Ruan Fialho é um capixaba que, como muitos outros brasileiros, deixaram o país em busca de segurança. Ele, junto à esposa, Renata Carvalho, e ao filho, à época com quatro anos de idade, escolheram como destino Christchurch, a terceira maior cidade da Nova Zelândia e palco para o atentado a duas mesquitas nesta sexta-feira (15), ainda quinta-feira a noite no fuso horário de Brasília. Uma das mesquitas atacadas, a "Masjid Al Noor", fica a apenas um quilômetro da casa do capixaba.
No momento do ataque, por volta das 13h40 (horário na Nova Zelândia), Ruan, que trabalha em uma empresa de pintura industrial, estava em um município a duas horas de distância da casa dele. Ao ver no noticiário o que estava acontecendo, acionou a esposa Renata, que estava na residência do casal, que foi aconselhada a ir buscar o filho na escola.
CARRO-BOMBA PRÓXIMO À CASA
"Eu não cheguei a avistar o ataque. Mas, segundo os jornais locais, havia um carro bomba nas proximidades de casa, perto do Hagley Park, maior parque da cidade, próximo à mesquita. Com o acontecido, tudo foi isolado e o trânsito foi desviado, ninguém poderia chegar perto. Minha esposa foi buscar nosso filho na escola e precisou aguardar três horas junto a outros pais, em sistema de confinamento ordenado pela polícia", contou.
De acordo com o capixaba, os aeroportos e escolas ficaram fechados. Por volta de 19h, a situação começou a ser normalizada. "Como a polícia conseguiu identificar quatro pessoas que praticaram o ato, consideraram que tudo estava sob controle. Cheguei a Christchurch às 18h e a cidade estava deserta, em um cenário muito estranho para uma quinta-feira. Apenas a região do centro, próxima à mesquita, estava engarrafada, já que o trânsito estava bloqueado. Até uma hora da manhã ainda havia helicópteros sobrevoando a cidade", descreveu.
DEIXOU O ES EM MEIO À GREVE DA PM
Ruan já vive em Christchurch há dois anos. O que o levou a se mudar de Cariacica, Região Metropolitana de Vitória, foi a necessidade de segurança, bem como a vontade de aprender inglês.
A greve da PM no Espírito Santo foi a última gota para mim. Meu filho tinha quatro anos e eu sabia que a Nova Zelândia estava entre os países mais seguros do mundo. Apesar do que ocorreu, eu acho que ainda é. Acho que o ocorrido foi um caso isolado provocado por um grupo de ideologia extremista, esta é a primeira vez desde que estou aqui que ouço algo parecido
A cidade onde o capixaba vive é considerada um lugar pacato e que lembra Vitória, uma ilha com cerca de 450 mil habitantes. "Já viajei quase o país inteiro trabalhando e esta é a parte que eu mais gosto, me sinto em casa morando aqui, é bem calmo", completou.
A TRAGÉDIA
No início da tarde de sexta-feira na Nova Zelândia (ainda quinta-feira no Brasil), disparos dentro de duas mesquitas, Masjid Al Noor e Linwood, ambas localizadas na cidade de Christchurch, deixaram 49 mortos e ao menos 48 feridos. O ataque foi transmitido ao vivo pelo atirador, Brenton Tarrant, de 28 anos, na internet. Após o atentado, o autor dos tiros publicou um manifesto cujo conteúdo é principalmente de repúdio à imigração.
Dentre os feridos que foram levados ao hospital, conforme noticiado pelos veículos de notícia neozelandeses, havia crianças.
A atuação da polícia local se deu de forma bastante ágil, auxiliada pela existência de dois departamentos policiais próximos aos locais dos ataques, sendo que um deles, segundo Ruan, fica a apenas um quilômetro de distância da mesquita central, onde 41 pessoas já tiveram óbito confirmado.
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