Vitória, como a maioria das regiões metropolitanas, convive com o problema de mobilidade. Com um agravante: a ilha é passagem obrigatória na ligação de Vila Velha com Serra, municípios mais populosos que a Capital.
Felizmente, vemos anunciadas importantes medidas visando desafogar o trânsito, como seis faixas na Terceira Ponte, aquaviário, ligação direta da Reta da Penha com a ponte (medidas que defendi neste jornal), além das seis faixas na Avenida Leitão da Silva e novas ciclovias.
Soma-se a isso o progressivo aumento do uso de outros modais, como bicicleta, patinete e scooter, cada vez mais presentes na cidade, além das novidades que virão pela frente.
Mas o fator mais relevante - e revolucionário - consiste na rápida mudança dos hábitos da sociedade com os avanços da tecnologia. Hoje, via internet, podemos fazer compras, transações bancárias e dispor de uma gama de serviços sem sair de casa, o que significa menos deslocamentos pelo sistema viário.
No entanto, neste cenário promissor, duas obras imprescindíveis para completar este conjunto de melhorias na mobilidade ficaram de fora.
Uma delas é a ampliação da rótula da Reta da Penha com a Av. Rio Branco, para evitar os insuportáveis engarrafamentos diários no principal eixo viário da cidade; um transtorno também na ligação Santa Lúcia/Praia do Canto. Há espaço suficiente. A obra é simples, superficial e possibilitará um aumento de quase 70% na capacidade de tráfego daquela rótula.
A outra é a ciclovia da Praia do Canto, obra que possibilitará a interligação cicloviária com Santa Lúcia e Av. Leitão da Silva, e que trará um grande estímulo ao uso da bicicleta.
Apresentei às autoridades (Sedec e Semobi) estudo viário conjugando tanto a ampliação desta rótula como a ligação cicloviária Praia do Canta/Santa Lúcia. Com a vantagem de ser uma ligação direta e segura para o ciclista, sem sujeitá-lo a várias travessias semaforizadas e a trechos em calçadas.
A ciclovia da Av. Vitoria, no canteiro central, mostra que a prefeitura, neste caso, optou por um projeto mais elaborado: a ciclovia foi ajustada às circunstâncias do canteiro, com preservação das árvores (como nas ciclovias de São Paulo).
É isso que tenho defendido para a ciclovia da Av. Rio Branco, onde o canteiro é muito mais largo e a obra bem mais simples. A audiência pública da ciclovia mostrou os graves problemas que adviriam do estreitamento daquela importante avenida.
Ainda bem que prevaleceu o bom senso e a prefeitura declinou daquele projeto.