes em até cinco anos.>
Um órgão público para gerir as obras foi criado por lei, e um apelo por doações teve resposta imediata. No total, foram arrecadados 846 milhões de euros (cerca de R$ 5,3 bilhões), em grande parte vindos de grandes patrocinadores, mas também de pequenos doadores.>
A responsabilidade pelo projeto foi atribuída a Jean-Louis Georgelin, um general do Exército conhecido por sua objetividade e que compartilhava a impaciência de Macron com comitês e o "establishment" do patrimônio histórico.>
"Eles estão acostumados a lidar com fragatas. Isso aqui é um porta-aviões", disse ele.>
Georgelin é reconhecido pelo sucesso indiscutível do projeto, mas morreu em um acidente em agosto de 2023 e foi substituído por Philippe Jost.>
Estima-se que cerca de 2 mil pedreiros, carpinteiros, restauradores, telhadistas, fundidores, especialistas em arte, escultores e engenheiros trabalharam no projeto.>
Muitos ofícios, como o de esculpir pedras, registraram um aumento significativo no número de aprendizes devido à visibilidade gerada.>
"[O projeto da Notre-Dame] tem sido equivalente a uma Exposição Universal, ao servir como vitrine para nosso artesanato. É uma janela internacional magnífica", disse Pascal Payen-Appenzeller, cuja associação promove habilidades tradicionais de construção.>
A primeira tarefa do projeto foi garantir a segurança do local e, em seguida, desmontar a enorme rede de andaimes de metal que antes cercavam a agulha, mas derreteram no incêndio e se fundiram à estrutura de pedra.>
Desde o início, foi preciso decidir o tipo de restauração: recriar fielmente a estrutura medieval e as alterações neogóticas do século 19 realizadas pelo arquiteto Eugène Viollet-le-Duc, ou aproveitar a oportunidade para marcar o edifício com uma estética moderna.>
Um concurso para novos designs gerou propostas inusitadas, incluindo um telhado de vidro, um "telhado verde" ecológico, uma chama gigante no lugar da agulha e uma agulha coroada por um laser vertical apontado para o céu.>
Diante da oposição de especialistas e do público, as ideias foram descartadas, e a reconstrução é essencialmente fiel ao original — embora com algumas concessões a materiais modernos e exigências de segurança. >
As vigas do telhado, por exemplo, agora contam com sprinklers [sistema de pequenos chuveiros hidráulicos ligados a um sistema de bombeamento de água] e divisórias de proteção.>
O único ponto de discordância é o desejo de Macron por um design moderno para os vitrais de seis capelas laterais. Artistas enviaram propostas para um concurso, mas enfrentam resistência no mundo das artes francesas.>
Macron tentou transformar a renovação da Notre-Dame em um tema e um símbolo.>
Ele se envolveu de perto no projeto, visitando a catedral diversas vezes.>
Em um momento em que sua popularidade política está em baixa histórica — após as eleições parlamentares em julho —, a reabertura oferece um impulso ao mandatário. >
Alguns acusaram o presidente de roubar os holofotes ao organizar a cerimônia de sexta-feira — oficialmente para marcar o fim das obras — uma semana antes da reabertura formal. Isso significa que as primeiras e aguardadas imagens do interior inevitavelmente também se concentrarão nele.>
Em resposta, autoridades do Palácio do Eliseu lembram que a catedral — como todos os edifícios religiosos franceses sob a lei de 1905 — pertence ao Estado, sendo a Igreja Católica apenas sua "usuária designada". Também destacam que, sem a rápida mobilização de Macron, as obras nunca teriam sido concluídas tão rápido.>
"Há cinco anos, todos achavam que a promessa do presidente seria difícil de cumprir", disse uma fonte do Eliseu.>
"Hoje temos a prova não apenas de que era possível, mas de que era, no fundo, o que todos desejavam.">
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