Publicado em 15 de dezembro de 2021 às 15:21
A polícia da Alemanha informou nesta quarta-feira (15) que descobriu uma conspiração de grupos antivacina para assassinar o primeiro-ministro do estado da Saxônia, no leste do país. O planejamento do crime acendeu um novo alerta às autoridades alemãs diante dos protestos cada vez mais violentos contra as restrições sanitárias e os planos de vacinação obrigatória. >
De acordo com a polícia, os militantes contrários à imunização se articularam em um grupo no aplicativo Telegram com mais de cem membros. As mensagens na plataforma indicam que os membros possuíam bestas e armas de fogo que poderiam ser utilizadas no assassinato do premiê Michael Kretschmer.>
A polícia estadual informou ainda que a investigação se concentrou em cinco membros principais do grupo no Telegram. Houve mandados de busca em vários endereços nas cidades de Dresden e Heidenau, onde, de acordo com as autoridades, "a suspeita inicial foi confirmada".>
Não ficou claro se algum dos investigados foi detido, mas o comunicado da polícia descreve as ações do grupo como "a preparação de atos violentos que ameaçam o Estado".>
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A Saxônia está entre os estados da Alemanha com as maiores taxas de infecção por coronavírus e com os menores índices de vacinação. A região também é reduto do partido da ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) --uma pesquisa do Instituto Forsa apontou que metade dos não vacinados votou na AfD nas últimas eleições.>
Nas últimas semanas, os protestos contra as restrições impostas aos não vacinados e contra a vacinação obrigatória para determinados grupos (a imunização será exigida dos profissionais da saúde a partir de 16 de março) têm se tornado mais violentos. Houve um aumento, por exemplo, das manifestações que envolvem algum tipo de ataque a médicos, políticos e jornalistas.>
O primeiro-ministro da Alemanha, Olaf Scholz, que assumiu o cargo na semana passada, fez um discurso duro no Parlamento nesta quarta e disse que seu governo não vai aceitar protestos violentos contra as medidas de prevenção.>
"Não toleraremos uma pequena minoria de extremistas desinibidos tentando impor sua vontade a toda a nossa sociedade", disse Scholz.>
Segundo a emissora alemã ARD, mais de uma dúzia de políticos, meios de comunicação e instituições públicas receberam pedaços de carne embrulhados e cartas com promessas de "resistência sangrenta" contra as medidas.>
Em setembro, um centro de vacinação na Saxônia foi alvo de um incêndio criminoso. No mês passado, um grupo de manifestantes se reuniu em frente à casa do ministro do Interior do mesmo estado portando tochas acesas, o que foi visto como uma ameaça pouco velada de violência. Ato semelhante ocorreu no início deste mês em frente à residência do ministro da Saúde.>
Para Scholz, "o que existe atualmente na Alemanha é a negação da realidade, as teorias de conspiração absurdas, a desinformação deliberada e o extremismo violento". Em resposta, o premiê prometeu utilizar "todos os recursos do Estado democrático de Direito".>
"Sejamos claros: uma pequena minoria em nosso país se afastou de nossa sociedade, de nossa democracia, de nossa comunidade e de nosso Estado, e não apenas da ciência, da racionalidade e da razão", afirmou o sucessor de Angela Merkel.>
A operação desta quarta foi o desdobramento de uma investigação iniciada a partir de uma reportagem da emissora pública ZDF. O veículo revelou o conteúdo das mensagens do grupo no Telegram, cujos membros se declaram "unidos por sua oposição à vacina, ao Estado e à política de saúde atual", segundo o Ministério Público.>
As mensagens de áudio no grupo antivacina defendiam a oposição às medidas em vigor, "com armas se necessário" e citavam líderes políticos, em particular o premiê Kretschmer. Em entrevista ao jornal Bild, um especialista em segurança do SPD, o partido de Scholz, divulgou um levantamento que aponta que ao menos 15 mil alemães estariam dispostos a recorrer à violência contra as medidas sanitárias.>
A Alemanha anunciou no último dia 2 um lockdown parcial no país, que enfrenta alta no número de casos de Covid-19 e registrou recordes de mortes diárias neste mês. As novas regras determinam que aqueles que não receberam as doses do imunizante serão impedidos de acessar quase todos os estabelecimentos, exceto supermercados e farmácias, locais considerados essenciais.>
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