Publicado em 23 de julho de 2025 às 07:00
- Atualizado há 6 meses
O Kicks foi lançado no Brasil em 2016, quando estreou como carro-oficial das Olimpíadas do Rio. Inicialmente importado do México, a partir de abril de 2017, o utilitário esportivo compacto começou a ser fabricado no Complexo Industrial Nissan de Resende, no Rio de Janeiro. >
Com o lançamento da segunda geração do Kicks, a primeira geração do SUV continuará sendo produzida na mesma fábrica. Desde fevereiro, passou a funcionar como “versão de entrada” do utilitário esportivo compacto e ganhou um novo sobrenome: Play. >
Em 2020, a própria Nissan já havia experimentado a fórmula de manter uma geração antiga como “inicial” de uma nova geração – com a renovação do sedã mexicano Versa, a geração mais antiga continuou a ser oferecida, renomeada como V-Drive (saindo de linha um ano depois). O Kicks Play tem três versões: Active Plus, Sense e Advance Plus – e a intermediária Sense, com preço de R$ 129.690, é a que melhor equilibra a oferta de equipamentos com o custo “contido” inerente à atual proposta mercadológica do modelo.
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O preço do Kicks Play parte de R$ 117.990 na opção de entrada Active Plus, passa pelos R$ 129.690 da configuração intermediária Sense e chega a R$ 148.090 na “top” Advance Plus. O novo Kicks, de segunda geração, está posicionado na faixa acima de R$ 160 mil. >
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Em relação ao Kicks ano-modelo 2024, o Kicks Play praticamente não traz novidades. Em todas as variantes, externamente, o sobrenome “Play” aparece identificado no lado esquerdo inferior da tampa do porta-malas, abaixo do nome “Kicks”. Os faróis seguem com iluminação halógena.>
As rodas de aço com pneus 205/60 R16 da Active Plus dão lugar às de liga leve de 17 polegadas com 205/55 R17 na Sense e na Advance Plus. Equipamentos de aviso e reação a perigos de colisão, que fazem parte do Nissan Safety Shield, são restritos à topo de linha Advance Plus. >
Nas três versões, o motor 1.6 16V do Kicks Play é o mesmo que movia o Kicks 2024, já adequado à nova legislação Proconve L8, e manteve os 113 cavalos de potência com etanol e 110 cavalos com gasolina. >
O motor permanece acoplado ao câmbio automático do tipo CVT, com 6 marchas simuladas e função “Sport”. A linha traz as opções de cores Branco Diamond, Prata Classic, Cinza Grafite, Preto Premium e Vermelho Malbec.>
O Kicks Play tem um bom nível de equipamentos. Todas as versões vêm de série com abertura e fechamento remoto das portas pela chave, ar-condicionado, banco do motorista com ajustes de altura, traseiro bipartido 60/40 rebatível e dianteiros com tecnologia Zero Gravity, volante de três raios com regulagem de altura e profundidade, airbags duplos frontais, laterais e de cortina, alarme perimétrico, alerta de cinto de segurança destravado, sistema de monitoramento de pressão dos pneus, sistema inteligente de partida em rampa, travamento central automático das portas e da tampa do compartimento de carga com o veículo em movimento, retrovisores externos na cor da carroceria com regulagem elétrica e indicador de direção em LED, comandos de áudio, celular e do piloto automático no volante e direção elétrica. >
Na configuração intermediária Sense, os bancos são revestidos com tecido preto, e o display “touchscreen” colorido de 7 polegadas do multimídia – com conectividade com Bluetooth, Apple CarPlay e Android Auto – mostra as imagens da câmera traseira. A versão intermediária também inclui rack de teto e antena barbatana, além de grade frontal e maçanetas externas na cor do veículo. >
Até abril de 2026, quando termina o próximo ano fiscal, a Nissan do Brasil afirma que serão produzidos três modelos na fábrica sul-fluminense: o Kicks Play, o Kicks de segunda geração e um terceiro utilitário esportivo, ainda não anunciado pela montadora – mas que deve compartilhar a plataforma do Renault Kardian. >
