Publicado em 13 de junho de 2025 às 00:39
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que seu país iniciou ataques visando o programa de enriquecimento nuclear do Irã na madrugada de sexta-feira (13/06) em horário local (noite de quinta-feira, 12/06, no Brasil).>
Explosões foram ouvidas em Teerã, e a mídia estatal iraniana afirmou que o chefe da Guarda Revolucionária Iraniana, Hossein Salami, e Fereydoon Abbasi, ex-chefe da Organização de Energia Atômica, morreram nos ataques.>
O governo israelense declarou emergência em seu território e afirmou esperar retaliações.>
Horas antes, na quinta-feira, o conselho da agência global de vigilância nuclear declarou formalmente que o Irã violou obrigações de não proliferação pela primeira vez em 20 anos. >
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Dezenove dos 35 países que compõem o conselho da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) votaram a favor da moção, apresentada por Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha.>
A moção afirmou que as "muitas falhas" do Irã em fornecer à AIEA respostas completas sobre seu material e atividades nucleares não declarados "constituem descumprimento" das regras. >
Também expressou preocupação com o estoque iraniano de urânio enriquecido — que pode ser usado para produzir combustível para reatores, mas também para armas nucleares.>
O Irã classificou a resolução como "política" e afirmou que abriria uma nova instalação para enriquecimento de urânio. >
O Irã insiste que suas atividades nucleares são inteiramente pacíficas e que jamais buscará desenvolver ou adquirir armas nucleares.>
A BBC tentou responder a esta questão utilizando as fontes listadas abaixo, embora cada país possa ter uma capacidade significativa que é mantida em segredo.>
O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) compara o poder de fogo das forças armadas de ambas as nações, utilizando uma variedade de métodos oficiais e de código aberto para produzir as melhores estimativas possíveis.>
Outras organizações, como o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, também fazem avaliações, mas a precisão pode variar em países que muitas vezes não fornecem números.>
No entanto, Nicholas Marsh, do Instituto de Investigação para a Paz de Oslo (PRIO), afirma que o IISS é visto como uma referência para avaliar a força militar dos países em todo o mundo.>
O IISS afirma que Israel gasta mais no seu orçamento de Defesa do que o Irã, o que proporciona ao país uma força significativa em qualquer conflito potencial.>
O IISS diz que o orçamento de defesa do Irã foi de cerca de 7,4 bilhões de dólares em 2022 e 2023, enquanto o de Israel foi mais que o dobro disso, chegando a cerca de 19 bilhões de dólares. >
Os gastos de Israel com sua defesa, em comparação com o seu Produto Interno Bruto (uma medida da sua produção econômica), são também o dobro dos do Irã.>
Os números do IISS mostram que Israel tem 340 aeronaves militares prontas para o combate, o que lhe confere uma vantagem em ataques aéreos de precisão.>
Entre os jatos estão aviões F-15 com alcance de ataque de longa distância, F-35 – aviões “stealth” de alta tecnologia que podem escapar do radar – e helicópteros de ataque rápido.>
O IISS estima que o Irã tenha cerca de 320 aeronaves com capacidade de combate. Os jatos datam da década de 1960 e incluem F-4, F-5 e F-14 (este último é o avião que ficou famoso no filme Top Gun de 1986).>
Mas Nicholas Marsh, do PRIO, diz que não está claro quantos desses aviões antigos podem realmente voar, porque seria extremamente difícil obter peças de reparo.>
A espinha dorsal da defesa de Israel são os seus sistemas Domo de Ferro e 'Arrow' (Flecha).>
O engenheiro de mísseis Uzi Rubin é o fundador da Organização de Defesa de Mísseis de Israel no Ministério da Defesa do país.>
Agora pesquisador sênior do Instituto de Estratégia e Segurança de Jerusalém, ele disse à BBC como se sentiu “seguro” quando viu o Domo de Ferro e os aliados internacionais destruindo quase todos os mísseis e drones que o Irã disparou contra Israel no ano passado.>
"Me senti muito satisfeito e muito feliz... É muito especializado contra os seus alvos. É uma defesa antimísseis de curto alcance. Não há nada semelhante a isso em qualquer outro [sistema].">
Israel fica a mais de 2.100 km do Irã. Seus mísseis são a principal forma de atacar o país, disse Tim Ripley, editor do Defence Eye, à BBC.>
O programa de mísseis do Irã é considerado o maior e mais diversificado do Oriente Médio.>
Em 2022, o general Kenneth McKenzie, do Comando Central dos EUA, disse que o Irã tinha “mais de 3.000” mísseis balísticos.>
