ASSINE

Preço ainda é o maior entrave para carros elétricos no Brasil

No Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio, celebrado nesta quinta-feira (16), a popularização de veículos menos poluentes ainda é algo que parece muito distante no Brasil

Publicado em 16/09/2021 às 17h47
 Preço ainda é o maior entrave para carros elétricos
Tecnologia recente e veículos importados, fazem com que carros elétricos ainda sejam muito caros e restritos a um público específico. Crédito: Michael Marais/Unsplash

No Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio, celebrado nesta quinta-feira (16), a popularização de veículos menos poluentes ainda é algo que parece muito distante no Brasil. Fala-se muito em adoção de carros elétricos, mas um dos fatores que ainda pesa e chega a ser um impeditivo para uma adoção de veículos movidos a eletricidade acaba sendo o valor, já que os preços partem de R$ 149.990, no caso do modelo JAC e-JS1, que deve ainda iniciar a sua comercialização no país em outubro.

Um dos motivos do alto custo dos carros elétricos, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Proprietários de Veículos Elétricos Inovadores (Abravei), Rogério Markiewicz, é justamente pela tecnologia ainda ser recente e também pelo fato de os veículos elétricos serem todos importados. “Com isso, o dólar alto impacta diretamente no preço deles, além do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) ser mais alto para carros elétricos do que a gasolina”, avalia.

Para Markiewicz, é preciso haver políticas públicas para que esse tipo de veículo se popularize. “Política pública não se resume apenas a baixar impostos, é também realizar ações, como em Brasília, que recentemente aprovou seu código de obras e todas as novas construções precisam ter vagas exclusivas para carregar carros elétricos. Outro exemplo é o de São Paulo, onde o carro elétrico é isento de rodízio. São ações sem custo para o contribuinte”, diz.

Outro entrave apontado para a popularização é a falta de infraestrutura de recarga nas rodovias. Apesar dos modelos mais novos terem uma autonomia maior de rodagem, fazer longos percursos, com mais de 400 km, pode implicar em ter que parar para abastecer. Isso requer um planejamento maior de quem tem um elétrico, já que há poucos pontos de recarregamento nas rodovias que cortam o país.

“O dono de carro elétrico sempre tem essa angústia quando pensa em viajar, porque a infraestrutura nas estradas ainda é pequena. Por outro lado, nos centros urbanos, isso é mais tranquilo. Por sermos uma entidade sem fins lucrativos, temos buscado sensibilizar o poder público, principalmente municipal”, conta.

ELÉTRICO OU HÍBRIDO?

 Preço ainda é o maior entrave para carros elétricos
Apesar de existir estrutura de recarga nas cidades, ainda falta uma infraestrutura em rodovias. Crédito: Frimufilms/Freepik

Para o vice-presidente da Abravei, Rodrigo de Almeida, se couber no bolso, o brasileiro optaria em ter um carro elétrico, principalmente na atual alta de preços dos combustíveis. “Todo o resto, os obstáculos que poderíamos elencar, são superáveis. Questão ambiental é importante para mim, para os pioneiros que optaram por esses veículos e para pessoas conscientes. Mas a massa de consumidor quer é preço e economizar na conta de combustível. Os veículos elétricos têm que ser uma opção viável para quem tem condições de comprar um carro novo. Carro novo, aliás, que está caríssimo no Brasil, seja qual for”, observa.

A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostra que a quantidade de veículos eletrificados no Brasil bateu recorde de vendas no primeiro semestre deste ano, com 13.899 emplacamentos e uma expectativa de fechar 2021 com mais de 30 mil eletrificados. Nessa soma estão contabilizados automóveis, comerciais leves híbridos, híbridos plug-in e elétricos 100% bateria. No entanto, essa quantidade representa apenas 1,4% dos veículos comercializados até julho.

HÍBRIDOS

Para o presidente do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado do Espírito Santo (Sindirepa), Eduardo Dalla Mura do Carmo, a previsão é que os carros híbridos comecem a tomar esse espaço até vir o carro totalmente elétrico, por causa da infraestrutura. “Para você ter um carro elétrico, é preciso ter duas coisas: posto de abastecimento e gente que repara. Nós ainda somos acanhados em relação a isso. Quem compra um carro elétrico, é uma pessoa com alta qualidade de vida e ativista”, avalia.

No entanto, o vice-presidente da Abravei acredita que o país tem potencial para adotar a produção de veículos 100% eletrificados. “Nós podemos ser, de fato, autossuficientes na geração de energia para todos os modais de transporte. Se tivermos uma visão de longo prazo, políticas governamentais que nos levem por esse caminho. Nosso petróleo não é adequado para o refino da gasolina e o etanol carrega os problemas da monocultura. Mas com relação ao clima, temos sol e vento em abundância e nem 10% da nossa geração elétrica vêm dessas fontes”, avalia Rodrigo de Almeida.

CAMADA DE OZÔNIO

 Preço ainda é o maior entrave para carros elétricos
Expectativa é fechar 2021 com mais de 30 mil carros elétricos no Brasil. Crédito: Chuttersnap/Unsplash

O Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio foi criada em 1994, alguns anos após a realização do Protocolo Montreal, que aconteceu em 16 de setembro de 1987. O evento tratou sobre o compromisso dos países que assinaram o documento em substituir as substâncias que eram responsáveis pela destruição da camada de ozônio, responsável por filtrar a radiação ultravioleta do sol, que é nociva para todo o tipo de vida na Terra.

A intenção da Assembleia Geral das Nações Unidas em estabelecer a data foi promover a conscientização sobre a importância da camada de ozônio e formas para evitar a sua destruição. Sendo que um dos elementos mais prejudiciais ainda são os gases poluentes, principalmente causados pela emissão de combustíveis fósseis, como a gasolina e o diesel.

A advogada ambiental Glaucia Savin conta que está em seu terceiro carro elétrico e acredita que a existência desse tipo de veículo elétrico é importante para a redução de partículas poluidoras. No entanto, ela também concorda que é necessário que os preços se reduzam para que aconteça essa adoção.

Por outro lado, Glaucia Savin afirma que é preciso sensibilizar o poder público, principalmente com relação ao transporte público. “É preciso substituir veículos movidos a diesel, pois eles são poluentes e isso é questão de saúde pública. Em uma cidade como São Paulo, por exemplo, os ônibus representam apenas 5% da frota e 50% das partículas poluidoras são deles”, ressalta.

5 CARROS ELÉTRICOS MAIS “BARATOS” NO BRASIL

  1. A Gazeta - g9jbd0xcmlv
    01

    JAC E-JS1

    Preço: R$ 149.990

  2. A Gazeta - g9eruyk
    02

    JAC iEV20

    Preço: R$ 159.900

  3. A Gazeta - 3se7peh5qd
    03

    JAC iEV40

    Preço: R$189.900

  4. A Gazeta - qfawtvkyo
    04

    Renault Zoe

    Preço: R$ 204.990

  5. A Gazeta - pdvkuazpvg
    05

    JAC E-JS4

    Preço: R$ 249.900

A Gazeta integra o

Saiba mais
gasolina poluição Diesel Carro Elétrico Combustível Motor Híbrido Motor Elétrico

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.