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Ondas de tsunami ou ressaca? A diferença entre fenômenos na Rússia e no Rio

Ondas de tsunami ou ressaca? A diferença entre fenômenos na Rússia e no Rio

Especialista explica por que os dois eventos, registrados nesta semana, apesar de parecerem semelhantes à primeira vista, têm origens, riscos e impactos distintos

Publicado em 1 de agosto de 2025 às 15:02

Tsunami atinge Rússia ao mesmo tempo que ressaca, com ondas fortes, atinge o litoral sudeste.
Tsunami atingiu Rússia, ao mesmo tempo que ressaca, com ondas fortes, foi registrado no litoral da Região Sudeste do Brasil Crédito: Reuters e Felix Averbug/Ato Press/Folhapress

Na última terça-feira (29), um terremoto de magnitude 8,8 ocorrido ao largo da península de Kamchatka, na Rússia, provocou um tsunami que atingiu a costa leste do país, com ondas que chegaram a cinco metros de altura. O alerta se espalhou por todo o Pacífico, alcançando o Japão, Havaí e outras regiões. No mesmo período, o litoral do Rio de Janeiro enfrentava uma forte ressaca marítima. Ondas de até 3,5 metros avançaram sobre calçadões, invadiram ruas e atingiram quiosques.

Embora ambos os eventos envolvam grandes ondas e ocorram no oceano, suas causas são distintas. “Um tsunami resulta do deslocamento súbito de grandes massas de água, geralmente provocado por terremotos submarinos. Já a ressaca é causada por ventos fortes e tempestades em alto-mar, comuns em regiões como o Atlântico Sul”, explica Luiza Leonardi Bricalli, doutora em Geologia e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Luiza aponta que, apesar de as ondas da ressaca parecerem mais altas e impactantes visualmente, com cristas bem definidas, sua energia é limitada quando comparada à de um tsunami. “As ondas de ressaca se formam na superfície. Já as de tsunami são longas e quase imperceptíveis em alto-mar, mas liberam grande quantidade de energia ao atingir a costa”, detalha.

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Ondas de tsunami ou ressaca? A diferença entre fenômenos na Rússia e no Rio

Diferente do tsunami, que foi ocasionado por um terremoto, a ressaca no Rio ocorreu devido a um ciclone extratropical que se formou entre o último domingo (27) e segunda-feira (28) na costa do Rio Grande do Sul, ocasionando ventos intensos e criando ondas que atingiram o litoral com força.

Veja abaixo a comparação dos fenômenos do RJ e da Rússia: 

Impactos e riscos crescentes

Ressaca na praia do Leme (RJ), com ondas fortes e altas e muito vento. Poucos banhistas e turistas se arriscam a entrar no mar, nesta quarta feira (30).
Ressaca na praia do Leme (RJ), com ondas fortes e altas e muito vento Crédito: Felix Averbug/Ato Press/Folhapress

Os dois fenômenos provocam impactos geológicos e ambientais relevantes, como erosão costeira, recuo da linha de praia, alterações nas dunas e falésias, além de riscos de deslizamentos. No caso das ressacas, Bricalli destaca que o aumento de sua frequência está ligado às mudanças climáticas.

As mudanças climáticas não causam diretamente a ressaca, mas amplificam as condições que favorecem sua ocorrência, tornando o fenômeno mais frequente e intenso, como o que tem ocorrido no no litoral brasileiro.

Luiza Leonardi Bricalli

Doutora em Geologia e professora da Ufes

Tsunamis, por sua vez, ainda não podem ser previstos com precisão. Já as ressacas contam com sistemas de alerta, cuja eficácia varia conforme a região, a comunicação com a população e a infraestrutura local. “Ainda há muito a ser feito em educação preventiva, acesso à informação e adaptação das zonas costeiras”, afirma a especialista.

Por fim, a professora da Ufes alerta para a necessidade de medidas estruturais e educativas: “É fundamental investir no mapeamento de áreas de risco, em planejamento urbano costeiro e em educação ambiental voltada à população”.

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