Publicado em 4 de setembro de 2025 às 11:32
Um brasileiro está entre os feridos do descarrilamento do Elevador da Glória, o famoso bondinho de Lisboa, em Portugal, que deixou ao menos 16 mortos na quarta-feira (3/9).>
A informação foi confirmada à BBC News Brasil pelo cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Warley Candeas.>
O consulado brasileiro não divulgou a identidade do brasileiro — e nem se ele é turista ou residente em Portugal. Ele foi atendido no Hospital Amadora-Sintra e já recebeu alta.>
Na noite de quarta-feira, o Itamaraty havia divulgado nota na qual afirmou não haver vítimas brasileiras no acidente.>
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"Esta é uma das maiores tragédias humanas da nossa história recente", disse o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, nesta quinta-feira (4/9).>
Ele afirma que, de acordo com as informações mais recentes, pode confirmar que 16 pessoas morreram e cinco estão em estado crítico nos hospitais.>
As autoridades de Lisboa haviam informado anteriormente um total de 17 mortes. >
A BBC apurou que houve um erro por parte da Proteção Civil de Lisboa, que informou que o número havia subido para 17.>
A diretora do Serviço confirmou à BBC que o número de mortos é 16. A imprensa local atribuiu o erro a um registro duplicado de uma vítima em um dos hospitais.>
Mais de 20 pessoas ficaram feridas. Segundo autoridades de Lisboa, cinco pessoas estão em estado grave. O jornal afirma que as pessoas feridas têm idades entre 24 e 65 anos — mas que há também uma criança de 3 anos, que teria tido ferimentos leves.>
O acidente aconteceu na quarta-feira por volta das 18h15 no horário local (14h15 no horário de Brasília).>
Testemunhas disseram que um cabo de segurança se rompeu. Foram abertas investigações pelas autoridades portuguesas e também pela empresa Carris, que administra o bonde.>
A agência de notícias portuguesa Lusa disse que os órgãos de investigação já concluíram as avaliações no local do acidente e publicarão os primeiros resultados na sexta-feira.>
O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, disse que se não fosse pelo trabalho dos socorristas, a tragédia poderia ter sido ainda maior.>
"Portugal é e sempre foi uma nação feita de coragem", disse Montenegro em pronunciamento ao lado do prefeito de Lisboa, Carlos Moedas. "Portugal está unido.">
O prefeito de Lisboa disse que ainda é cedo para divulgar informações, mas que a Carris — empresa que gere o funicular — foi solicitada a abrir duas investigações: uma interna e outra externa.>
Ainda não foram divulgados maiores detalhes sobre as 16 pessoas que morreram no acidente.>
A única vítima que teve sua identidade divulgada até agora foi André Marques, funcionário português da Carris que controlava o freio do veículo que se acidentou. A Carris disse que ele era um "profissional dedicado, gentil e feliz".>
"Nos seus 15 anos na Carris, desempenhou as suas funções com excelência", disse a empresa em comunicado.>
Uma família alemã de três pessoas estaria a bordo quando o bondinho bateu. A imprensa portuguesa afirma que o pai morreu no local, a mãe está em estado crítico no hospital e um menino de três anos sofreu ferimentos leves.>
A imprensa portuguesa também noticiou que um homem na casa dos 50 anos e uma mulher na casa dos 40 — ambos funcionários da Santa Casa da Misericórdia em Lisboa — morreram.>
Serviços de emergência disseram que entre os feridos estão sete homens e oito mulheres, com cidadãos portugueses e estrangeiros.>
As autoridades portuguesas disseram que havia 10 nacionalidades entre os feridos: quatro portugueses, dois alemães, dois espanhóis, um sul-coreano, um cabo-verdiano, um canadense, um italiano, um francês, um suíço e um marroquino.>
Posteriormente a BBC News Brasil confirmou que havia também um brasileiro entre os feridos — que já recebeu alta.>
O hospital de São José informou que uma mulher grávida estava entre os feridos, mas já recebeu alta. O governo da Espanha disse que dois espanhóis envolvidos no acidente também já receberam alta.>
A Câmara Municipal de Lisboa suspendeu outras três linhas na cidade enquanto são realizadas inspeções.>
A diretora do Serviço de Proteção Civil de Lisboa, Margarida Castro Martins, afirmou que as operações dos elevadores da Bica e do Lavra e do bondinho da Graça foram suspensas.>
O acidente ocorreu às 18h15 no horário local (14h15 em Brasília), perto da Avenida da Liberdade, uma das principais de Lisboa.>
Não está claro quantos dos mortos e feridos estavam no bondinho e quantos eram pedestres.>
Vários feridos precisaram ser resgatados das ferragens do bondinho acidentado.>
Uma mulher que testemunhou o acidente disse à emissora portuguesa SIC que o bonde bateu contra um edifício enquanto descia a rua íngreme "a toda velocidade".>
"Ele atingiu um prédio com força brutal e desabou como uma caixa de papelão. Não parecia ter freios", contou.>
Outra testemunha disse ao jornal português Observador que o veículo estava "descontrolado, sem freios".>
"Todos nós começamos a correr porque achamos que (o bonde) ia bater no que estava lá embaixo", disse Teresa d'Avó.>
"Mas ele caiu na curva e bateu em um prédio.">
O histórico Elevador da Glória, inaugurado em 1885, liga a região da Praça dos Restauradores, no coração da capital portuguesa, ao boêmio Bairro Alto. O percurso é de 275 metros e é feito em três minutos.>
Oficialmente chamado de "Ascensor da Glória", o bondinho leva 22 pessoas sentadas e 20 em pé e é um símbolo lisboeta.>
Atualmente, há dois veículos em operação, segundo a Carris, empresa municipal de transporte público de Lisboa.>
Assim como os outros elevadores da cidade, o bondinho é utilizado pela população local, mas também é extremamente popular entre os turistas — e, neste fim do verão na Europa, a capital portuguesa está recebendo muitos visitantes.>
Em maio de 2018, o Elevador da Glória já havia descarrilado, mas sem deixar vítimas.>
Em comunicado após o acidente, a Carris lamentou os acidentes e disse que "foram realizados e respeitados todos os protocolos de manutenção".>
Segundo a empresa, os programas de manutenção mensal, semanal e a inspeção diária têm sido cumpridos.>
"A Carris abriu de imediato um inquérito em conjunto com as Autoridades para apurar as reais causas deste acidente", encerra o comunicado.>
Pedro Bogas, presidente da Carris, emitiu uma declaração à imprensa: "Temos protocolos rigorosos, excelentes profissionais há muitos anos, e precisamos entender o que aconteceu.">
Com informações de Jacqueline Howard e Matt Spivey, de Londres, e Alice Cuddy, de Lisboa.>
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