Publicado em 9 de outubro de 2025 às 20:32
O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou na tarde desta quinta-feira (09/10) sua aposentadoria antecipada — ele teria cargo garantido até os 75 anos, ou seja, até 2033.>
Com a aposentadoria, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá fazer uma nova indicação.>
Em entrevista coletiva após o anúncio, Barroso disse acreditar que Lula já "suspeitava" de sua saída e que o presidente terá "mulheres competentes" e "homens competentes" para indicar.>
Em seu terceiro mandato como presidente, Lula já escolheu dois ministros do STF. >
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O primeiro foi seu ex-advogado Cristiano Zanin, que o defendeu na Operação Lava Jato — ele substituiu o ministro Ricardo Lewandowski e tomou posse em agosto de 2023.>
Flávio Dino foi o segundo. Ex-ministro da Justiça do petista, ele entrou na Corte em fevereiro de 2024 para a vaga aberta com a aposentadoria da ministra Rosa Weber.>
Mas como funciona a escolha de um ministro do STF?>
No Brasil, o STF é composto de 11 ministros. Os membros da Suprema Corte devem ser "brasileiros natos", ter mais de 35 anos e menos de 75 anos, além "de notável saber jurídico" e "reputação ilibada".>
Eles são nomeados pelo presidente da República. E não há mandatos: os ministros devem deixar o cargo quando completam 75 anos.>
Não há prazo definido para o presidente fazer esta escolha. A então presidenta Dilma Rousseff, por exemplo, levou quase um ano para indicar Edson Fachin para a vaga deixada por Joaquim Barbosa, em 2015. >
Após a indicação, o nome tem que de ser aprovado na Comissão de Constituição de Justiça do Senado e depois pelo plenário do Casa, onde precisará da maioria absoluta dos votos (41 dos 81 senadores), para ser empossado.>
O processo de escolha é, essencialmente, político e se espelha no da Constituição dos Estados Unidos, que estabeleceu os Três Poderes e o sistema chamado de freios e contrapesos.>
Nove juízes formam o Supremo daquele país; eles são escolhidos pelo presidente e por ele nomeados após aprovação do Senado, por maioria simples.>
Não há limites mínimos e máximos de idade, aposentadoria compulsória ou quaisquer requisitos de capacidade, exceto a cidadania americana.>
Os magistrados têm mandato vitalício ou podem decidir se aposentar.>
Assim como no Brasil, tal sistema, vez outra, desencadeia batalhas políticas sobre a sucessão de seus membros.>
Em teoria, o objetivo da escolha política é evitar que haja abuso de um poder sobre o outro, a partir da participação integrada dos poderes Executivo e do Legislativo — os que defendem tal processo alegam que ele é democrático, pois o presidente e senadores são eleitos diretamente pelo povo.>
O argumento de especialistas que criticam esse sistema é de que ele poderia levar a uma politização do Supremo. >
Melhorias, segundo eles, passariam pela criação de mandatos e de regras que ampliem as fontes de indicação de nomes, sem tanta concentração da decisão no presidente da República.>
Em sua tese de doutorado, o próprio ministro Alexandre Moraes, empossado em 2017, defendeu que pessoas com cargo de confiança na administração federal não deveriam ser nomeadas para a Corte.>
Apresentada na Faculdade de Direito da USP, em julho de 2000, a tese defende que fosse vedada a indicação dos que exercem cargos de confiança "durante o mandato do presidente da República em exercício" para que se evitasse "demonstração de gratidão política".>
A Cortes superiores são, no geral, as últimas instâncias de apelações de casos civis e criminais e julgam assuntos de grande importância pública.>
Na Alemanha, a Corte Constitucional é composta por 16 integrantes, divididos em dois conselhos de mesma hierarquia, com oito integrantes cada um.>
Eles são escolhidos por meio de eleição, para um mandato de 12 anos, sendo vedada a reeleição.>
Metade dos membros é indicada pelo Bundestag (Parlamento alemão) e a outra metade pelo Conselho Federal Bundesrat, por maioria de dois terços, em ambos os casos.>
Na Argentina, a Corte Suprema de Justiça da Nação Argentina é formada por cinco membros.>
O processo de escolha é semelhante ao brasileiro. Seus integrantes são indicados pelo presidente da República e aprovados pelo Senado, com maioria de pelo menos dois terços.>
Para ser indicado à corte, exige-se idade mínima de 30 anos, reputação ilibada e experiência como advogado por, no mínimo, oito anos.>
Além disso, os escolhidos devem refletir "as diversidades de gênero, especialidade e procedência regional no marco ideal de representação de um país federal". >
Na Espanha, doze membros integram o Tribunal Constitucional. Eles são nomeados mediante decreto real para um mandato de nove anos. >
Do total, são indicados quatro juízes pelo Congresso, quatro pelo Senado, dois pelo Governo e dois pelo Conselho Geral do Poder Judiciário.>
Só podem ser indicados cidadãos espanhóis membros da magistratura ou do Ministério Público, advogados, professores universitários ou funcionários públicos com mais de quinze anos de exercício profissional na área jurídica.>
Já o Supremo Francês, o "Conselho Constitucional", é composto por nove membros, escolhidos pelo Parlamento francês e pelo Poder Executivo, para um mandato de nove anos, vedada a reeleição. >
Além disso, os ex-presidentes da República integram a Corte como membros natos vitalícios. Dos nove membros não vitalícios, três são indicados pelo Presidente da República, três pelo Presidente da Assembleia Nacional e três pelo Presidente do Senado.>
No entanto, pela legislação francesa, um terço dos assentos na Corte tem que ser renovados a cada três anos. Não há requisitos de habilidades ou de idade.>
Em Portugal, o Tribunal Constitucional é formado por 13 juízes, sendo dez eleitos pela Assembleia da República (Parlamento português) e três escolhidos pelo próprio Tribunal, para um mandato de nove anos, vedada a recondução.>
Dos 13 membros, pelo menos seis têm que ser escolhidos dentre juízes de outros tribunais portugueses. O restante, juristas. >
Não há limites mínimos e máximos de idade ou aposentadoria compulsória.>
Com informações de Luís Barrucho em reportagem publicada em novembro 2023>
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