Os dois novos modelos, assim como a produção em Resende de um novo motor 1.5 turbo, integram o investimento de R$ 2,8 bilhões no Brasil. Com os novos produtos, o objetivo da marca japonesa é fazer do Complexo Industrial de Resende um polo exportador para a América Latina, incluindo o México – que deverá receber o SUV compacto inédito “made in Brazil”. >
Na versão Play Sense, como sempre foi em toda a linha Kicks, os bancos dianteiros com tecnologia “Gravidade Zero” continuam a ser um dos destaques – ajudam a reduzir as cargas na coluna vertebral ao simular a posição relaxada que o corpo humano assume em ambiente sem gravidade. >
O estilo do habitáculo preserva o aspecto jovial e despojado característico do SUV compacto da Nissan, mas o design já não disfarça mais a idade do projeto. O interior segue praticamente o mesmo desde 2016, quando desembarcou no Brasil, ainda importado do México. >
O acabamento adota uma lógica bem nipônica – usa materiais não tão requintados, porém capazes de manter o aspecto de novo por muito tempo. Os plásticos duros predominam, no entanto, com montagem correta e bom acabamento. >
O espaço interno sempre rendeu elogios ao Kicks e continua sendo um destaque no Kicks Play. O entre-eixos de 2,62 metros ainda é considerado generoso para um SUV compacto e proporciona espaço suficiente para as pernas do pessoal de trás. O banco traseiro acomoda bem dois adultos, mas um terceiro compromete o conforto. >
O multimídia com tela de 7 polegadas sensível ao toque tem comandos intuitivos, entretanto, já está defasado em relação aos oferecidos pela concorrência. Pena que o Kicks Play não incorpore a Visão 360 Graus que tantos fãs conquistou para o Kicks, nem mesmo na versão “top” Advance Plus. >
Certamente, o equipamento estará disponível no novo Kicks. Já o porta-malas de 432 litros permanece o mesmo – e supera os compartimentos de bagagens da maioria dos rivais da categoria. >
O Kicks Play é um carro que prima pela racionalidade, tanto no desempenho quanto no preço. Mas o motor flex 1.6 aspirado que move o Kicks desde o lançamento, há nove anos, revela os sinais da passagem do tempo. No Kicks Play, entrega 110 cavalos e 14,9 kgfm com gasolina e 113 cavalos e 15,2 kgfm com etanol – números que até convenciam em 2016, porém agora estão abaixo do restante do segmento.>
Apesar disso, o conjunto até oferece alguma agilidade no tráfego urbano, bastante por conta do baixo peso do Kicks Play – na versão Sense, pesa 1.122 quilos em ordem de marcha, próximo dos hatches compactos. Se, no uso urbano, o modelo até atende à demanda, na estrada, o torque e a potência limitados se tornam evidentes, principalmente com o veículo carregado e em ultrapassagens. >
O câmbio CVT até tenta driblar as limitações do motor ao elevar a rotação. E o botão “Sport” – discretamente instalado na parte frontal da manopla do câmbio – proporciona uma elevação dos giros nas trocas das marchas simuladas. Contudo, o efeito é mais perceptível nos ouvidos de quem está a bordo do que na performance dinâmica. >
Uma opção de acionamento manual de marchas simuladas seria um reforço nesse aspecto. Um turbocompressor daria – e, no Kicks de nova geração, certamente dará – mais esportividade ao SUV da Nissan. Em termos de consumo, o Inmetro aponta 7,8 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada com etanol e 11,3 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada com gasolina. >
Apesar da altura elevada em relação ao solo, o Kicks Play é um SUV equilibrado nas curvas. O acerto da suspensão é elogiável – privilegia o conforto dos ocupantes ao absorver com eficiência as imperfeições do asfalto, sem comprometer a estabilidade nos trechos sinuosos. >
A direção elétrica progressiva também é bem ajustada – suave nas manobras, ganha firmeza conforme a velocidade aumenta. Por ser aspirado, o motor 1.6 no Kicks sempre agradou ao público mais “conservador” (que teme a imagem de “problemáticos” antigamente atribuída aos turbinados) e ganhou fama de durabilidade e de baixa necessidade de manutenção – um “status” que provavelmente será “herdado” pelo Kicks Play. >
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