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Publicado em 14 de novembro de 2025 às 14:34
- Atualizado há 2 meses
O zumbido marcante – e absolutamente irritante – da Yamaha RD 50, a primeira motocicleta fabricada no Brasil, conviveu com os ainda iniciantes brasileiros no mundo das duas rodas por bom tempo. Para o bem e para o mal! A famigerada “Cinquentinha” foi lançada em 1974, dois anos antes de a Honda começar a produzir a CG 125, que transformaria o mercado brasileiro por completo, para sempre. >
A produção da RD 50 se deu na fábrica da empresa japonesa em Guarulhos, São Paulo, marcando o início da indústria de motos nacionalizada do Brasil. A “motinho” estreita e esguia da Yamaha era equipada com motor de dois tempos, de 50 centímetros cúbicos de cilindrada, ganhando imediatamente o apelido de “Cinquentinha”. >
A decisão da Yamaha em dar início à produção da RD50 no Brasil veio também devido a uma medida do governo, de aumentar bastante os impostos de importação de motocicletas. A RD 50 ficou em linha de 1974 até quase o final daquela década, vindo quatro anos depois da chegada oficial da Yamaha ao Brasil, inicialmente, comercializando modelos importados do Japão. >
Não se tem notícia de quantas “cinquentinhas” foram vendidas, mas não foram poucas, deixando sempre no ar uma pergunta entre os motociclistas: “Será que a Yamaha só sabe fazer moto de dois tempos?” Isso vinha por causa do inegável conforto que a CG 125 (de quatro tempos) trazia especialmente para os ouvidos do piloto e de todos a sua volta. >
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E não era só por isso: pelas características do propulsor da RD 50, o sujeito era obrigado a colocar um óleo lubrificante específico para motores de motocicletas misturado a gasolina em uma proporção de 50:1. Que gerava o tal zumbido insuportável mas um cheiro muito gostoso saído do cano de descarga. Para quem gostasse disso, naturalmente! >
Os segredos do sucesso da “Cinquentinha” eram consistentes. A começar pela simplicidade e pelo baixo custo de manutenção, explicados justamente pelo motor de dois tempos, que demandava componentes de fácil produção para baratear a moto para o consumidor final. Outro motivo é que, com a RD 50, a indústria de peças e componentes começou a produzir especificamente para o tipo de veículo recém-chegado ao mercado. >
E, apesar de ter sido superada com muita facilidade pela CG 125, a RD 50 deixou profundas marcas na história de duas rodas no Brasil, com o modelo sendo lembrado sempre com bastante carinho. A “Cinquentinha” foi substituída primeiro pela RD 75 e depois pela RX 80, que não tiveram o mesmo sucesso. Sucessora da YB 50 importada do Japão, a RD 50 tinha vantagens sobre sua “irmã” oriental. >
Entre os quais, a “Cinquentinha” tinha na construção de seu quadro aço igual aos utilizados nos modelos de maior cilindrada no lugar da estrutura estampada da YB 50, que ficava sujeita a torções. O modelo brasileiro tinha também mais potência, com 6,2 cavalos ante os 4,8 cavalos da moto japonesa, e câmbio de 5 marchas, enquanto a YB 50 tinha um de 4 velocidades. Outro ponto a favor da RD 50 é que ela podia ser conduzida por menores de idade. >
Com isso, a Yamaha apressou o início da produção da moto para poder expô-la ao público já no Salão do Automóvel de São Paulo de 1974, oferecendo ainda uma pista de test-ride para quem quisesse experimentar a novidade. O painel da “Cinquentinha” era simples, com apenas um instrumento: tendo um velocímetro circular com escala de 140 km/h – embora a moto não ultrapassasse os 80 km/h –, luzes-espia e a ignição. >
Conta-giros? Nem pensar! Com 49 cm³, o motor de dois tempos gerava 6,2 cavalos de potência a 9.500 rotações por minuto e 0,5 kgfm de torque a 8.500 giros, associado ao câmbio de 5 marchas sincronizadas e embreagem multidisco banhada a óleo. A partida do motor era por pedal. O propulsor não tinha comando de válvulas, tornando-o bastante simples e prático para funcionar e de ser mantido. >
A fumaça branca que saía do único cano de escapamento da RD 50 era resultante de parte do lubrificante misturado ao combustível e da queima na câmara de combustão. O motor monocilíndrico, refrigerado a ar, tinha sistema Autolube e ignição por volante de magneto, com filtro de ar úmido de fibras planas.>
Conforme dados daquela época, a RD 50 podia percorrer até 60 quilômetros com um litro de combustível, além de poder carregar 75 quilos de peso. A “Cinquentinha” era pequena e leve, com tanque longo e estreito e quadro tubular de berço duplo, um grande avanço, pois a maioria das motos de 50 cc tinha quadro de aço estampado. >
Os freios da RD 50 eram a tambor nas duas rodas, enquanto a suspensão tinha garfo telescópico na dianteira e amortecedores duplos na traseira. A RD 50 contava com rodas de 17 polegadas com raios simples e pneus 2.75, tanto na frente quanto atrás. >
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