Publicado em 10 de janeiro de 2025 às 16:44
Nicolás Maduro antecipou em algumas horas sua cerimônia de posse para um terceiro mandato como presidente da Venezuela nesta sexta-feira (10/1), diante do plano da oposição de tomar posse no lugar do contestado mandatário.>
"Eles tentaram transformar a tomada de posse (...) em uma guerra mundial. Que eles invadam, que eles entrem, que eles saiam... Digam o que quiserem dizer, façam o que quiserem fazer, mas eles não conseguiram impedir essa inauguração constitucional venezuelana, e essa é uma grande vitória venezuelana", disse Maduro.>
Apesar das acusações de fraude da oposição e de governos internacionais, o líder inicia um terceiro mandato marcado por dúvidas sobre sua legitimidade.>
"Juro perante esta Constituição que cumprirei todos os seus mandatos, que cumprirei todas as obrigações da Constituição e das leis da República, e que este novo mandato presidencial será um período de paz, prosperidade, igualdade e nova democracia", afirmou Maduro ao assumir o cargo em sessão no emblemático Salão Elíptico.>
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"Juro pela história, juro pela minha vida", acrescentou ele, com a mão direita sobre a Constituição venezuelana, diante do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.>
Após prestar juramento de posse, Maduro fez um longo discurso no qual reivindicou a legitimidade de seu novo mandato presidencial.>
"O poder dos Estados Unidos, junto com seus escravos na América Latina, transformou a eleição venezuelana em uma eleição global. E nós vencemos", disse Maduro.>
O líder oficial brincou várias vezes sobre a possibilidade da chegada do candidato opositor Edmundo González Urrutia, que reivindica ser o verdadeiro vencedor das eleições de 28 julho.>
Ele está exilado na Espanha desde setembro e prometeu retornar à Venezuela e assumir o cargo.>
"Já chegou?", perguntou Maduro, em tom de brincadeira, em meio às risadas dos convidados do evento no Palácio Legislativo, em Caracas.>
O mandatário acusou "os governos fascistas de direita da América Latina" de serem "desequilibrados" e "espalharem ódio" por sua incapacidade de removê-lo do poder.>
"Eles não aprenderam com a experiência de Guaidó", disse ele, referindo-se ao político da oposição reconhecido em 2019 como presidente interino do país pelos Estados Unidos e pela maioria dos países da União Europeia e da América Latina.>
O líder chavista também teve como alvo o presidente argentino Javier Milei.>
"A extrema direita sionista liderada por um sádico social como Javier Milei, com a ajuda do império norte-americano, acreditava que poderia impor um presidente à Venezuela", disse Maduro.>
A posse de Maduro ocorreu apesar das alegações de fraude da oposição, que aponta a vitória de Edmundo Gonzálvez, reconhecido como presidente eleito por outros países.>
Nos últimos dias, o líder da oposição embarcou em uma viagem que o levou à Argentina, Estados Unidos, Panamá e República Dominicana para angariar apoio.>
A cerimônia de posse de Maduro começou antes da cerimônia de abertura no Palácio Legislativo Federal, sede do parlamento unicameral da Venezuela.>
A oposição afirma que González obteve quase 70% dos votos, de acordo com 80% dos registros de votação publicados pela aliança anti-Chávez.>
Sem mostrar os comprovantes eleitorais, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado pelo partido no poder, afirmou que o candidato à reeleição venceu com 52% dos votos.>
"Fiquei muito emocionado ao receber minha faixa presidencial", disse Maduro durante seu discurso, que foi feito cercado pelo alto comando militar venezuelano, os mais altos representantes dos poderes públicos – todos controlados pelo partido no poder –, seu gabinete e representantes internacionais.>
Os presidentes de Cuba e Nicarágua, Miguel Díaz Canel e Daniel Ortega, respectivamente, foram os únicos líderes da região que compareceram à posse, depois que a maioria dos governantes questionou os resultados eleitorais e a cerimônia de posse de Maduro.>
Representantes da Rússia, do Irã e da China também compareceram.>
A maioria dos líderes latino-americanos se recusou a comparecer, incluindo aliados do governo de Maduro, como o presidente colombiano Gustavo Petro e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT).>
Lula optou por não comparecer ao evento, após o governo brasileiro criticar o processo eleitoral venezuelano e se recusar a aceitar a vitória de Maduro sem que fossem apresentadas as atas de votação que atestam o resultado.>
O país decidiu, entretanto, enviar um representante à posse - a embaixadora em Caracas, Gilvânia Maria de Oliveira.>
O governo dos EUA também apoiou a oposição venezuelana. Após a captura e libertação de María Corina Machado no dia anterior, Donald Trump, que tomará posse em 20 de janeiro, referiu-se a Gonzalez como "presidente eleito" e disse que ambos os líderes oposicionistas deveriam permanecer "seguros e vivos".>
O atual governo Joe Biden impôs mais sanções à Venezuela nesta sexta-feira e aumentou a recompensa oferecida pela prisão de Maduro e outros líderes chavistas para US$ 25 milhões (R$ 152 milhões), segundo a agência Reuters.>
As novas autoridades sancionadas incluem o recém-nomeado chefe da empresa estatal petrolífera venezuelana PDVSA, Hector Obregón, o ministro dos Transportes da Venezuela, Ramon Velasquez, e autoridades policiais e militares.>
A medida coincidiu com sanções anunciadas pela Grã-Bretanha e pela União Europeia contra 15 autoridades venezuelanas, incluindo membros do Conselho Eleitoral Nacional e das forças de segurança. O Canadá também impôs novas sanções à Venezuela.>
Maduro e seus assessores sempre rejeitaram as sanções dos EUA e outros países, dizendo que são medidas ilegítimas que equivalem a uma "guerra econômica" destinada a prejudicar a Venezuela, lembrou a Reuters.>
Maduro foi empossado em meio a uma atmosfera tensa, um dia após a líder da oposição María Corina Machado ter sido presa e liberada minutos de participar de um protesto contra a posse de Maduro em todo o país.>
"O que eles fizerem amanhã marcará o fim do regime", disse Machado a uma multidão de milhares de apoiadores da oposição em Caracas na quinta-feira. "Estamos em uma nova fase.">
Mais tarde, foi relatado que a líder havia sido "violentamente" detida pelas forças de segurança do Estado e posteriormente liberada.>
Autoridades venezuelanas negaram a prisão e alegaram que as acusações da oposição faziam parte de uma "operação psicológica" que buscava gerar violência.>
Pelo menos vinte pessoas foram presas em 157 protestos em todos os Estados do país um dia antes da posse, informou o Observatório Venezuelano de Conflito Social (OVCS).>
O governo de Maduro lançou uma onda de prisões de líderes, ativistas e cidadãos comuns após protestos desencadeados pelo anúncio de sua vitória nas eleições de 28 de julho.>
Nos últimos cinco meses, mais de 2 mil pessoas foram presas, incluindo pelo menos 100 menores.>
Após a posse de Maduro, o governo ativou uma intensa mobilização de segurança envolvendo forças policiais e militares em todo o país, que montaram postos de controle nas ruas para impedir reuniões da oposição.>
Aos 1,2 mil agentes uniformizados que saíram às ruas juntaram-se funcionários da Direção de Ações Especiais de Contrainteligência Militar (DGCIM), que, juntamente com o Serviço Nacional de Inteligência Bolivariano (Sebin) e o Exército, está entre os órgãos acusados por instâncias como a Organização das Nações Unidas (ONU) de cometer crimes contra a humanidade, como tortura, desaparecimentos forçados e detenções arbitrárias.>
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