Publicado em 25 de outubro de 2025 às 11:32
Era uma tranquila manhã de domingo, 19 de outubro, quando o impensável aconteceu.>
Um grupo de ladrões invadiu, em plena luz do dia, o museu mais visitado do mundo — o Louvre, em Paris, na França. >
Eles roubaram joias da realeza, de valor incalculável e grande importância histórica.>
Mas esta não foi a primeira vez que alguns dos tesouros mais significativos do mundo despareceram por falhas de segurança.>
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De um roubo cinematográfico na Cidade do México até um assalto meticulosamente planejado em um palácio na Alemanha, aqui estão alguns dos roubos mais audazes da história.>
Na noite de Natal de 1985, enquanto a maioria dos mexicanos passava as festividades com seus entes queridos, dois homens se arrastaram por um duto de ventilação para invadir o Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México.>
Eles roubaram mais de 100 artefatos pré-colombianos de valor incalculável, da cultura maia e zapoteca, incluindo a máscara mortuária de jade do rei maia Pakal, o Grande (603-683).>
O assalto deixou as autoridades desconcertadas. Inicialmente, elas estavam certas de que uma rede profissional de contrabandistas de arte deveria estar por trás do furto.>
Em 48 horas, as autoridades reforçaram a segurança em todo o país e monitoraram qualquer possível negociação nos mercados internacionais.>
"Eles roubaram um pedaço da nossa história, inegociável e de valor antropológico inestimável", declarou Felipe Solís, do Instituto Nacional de Antropologia do México.>
Naquele momento, ainda não se sabia que os autores intelectuais do crime eram os estudantes universitários Carlos Perches e Ramón Sardina, ambos de 21 anos de idade.>
Eles passaram mais de seis meses se preparando para o assalto, e visitaram o museu mais de 50 vezes, para estudar os sistemas de segurança do local.>
Apenas quatro anos depois, em junho de 1989, a polícia encontrou parte dos artefatos roubados, de posse de Perches. Ele tentou vender alguns a um narcotraficante de Acapulco, no México.>
Perches foi preso, mas seu cúmplice, Sardina, desapareceu e está foragido desde então.>
A maior parte dos artefatos foi devolvida ao museu. Eles foram exibidos em julho de 1989, em cerimônia dirigida pelo então presidente mexicano Carlos Salinas de Gortari.>
Como resultado, foram implementadas medidas de segurança mais rígidas e o número de guardas aumentou.>
Na madrugada de 18 de março de 1990, dois homens disfarçados de policiais de Boston, nos Estados Unidos, tocaram a campainha do Museu Isabella Stewart Gardner.>
Eles alegaram que respondiam a um chamado por perturbação da ordem e os jovens guardas do museu, desprevenidos, deixaram que eles entrassem. >
Em questão de minutos, a instituição se tornou uma cena de crime.>
Os guardas do museu foram amarrados e amordaçados no sótão. Os ladrões agiram com rapidez e levaram 13 obras-primas em apenas 81 minutos.>
Estima-se que tenham sido roubados US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões, pelo câmbio atual) em obras de arte. >
Elas incluíam pinturas de mestres europeus como Edgar Degas (1834-1917), Édouard Manet (1832-1883) e a única pintura marinha conhecida de Rembrandt (1606-1669), Tempestade no Mar da Galileia (1633).>
O caso permanece sem solução até hoje. >
A investigação sobre o assalto continua e o museu oferece US$ 10 milhões (cerca de R$ 53,9 milhões) por qualquer informação que leve à recuperação das obras de arte.>
Trata-se da maior recompensa já oferecida por uma instituição privada, segundo o site do museu. >
Molduras vazias permanecem nas paredes da galeria, como testemunhas silenciosas de um mistério que persiste até hoje.>
Na escura madrugada de 25 de novembro de 2019, foi anunciado um incêndio perto do castelo de Dresden, na Alemanha.>
Enquanto se acendiam as luzes de emergência e a eletricidade era cortada, algumas sombras se moviam com determinação.>
Em questão de minutos, um grupo de ladrões entrou por uma janela na histórica Abóbada Verde, que guardava o tesouro de Augusto, o Forte (1670-1733). >
O local abrigava centenas de joias e diamantes de valor incalculável.>
Os ladrões iniciaram o incêndio como distração com uma bomba improvisada. >
Em seguida, eles arrancaram as grades da janela com um alicate.>
