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Publicado em 31 de outubro de 2025 às 14:54
Uma nova espécie de bromélia foi descoberta por pesquisadores do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), no município de Nova Venécia, Noroeste do Espírito Santo. A planta, batizada de Stigmatodon Vinosus e chamada popularmente de dama-escarlate, foi encontrada em um inselberg, formação rochosa isolada que atua como refúgio de biodiversidade única. >
A expedição foi liderada pelos pesquisadores Vitor Manhães e Dayvid Couto, do INMA, em colaboração com Elton Leme, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A coleta realizada integrou o projeto “Inventário da flora vascular rupícola em inselbergs negligenciados no Espírito Santo”, voltado ao estudo da flora de afloramentos rochosos isolados que não estão em áreas de conservação. >
Essa descoberta, no entanto, veio acompanhada de um alerta: essa espécie de bromélia já foi classificada como criticamente em perigo de extinção. >
Durante o processo de floração, observou-se características da bromélia que a distinguiram das demais espécies do gênero Stigmatodon, como o grande porte e a coloração vinho das brácteas florais e das sépalas, o que norteou o nome científico “Vinosus”, uma referência à tonalidade mais avermelhada.>
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Devido à coloração e ao aspecto da planta, com folhas que formam um vestido e a inflorescência, onde surgem as flores, com formato de espartilho, os pesquisadores sugeriram o nome popular “dama-escarlate”.>
Durante o processo da pesquisa, a espécie foi classificada em uma das categorias de extinção mais severas. Por ocorrer em apenas um ponto geográfico conhecido, a espécie foi classificada como Criticamente em Perigo (CR), segundo os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).>
Segundo o pesquisador Vitor Manhães, o problema é agravado, principalmente, pela ocorrência restrita a um único local. “Essa espécie foi localizada fora de unidades de conservação, situada em uma área de intensa extração de pedras ornamentais. Isso significa que qualquer alteração no uso do solo, mineração ou incêndio, pode resultar na extinção imediata da espécie”, alerta Vitor. >
Como o inselbergue onde Stigmatodon vinosus foi encontrado fora de unidade de conservação, em um local que sofre crescente pressão de atividades humanas próximas, a equipe de pesquisadores está realizando as primeiras expedições para identificar as espécies presentes no local. >
"Através do monitoramento, das pesquisas e dos inventários, especialmente das espécies ameaçadas, buscamos gerar informações que sirvam de base para políticas públicas de conservação voltadas à proteção dessas plantas.”, destaca Vitor Manhães.>
O projeto ainda está em andamento, mas ações já estão sendo pensadas para preservar esses ambientes de grande importância biológica. >
* Alice Trindade é aluna do 28º Curso de Residência em Jornalismo. Este conteúdo teve orientação e edição de Mikaella Campos >
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