Publicado em 23 de outubro de 2025 às 17:32
A inteligência artificial (IA) em rápida ascensão, os carros autônomos e a energia verde estão se tornando o padrão em todo o mundo.>
As inovações avançam mais rapidamente do que nunca. Novas invenções e suas patentes surgem em países e cidades de todo o mundo, mas alguns lugares se destacam por trazerem mais progresso do que outros.>
O Índice de Inovação Global 2025 (GII, na sigla em inglês), publicado anualmente pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), classifica os principais países e polos de inovação, com base em diversos critérios.>
Eles incluem padrões de investimento, progresso tecnológico, índices de adoção das inovações e seu impacto socioeconômico global.>
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Coletivamente, os 100 principais polos inovadores — de São Francisco, nos Estados Unidos, até Shenzhen, na China — representam mais de 70% do capital de risco e das patentes globais.>
Conversamos com moradores dos cinco principais polos de inovação do mundo para descobrir como a tecnologia influencia sua vida diária e como os visitantes podem vivenciar suas ideias inovadoras — muitas vezes, antes que elas cheguem a outras partes do planeta.>
A China aparece no top 10 do Índice de Inovação Global pela primeira vez em 2025. Sua ascensão se deve ao aumento do número de patentes, investimento científico e capital de risco no país.>
A nação asiática abriga 24 dos 100 maiores polos de inovação do relatório e o centro tecnológico de Shenzhen-Hong Kong-Guangzhou, no sul da China, ocupa o primeiro lugar.>
Nesta região, a tecnologia é interligada à vida diária e a inovação está incorporada à cultura.>
Jamie River mora em Hong Kong há três anos.>
Ele conta que você pode visitar um mercado de rua e encontrar vendedores usando QR-codes para pagamento, ao lado de placas com preços manuscritos. E os proprietários de pequenas lojas gerenciam seus pedidos para delivery usando três aplicativos diferentes.>
"A união do novo com o antigo cria esta estranha energia", explica River. "Ninguém tem medo de testar as coisas.">
O cartão Octopus foi lançado em Hong Kong em 1997, originalmente como método de pagamento para o transporte público. Agora, é uma solução tecnológica diária de muitas pessoas, que pode ser usada para pagar de tudo, desde máquinas de venda automática até parquímetros.>
Para vivenciar a inovadora tecnologia de Hong Kong, River recomenda aos visitantes pegar a barca Star Ferry à noite e assistir à Sinfonia das Luzes. A apresentação sincroniza a trilha sonora com luzes, lasers e telas de LED em 43 edifícios.>
Para observar a integração criativa do novo e do antigo, a antiga delegacia de polícia PMQ, agora, abriga escritórios, lojas e cafeterias.>
"Você verá oficinas de impressão em 3D ao lado de estúdios de caligrafia tradicional", descreve ele.>
Sede de corporações globais da área de tecnologia, como a Huawei e a Tencent, a cidade de Shenzhen se transformou de aldeia de pescadores em força motriz do setor.>
A mudança foi intencional. Em 1980, o governo chinês escolheu a cidade para ser sua primeira Zona Econômica Especial, oferecendo isenções e incentivos fiscais para estimular a inovação.>
Seu status como centro de criatividade continuou a crescer depois que Shenzhen foi nomeada Cidade Criativa da Unesco em 2008. Ela recebeu investimentos que financiariam espaços de criação, como o Laboratório Aberto de Inovação de Shenzhen.>
"Esta estrutura de apoio permite rápido dimensionamento e experimentação", explica Leon Huang, que mora na cidade desde 2008.>
"Espaços de criação como o OCT Loft e a Sociedade de Design de Shekou são disponíveis para todos, oferecendo ferramentas avançadas a preços acessíveis, incluindo ambientes de realidade virtual.">
"A variedade de pessoas que frequenta esses espaços, incluindo hobbyistas, estudantes e professionais de empresas de tecnologia como a Huawei e a DJI, contribui para uma atmosfera verdadeiramente inclusiva", segundo Huang. >
Huang sugere que os visitantes assistam a um dos elaborados shows de drones que ocorrem na Baía do Parque de Talentos de Shenzhen ou durante eventos importantes, como o Festival da Primavera e o Dia Nacional da China.>
A cidade estabeleceu recentemente o recorde de maior show de drones do mundo, com cerca de 12 mil aparelhos.>
Em segundo lugar no ranking, o polo de inovação Tóquio-Yokohama produz o maior percentual de depósitos de patentes internacionais do mundo. Ele representa mais de 10% dos depósitos globais.>
Mas o que atrai os moradores é que a tecnologia e a inovação parecem algo prático, não chamativo.>
"No Japão, tecnologia não é uma louca imaginação de carros voadores, como todos nós acreditávamos que seria o ano de 2050", afirma Dana Yao. Ela conheceu seu marido em Tóquio e, agora, divide seu tempo entre o Japão e os Estados Unidos.>
Ela conta que, ali, a tecnologia está no cartão do trem que pode ser usado nos ônibus e nas máquinas de vendas automáticas, além dos sensores de IA das lojas de conveniência, que oferecem autoatendimento e pagamento sem dinheiro.>
"Você encontra essas inovações pequenas, mas poderosas, em toda parte", ela conta. "É alta tecnologia, mas ainda muito humana e realmente útil.">
Os visitantes podem vivenciar esse mundo tecnológico no Henn Na Hotel. Nele, o check-in é totalmente automatizado, alguns dos funcionários são robóticos e "camas inteligentes" ajustam a temperatura de sono ideal.>
Yao também recomenda viajar no trem autônomo da linha Yurikamome, na baía de Tóquio. "É totalmente automatizado e oferece vistas deslumbrantes da cidade e da Ponte do Arco-Íris", ela conta.>
