Rafael Ximenes Miranda e Wallace Millis*
As ideias de startups e inovação estão revolucionando o mundo dos negócios e criando novas relações de trabalho. Em essência, a força da automação e compartilhamento de ativos reconfiguram mercados, destroem velhas estruturas e recriam novas.
Mas isso parece futurismo ou algo fora da realidade do estudante e do empresário local. São novas formas de criar riqueza e desenvolver mercados que ficam distantes do nosso cotidiano.
Até que um dia, em sala de aula, observamos a movimentação de um grupo de alunos prospectando negócios, participando de feiras e diferentes formas de aprendizagem tecnológica. Essa experiência pode nos ajudar a compreender um mundo em transformação.
Com seu poder criativo, estruturaram um aglomerado de pequenas empresas de bases tecnológicas no entorno do segmento de saúde oftalmológica, que vão do varejo de lentes de contato a negócios de inteligência de dados.
Uma grande empresa de serviços médico-hospitalares acelerou o desenvolvimento e a integração dessas unidades de negócios, incorporando outros projetos empresariais, de e-commerce e marketing digital a inteligência artificial.
Além da velocidade e adaptabilidade, a característica mais marcante dessas unidades de negócios é o foco na geração de valor para o cliente e toda cadeia produtiva, enquanto o empresário tradicional tem seu olhar mais restrito ao fluxo de caixa.
Com o desenvolvimento dos negócios, a aprendizagem tecnológica não foi deixada na universidade, ao contrário, foi intensificada no mercado. Então, o aglomerado de pequenas empresas tornou-se uma organização de aprendizagem intensiva em conhecimento.
Esses jovens criam novos negócios sem esperar por uma carteira de trabalho assinada. E, por essa via, ensinam aos mais velhos que a construção de reputação é uma questão superior ao resultado financeiro de curto prazo.
Com o propósito de geração de valor definido, o desafio agora é fazer a integração em rede com os laboratórios de Pesquisa & Desenvolvimento das grandes indústrias. Assim, todos ganham: os pequenos, a escala de mercado. E os grandes, a oportunidade de se reinventarem.
*Os autores são, respectivamente, executivo e professor da UVV