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ES vai liberar R$ 50 milhões para cidades evitarem desastres ambientais

ES vai liberar R$ 50 milhões para cidades evitarem desastres ambientais

Obras de drenagem, contenção de encostas e de margens de canais, além de desassoreamento e derrocagem de cursos hídricos, são alguns exemplos de construções que podem ser contempladas por plano estadual

João Barbosa

Repórter / [email protected]

Publicado em 18 de agosto de 2025 às 16:21

Menina de oito anos visitava o avô quando casa foi soterrada em Mimoso do Sul
Projeto é voltado para ações de prevenção e respostas a situações como a das fortes chuvas que atingiram Mimoso do Sul em março de 2024 Crédito: Luiz Gonçalves/TV Gazeta Sul

Voltado para a implementação de ações de prevenção e respostas a desastres ambientais em todos os municípios capixabas, o governo do Estado lançou, nesta segunda-feira (18), o programa Espírito Santo Sem Desastres. A ideia é que as gestões das próprias cidades enviem estudos para obras em áreas de risco para receber parcelas de um fundo de R$ 50 milhões para execução dos projetos.

Segundo o governo estadual, obras de drenagem, contenção de encostas e de margens de canais, além de drenagem urbana, de desassoreamento e derrocagem de cursos hídricos e de canalização de rios e córregos, são alguns exemplos de construções que podem ser contempladas.

Os três principais focos da política são para ações em épocas de estiagem e escassez hídrica; incêndios em vegetação e períodos de chuvas intensas.

Ações do plano Espírito Santo Sem Desastres

Programa Estadual de Segurança Hídrica e de Enfrentamento a Estiagens e Secas: vai planejar e executar medidas estruturais e projetos para enfrentar o período mais seco do ano, quando ocorrem baixíssimos índices de precipitação que provocam, periodicamente, indisponibilidade hídrica.

PREVINES — Programa Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais: busca reduzir outro impacto gerado pelo período de estiagem, que é o aumento dos incêndios em vegetação. Além de robustecer as ações dos órgãos na prevenção e fiscalização, deflagra uma operação voltada para organizar e disponibilizar equipes exclusivas para o combate a incêndios em vegetação durante o período crítico.

Programa Estadual de Preparação e Resposta a Desastres: planejado para enfrentar o período de chuvas mais fortes, buscando o fortalecimento da preparação e incremento da capacidade de resposta a desastres no Estado do Espírito Santo, considerando diferentes esferas de atuação: governo estadual e órgãos estaduais, órgãos municipais e sociedade civil.

Desastres estão em alta

chuva 2013 - Pancas - Em uma rodovia de acesso ao município de Pancas, uma ponte foi arrancada pelas fortes chuvas dos últimos dias
Em uma rodovia de acesso ao município de Pancas, uma ponte foi arrancada pelas chuvas que devastaram o Estado em 2013 Crédito: Carlos Alberto Silva

Estudos apresentados pelo Executivo capixaba mostram que, no Brasil, o número de desastres naturais tem aumentado. De 1991 a 2010 foram 27.527 registros e, no período de 2010 a 2024, foram 41.791 casos. Nos dois períodos, o Espírito Santo teve 774 e 1.224, respectivamente.

Para a prevenção de eventos futuros, segundo o coronel Benício Ferrari, coordenador estadual da Defesa Civil, as diretrizes do novo programa se baseiam na integração das forças de segurança; na proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade; na ampliação do uso de tecnologias de monitoramento e no fortalecimento da capacidade técnica e operacional dos municípios.

“A ideia é que esse seja um plano permanente para um Estado que já está bem estruturado, mas que pode e deve melhorar a articulação dos órgãos para oferecer ao cidadão uma resposta ainda melhor durante um fenômeno meteorológico extremo”, diz Ferrari.

Ainda segundo o coordenador da Defesa Civil, as propostas, que neste ano devem ser enviadas pelas prefeituras até 31 de outubro, serão classificadas conforme os objetivos apontados e com a quantidade de pessoas que podem ser beneficiadas e protegidas pelas obras.

De acordo com o governador Renato Casagrande (PSB), a nova política se integra a projetos como o Fundo Cidades, um mecanismo de apoio financeiro aos municípios para investimentos. No contexto dos programas, o chefe do Executivo deixou um alerta aos prefeitos capixabas: “só obras não resolvem os problemas, também é preciso pensar em soluções baseadas na natureza. É um trabalho que precisa estar alinhado aos investimentos [dos programas estaduais] e isso significa proteção do solo, das florestas e da água”, destaca Casagrande.

O governador ainda detalha que o Estado já tem um mapeamento das cidades mais vulneráveis a desastres naturais, critério determinante para o repasse dos valores.

“Temos essa classificação por meio do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e uma parceria com o Serviço Geológico do Brasil”, explica Casagrande.

A parceria citada pelo governador é uma das ações para ampliar a capacidade de monitoramento e mapeamento das áreas de risco em solo capixaba.

“O Executivo e o Serviço Geológico do Brasil (SGB) assinaram um acordo de cooperação técnica que viabiliza a implantação do SGB em Vitória, com a disponibilização de equipe especializada para suporte técnico-operacional, a promoção de capacitações e ações de divulgação das geociências, o fortalecimento da comunicação institucional e a ampliação da cooperação em atividades de monitoramento, prevenção e mitigação de riscos e desastres geológicos”, detalha conteúdo divulgado pelo governo do Estado em seu site.

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