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Governo lança edital para projetos de reparação da tragédia de Mariana

Vão ser disponibilizados R$ 450 milhões e a ideia é que as ações propostas ajudem a fortalecer a organização social e a recuperação dos modos de vida nos territórios atingidos pela tragédia

Publicado em 26 de Maio de 2026 às 15:32

Redação de A Gazeta

Publicado em 

26 mai 2026 às 15:32

O governo federal lançou, na última sexta-feira (22), um edital e um chamamento público para integrar ações de reparação das regiões atingidas, no Espírito Santo e em Minas Gerais, pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). Foram disponibilizados R$ 450 milhões do Novo Acordo do Rio Doce para que a própria comunidade proponha projetos a fim de fortalecer a organização social e a recuperação dos modos de vida nos territórios após a tragédia


Conforme informações da Secretaria-Geral da Presidência da República, a previsão é destinar R$ 225 milhões para projetos estruturantes com foco em desenvolvimento territorial e R$ 225 milhões para projetos capilarizados com foco no fortalecimento direto das comunidades atingidas. As iniciativas passaram pela análise do Conselho Federal de Participação Social da Bacia do Rio Doce e Litoral Norte Capixaba, que deliberou quanto aos critérios de priorização dos projetos.


O edital, cujo prazo de envio de propostas segue até 22 de junho, é realizado em parceria com o Banco do Brasil e a Fundação Banco do Brasil (FBB). Já o chamamento público é feito em colaboração com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) e a submissão das propostas será contínua até 30 de dezembro de 2026. 

Linhares - Rio Doce, em Regência, poluído pela lama da barragem da mineradora Samarco
Foz do Rio Doce poluída pela lama que veio da barragem da mineradora da Samarco no final de 2015 Fernando Madeira

Os projetos capilarizados vão ser selecionados por meio de edital. O foco dessa iniciativa é voltado para ações comunitárias diretas com valores de R$ 50 mil a R$ 400 mil, por proposta. Os projetos estruturantes, por sua vez, serão escolhidos por chamamento público e preveem 

propostas de desenvolvimento variando entre R$ 5 milhões e R$ 23 milhões e que atuem como vetores de desenvolvimento regional, articulando as iniciativas menores em redes mais robustas.


As ações dos projetos capilarizados estão organizadas em cinco linhas prioritárias:

  • Economia Popular e Solidária: foco na geração de renda e fomento à agricultura familiar e pesca; 
  • Reabilitação Territorial e dos Modos de Vida: abrange educação, cultura, lazer e fortalecimento de vínculos sociais;
  • Resiliência Comunitária e Transição Climática: traz possibilidades de projetos nas áreas de  recuperação de recursos naturais e de tecnologias sociais de acesso à água potável;
  • Autonomia dos Povos e Comunidades Tradicionais: voltada para indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais;
  • Igualdade e Não-Discriminação: para projetos que vão priorizar, por exemplo, direitos das mulheres e de grupos vulnerabilizados.

Os projetos capilarizados poderão ser apresentados por organizações da sociedade civil sem fins lucrativos e coletivos informais – estes com apoio de instituições parceiras que tenham ao menos dois anos de experiência na defesa dos direitos das pessoas atingidas e estejam localizadas em algum dos 49 municípios listados no Novo Acordo.

Um diferencial importante desse lançamento é a diversidade na gestão. Pelo menos 50% das organizações apoiadas devem ser coordenadas por mulheres, além de haver cotas específicas de 5% para jovens e 5% para povos e comunidades tradicionais.


Confira os prazos do edital:


Data limite para o recebimento de propostas: 22 de junho

Previsão da divulgação do resultado parcial: 13 de julho 

Apresentação de recursos: De 13 a 16 de julho

Publicação do resultado final: 31 de julho

Previsão da formalização: 7 de agosto


Já os projetos estruturantes vão atuar em dois eixos principais: fortalecimento institucional, para aprimorar a gestão e a governança das organizações sociais, e estruturação de serviços e empreendimentos produtivos coletivos, a fim de ampliar a capacidade de comercialização e a integração das cadeias produtivas regionais.


Dessa categoria poderão participar, até 30 de dezembro, também organizações da sociedade civil e coletivos informais, desde que participem como organizações apoiadas em conjunto com entidades executoras, que serão organizações da sociedade civil sem fins lucrativos, de maior porte e experiência na gestão de grandes projetos.

Novo Acordo do Rio Doce

O Novo Acordo do Rio Doce é um instrumento jurídico firmado entre o governo federal, os estados do Espírito Santo e de Minas Gerais e as empresas responsáveis pela barragem de Fundão. O acordo repactua as ações de reparação que vinham sendo executadas desde 2016 e que não asseguraram, à época, a reparação integral dos danos. 


O valor global é de R$ 170 bilhões, sendo R$ 100 bilhões destinados aos poderes públicos – dos quais R$ 49,1 bilhões à União –, R$ 32 bilhões em indenizações individuais e obrigações de fazer, e R$ 38 bilhões já executados anteriormente.


O rompimento da estrutura, no subdistrito de Bento Rodrigues, a 35 km do centro de Mariana, no dia 5 de novembro de 2015, desencadeou o maior desastre envolvendo barragens de rejeitos de mineração no país. O colapso da estrutura da Samarco Mineração S/A, que tem como acionistas a Vale e a BHP Billiton, resultou na morte de 19 pessoas, deixou três desaparecidas e despejou cerca de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos no meio ambiente, contaminando a Bacia do Rio Doce até chegar ao mar, no litoral capixaba. 

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