E, para uma dose de encanto digital, o museu de arte interativo teamLab Planets oferece uma experiência de arte imersiva na tecnologia.>
"Salões inteiros reagem aos seus movimentos, luzes e sons", segundo Yao. "É simplesmente incrível.">
Conhecido mundialmente como Vale do Silício, o polo de inovação San José-São Francisco lidera o planeta em termos de capital de risco. Ele gera cerca de 7% de todos os negócios globais.>
O relatório GII também concluiu que o polo tem a maior concentração de atividade de inovação per capita do mundo.>
Esta densidade é que continua atraindo empreendedores e fundadores de start-ups, especialmente agora, com o aumento das oportunidades oferecidas pela IA.>
"Eu nunca quis morar em São Francisco até agora", conta o novo morador da cidade Ritesh Patel, fundador da empresa Ticket Fairy.>
"É como o boom ponto com original. Pessoas muito inteligentes estão se reunindo aqui e pessoas que saíram estão voltando." Por isso, as possibilidades de formação de redes estão em toda parte.>
"Você pode estar em um jantar conversando sobre os desafios que está enfrentando como fundador de uma start-up e, no minuto seguinte, alguém na mesa diz que pode ajudar", segundo Patel.>
"Eles enviam uma mensagem de texto e, de repente, você tem uma apresentação ou reunião com uma pessoa relevante com quem você nunca teria contato por e-mail ou pelas redes sociais. É alucinante!">
Para os visitantes em São Francisco e no Vale do Silício, a questão é experimentar a tecnologia antes que ela se torne algo comum.>
"Você encontra tecnologia de ponta que o resto do mundo só irá conhecer daqui a seis ou 12 meses", explica Patel.>
Serviços de compartilhamento de viagens, como Uber e Lyft, eram largamente utilizados por aqui, antes de se tornarem empresas globais. Agora, os carros autônomos Waymo detêm parcela de mercado significativa na região e podem ser usados por qualquer pessoa que instale seu aplicativo.>
No GII, a capital chinesa superou todas as demais cidades em termos de pesquisas científicas. Ela contribui com 4% dos estudos publicados em todo o mundo.>
Mas os moradores de Pequim afirmam que a verdadeira força da cidade é o seu equilíbrio entre a infraestrutura de alta tecnologia e suas profundas raízes culturais.>
"Outras 'cidades inteligentes', na verdade, se concentram no lado moderno, mas Pequim combina inovação, cultura e qualidade de vida, o que a torna, ao mesmo tempo, avançada, mas única", explica a futurista de IA Elle Farrell-Kingsley, que, atualmente, considera Pequim sua casa.>
Ela conta que o dia a dia da cidade é alimentado por superaplicativos como Alipay e WeChat. Ambos incluem opções de tradução, pagamentos por QR-code e delivery de alimentos.>
Farrell-Kingsley também afirma que a IA, particularmente o Deepseek e DouBao, estão embutidos nos serviços diários, o que facilita a tradução para os falantes de língua inglesa.>
A única frustração é sair para viajar e verificar que os serviços não são tão harmoniosos em outros lugares.>
"Tudo aqui funciona tão bem que quase esquecemos como esses serviços são integrados e inovadores, até sairmos em viagem", ela conta.>
"Raramente observo grandes incidentes com a tecnologia e, muitas vezes, fico frustrada ou impaciente ao visitar outros países onde esses serviços não funcionam com a mesma estabilidade.">
Os visitantes podem vivenciar pessoalmente a avançada IA da cidade reservando o robotáxi Apollo, da Baidu.>
"É uma experiência incrível e empolgante, especialmente porque ele não tem volante de direção!", elogia Farrell-Kingsley. "Você simplesmente entra e o carro sai andando sozinho, o que parece futurista e surpreendentemente seguro.">
Em quinto lugar entre os polos de inovação do GII, Seul representa 5,4% dos pedidos globais de patentes.>
A capital sul-coreana lidera em acordos de capital de risco na Ásia e ocupa o segundo lugar global, atrás apenas de São Francisco.>
Os moradores afirmam que o impulso da Coreia do Sul rumo à inovação vem da necessidade. Afinal, a quantidade de recursos naturais da pequena nação peninsular é limitada.>
"O país precisa competir com inovações e tecnologia", explica Chris Oberman. Ele mora em Seul desde 2024 e escreve sobre suas viagens no blog Moving Jack.>
"Os avós de muitas pessoas moravam na pobreza", ele conta. "Por isso, existe ainda essa enorme vontade e energia para crescer, melhorar, inovar e não ficar para trás.">
Grande parte da inovação e da tecnologia está incluída no dia a dia dos moradores.>
As casas normalmente têm portas que abrem com códigos digitais e os sistemas de pagamento sem dinheiro fazem com que você só precise levar seu celular quando sair de casa.>
"Chaves, cartões, minha carteira, dinheiro: posso deixar tudo em casa", segundo Oberman.>
Os visitantes podem conhecer a infraestrutura futurística da cidade caminhando pelo rio Cheongyecheon, uma área pública para pedestres, mas que também pode ser percorrida em ônibus elétricos autônomos.>
Em toda a cidade, lojas de conveniência sem caixas ficam abertas 24 horas por dia, sete dias por semana. Nelas, os clientes podem pegar seus produtos e pagar em máquinas inteligentes. Sistemas de IA acompanham o inventário e evitam roubos.>
Duas cidades latino-americanas foram incluídas entre os 100 maiores polos de inovação do mundo, segundo o Índice de Inovação Global 2025 da OMPI: São Paulo aparece em 49° lugar e a Cidade do México, pela primeira vez na lista das 100 primeiras, em 79°.>
Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Travel.>
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