Vitória está na frente de grandes centros como Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre no ranking de densidade de startups, o modelo de negócios que se tornou um emblema do século XXI, principalmente no ecossistema tecnológico.
As 199 startups capixabas colocam a Capital no nono lugar dessa lista da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), que relaciona o número dessas empresas emergentes atuando no município com a população local. É possível, portanto, dimensionar o impacto que podem exercer na economia.
Pela sua própria natureza, as startups encaixam-se no perfil mais contemporâneo do empreendedorismo. E como o ambiente de negócios ainda mantém certa hostilidade, não se pode dizer que entre essas empresas embrionárias exista mais estímulo. Mas é sempre pertinente destacar que uma startup se difere de um estabelecimento comum por se apresentar como um projeto com potencial econômico incerto, justamente pelo seu caráter inovador.
A incerteza deixa de ser um empecilho e se torna uma oportunidade de negócios. Uma startup bem estruturada é aquela que está preparada para se reinventar, caso não se torne uma empresa lucrativa num primeiro momento. Tentativa e erro se sucedem, sem derrotismo.
É um desafio para o país propiciar as condições para que esse tipo de iniciativa, cada vez mais atraente aos mais jovens, torne-se recorrente e consolide um mercado. Em meio ao desemprego que persiste, é importante que novas ideias tenham espaço para florescer. É fundamental até mesmo para a criação de uma nova cultura de trabalho, mais focada na própria capacidade de criar soluções para as demandas cotidianas.
O incentivo às startups liberta a economia de amarras arcaicas, e para isso depende de uma legislação que acompanhe a modernização que está na essência dessas empresas. Ainda falta segurança jurídica para potenciais investidores no Brasil. O Ministério da Economia está trabalhando na criação de um marco legal para o setor, com foco principalmente na redução de regulação e na limitação de tributação para esse tipo de empreendimento.
No âmbito das reformas ainda necessárias, é importante que um setor tão promissor esteja recebendo atenção. Não só governo federal como Estados e municípios precisam estar abertos à inovação, criando espaços e incentivando a formação profissional qualificada. Já faz tempo que esse deixou de ser um assunto para o futuro.