De acordo com o Projeto de Defesa contra Mísseis CSIS, Israel também exporta mísseis para vários países.>
O Irã realizou um extenso trabalho nos seus sistemas de mísseis e drones desde a guerra com o vizinho Iraque, de 1980 a 1988.>
Desenvolveu mísseis e drones de curto e longo alcance, muitos dos quais foram disparados contra Israel no ano passado.>
Analistas que estudam mísseis direcionados à Arábia Saudita pelos rebeldes houthi concluíram que foram fabricados no Irã.>
Tim Ripley, da Defense Eye, diz que é altamente improvável que Israel se aventure em uma guerra terrestre com o Irã: "A grande vantagem de Israel é o seu poder aéreo e as suas armas guiadas.">
Ripley diz que é mais provável que Israel mate autoridades e destrua instalações petrolíferas pelo ar.>
"'Punir' está no cerne disso... Os líderes militares e políticos israelenses usam essa palavra o tempo todo. Faz parte de sua filosofia que eles tenham que infligir dor para fazer seus oponentes pensarem duas vezes sobre sua oposição a Israel. ">
No passado, figuras militares e civis iranianas de alto perfil foram mortas em ataques aéreos, incluindo na destruição, em 1 de abril de 2024, de um edifício do consulado iraniano na capital síria, que desencadeou o ataque do Irã.>
Israel não assumiu a responsabilidade por isso ou por uma série de ataques contra autoridades iranianas proeminentes.>
Mas também não negou a responsabilidade.>
A envelhecida Marinha do Irã tem cerca de 220 navios, enquanto a de Israel tem cerca de 60, segundo relatórios do IISS.>
Israel tem mais a perder do que o Irã num ataque cibernético.>
O sistema de defesa do Irã é menos avançado tecnologicamente do que o de Israel, pelo que um ataque eletrônico às forças armadas de Israel poderia conseguir muito mais.>
A Direção Nacional Cibernética do governo israelense diz: “a intensidade dos ataques cibernéticos é maior do que nunca, pelo menos três vezes maior, e com ataques em todos os setores israelenses. A cooperação entre o Irã e o Hezbollah (a organização militante e política libanesa) aumentou durante a guerra.”>
O órgão relata que ocorreram 3.380 ataques cibernéticos entre os ataques de 7 de outubro e o final de 2023.>
O chefe da Organização de Defesa Civil do Irã, Brigadeiro-General Gholamreza Jalali, disse que o Irã frustrou quase 200 ataques cibernéticos no mês que antecedeu as recentes eleições parlamentares de 2024.>
Em dezembro, o Ministro do Petróleo do Irã, Javad Owji, disse que um ataque cibernético causou perturbações a nível nacional nos postos de gasolina.>
Presume-se que Israel possua as suas próprias armas nucleares, mas mantém uma política oficial de ambiguidade deliberada. O país não é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear não estando portanto sujeito às inspeções regulares da Agência Internacional de Energia Atômica. >
Não se acredita que o Irã tenha armas nucleares e, apesar das muitas acusações, o país nega que esteja tentando usar o seu programa nuclear civil para se tornar um Estado com armas nucleares.>
O Irã é um país muito maior do que Israel e a sua população (quase 89 milhões) é quase dez vezes superior à de Israel (quase 10 milhões).>
Também tem cerca de seis vezes mais soldados em serviço que Israel. Há 600 mil soldados em exercício no Irã, enquanto Israel tem 170 mil, diz o IISS.>
Embora Israel e o Irã não tenham travado uma guerra formal até a a publicação deste texto, ambos os países têm estado em conflito não oficial. >
Importantes figuras iranianas em outros países são mortas em ataques amplamente atribuídos a Israel, incluindo no Irã, enquanto o Irã tem como alvo Israel através dos seus representantes.>
Israel e o grupo militante Hezbollah travaram um conflito crescente por 13 meses, de 2023 a 2024, culminando em uma incursão terrestre no sul do Líbano em outubro de 2024. O Irã não nega apoiar o Hezbollah.>
O apoio do país ao Hamas em Gaza é semelhante. O Hamas organizou os ataques de 7 de outubro contra Israel e há décadas dispara foguetes da Faixa de Gaza contra territórios israelenses.>
Israel e as potências ocidentais acreditam que o Irã forneça armas, munições e treinamento ao Hamas.>
Os houthis no Iêmen são amplamente vistos como outro representante iraniano. A Arábia Saudita diz que os mísseis houthi disparados contra o país são fabricados no Irã.>
Reportagem adicional de Jeremy Bowen, Ahmen Khawaja, Carla Rosch, Reza Sabeti e Chris Partridge.>
Este texto foi originalmente publicado em 19 de abril de 2024 e republicado em 01 de outubro de 2024 com atualizações>
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