O objetivo deles era levar 21 peças do tesouro real dos séculos 18 e 19. >
Entre elas, havia uma espada cerimonial, insígnias com diamantes, tiaras e botões, todos incrustados com 4,3 mil pedras preciosas.>
A quadrilha era de uma família mafiosa da capital alemã, Berlim. Eles executaram a operação em menos de 10 minutos.>
A fuga foi tão calculada quanto a entrada. >
Eles borrifaram o salão com um extintor de espuma para ocultar os rastros e fugiram em um carro Audi, que foi abandonado em um estacionamento e incendiado, antes que eles fugissem de volta para Berlim.>
Em 2023, cinco homens foram condenados a penas de quatro a seis anos de prisão. >
Algumas das joias, incluindo a espada com incrustações de diamantes, foram recuperadas intactas.>
Mas diversas peças permanecem desaparecidas, incluindo um raro diamante conhecido como a Pedra Branca da Saxônia, avaliado em US$ 12 milhões (cerca de R$ 64,7 milhões).>
A Abóbada Verde está aberta aos visitantes interessados em observar as peças recuperadas e o local do crime.>
Embaixo das ruas da capital iraniana, Teerã, atrás de portas de aço e sob a vigilância de guardas armados, fica o Tesouro das Joias Nacionais do Irã.>
A coleção foi reunida ao longo dos séculos, pelas dinastias iranianas Safávida (1501-1736), Afexárida (1736-1796), Cajar (1789-1925) e Pahlavi (1925-1979). >
Ela inclui algumas das pedras preciosas e enxovais reais mais valiosos do mundo.>
Mas a Revolução Iraniana de 1979 levou, em janeiro, à fuga do xá Reza Pahlavi (1919-1980) do país, após três meses de protestos cada vez mais violentos contra o regime que ele comandava.>
Por isso, surgiu o temor de que as joias se perdessem naquela caótica transição de poder, até a chegada do aiatolá Khomeini (1902-1989), em fevereiro daquele ano. >
Mas um inventário posterior confirmou que todo o tesouro permaneceu intacto no cofre.>
Ali, protegido por vidro à prova de balas, está guardado o Darya-ye Nur ("Mar de Luz"), um enorme diamante cor-de-rosa.>
Com cerca de 182 quilates, o Mar de Luz é um dos maiores diamantes cor-de-rosa lapidados conhecidos no mundo. Sua lenda remonta aos palácios mogóis da Índia e às salas de coroação dos reis da Pérsia.>
Também se encontra ali a coroa Pahlavi, que brilha com seus milhares de diamantes, pérolas e esmeraldas. Sua criação data de 1926, inspirada nas coroas do antigo império persa sassânida (224-651).>
O Tesouro das Joias Nacionais fica no Banco Central do Irã. O cofre funciona como museu e como pilar das finanças nacionais.>
Seus tesouros seculares passaram a ser propriedade do Estado em 1937. Desde então, eles ajudaram a proteger o valor da moeda iraniana, o rial.>
Como muitas das joias são únicas e insubstituíveis, especialistas afirmam que o valor real das Joias Nacionais do Irã é incalculável.>
O acesso do público ao cofre é possível, mas rigorosamente limitado. Os visitantes devem passar por medidas de segurança dentro do Banco Central do Irã e observar a coleção em uma visita guiada. O acesso a telefones, bolsos e câmeras é proibido.>
O assalto ocorrido em 19 de outubro de 2025 não foi o primeiro prejuízo importante sofrido pelo Museu do Louvre.>
Atualmente, a Mona Lisa é considerada a pintura mais famosa do mundo. >
Mas foi necessário um assalto, há mais de um século, para que a obra ganhasse o protagonismo que tem hoje.>
Na segunda-feira, 21 de agosto de 1911, o Louvre estava fechado quando Vincenzo Peruggia (1881-1925) conseguiu entrar no museu e sair com a obra-prima de Leonardo da Vinci (1452-1519). >
A preparação para o assalto foi mínima, mas causou grande repercussão.>
Quando o furto foi descoberto, a polícia iniciou uma investigação e o Louvre manteve as portas fechadas por uma semana.>
Mas a Mona Lisa ficou desaparecida por mais de dois anos. >
Conta-se que multidões visitaram o Louvre, só para ver o espaço vazio onde a pintura estava exposta.>
A obra foi recuperada no dia 10 de dezembro de 1913. >
Peruggia foi descoberto ao entregá-la ao antiquário Alfredo Geri, de Florença, na Itália.>
O roubo havia sido um trabalho interno: Peruggia era um trabalhador imigrante italiano, que instalou a porta de vidro que protegia a obra-prima.>
Ele vestia o mesmo uniforme branco usado pelos funcionários do museu e sabia como o quadro estava fixado à moldura.>
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