Publicado em 1 de junho de 2025 às 07:21
São inúmeras as séries, filmes e desenhos animados que retratam cenários futurísticos com várias tecnologias e ideias exageradas de como seria a "casa do futuro". Mesmo que a ideia de manter robôs domésticos e itens voadores ainda seja distante para a maioria das pessoas, as inovações não param de chegar e, agora, aparelhos automatizados ativados por voz ou controles são, não apenas a realidade como também uma tendência. >
De acordo com um estudo da Mordor Intelligence, empresa do ramo de análise e consultoria industrial, o mercado mundial de casas inteligentes, como são chamados os lares que possuem autonomia para executar certos comandos; está crescendo a uma taxa de 25,3% ao ano, com previsão de que o setor movimentará US$ 370,95 bilhões (mais de R$ 2,1 trilhões) até 2029.>
O principal diferencial dessas moradias é a alta conectividade e tecnologia, onde dispositivos comunicam entre si e também com o morador, proporcionando o conforto de comandos como acender ou apagar luzes em horários pré-definidos, abrir ou fechar cortinas automaticamente e até fechar janelas em dias de chuva. >
"É possível abrir o portão à distância, ligar o ar-condicionado, controlar o sistema de som e muito mais, tudo com poucos toques no smartphone, ou por comando de voz, trazendo conforto e qualidade de vida para quem faz o uso desse sistema. Em situações de emergência, como alagamentos, tentativas de invasão ou vazamentos de gás, a casa é capaz de avisar o morador por e-mail, mensagem ou até mesmo por um alerta direto no celular", conta Marcela Coutinho, arquiteta na Qi House, empresa que trabalha com a automação de residências. >
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Isso, inclusive, é o que diferencia a casa inteligente de uma casa conectada: enquanto a conectada precisa de intervenção direta do usuário para executar as ações, a inteligente tem sistemas que são ou previamente configurados de acordo com as preferências e necessidades do morador ou que podem ser controlados de forma remota, por meio de aplicativos. >
Iluminação, cortinas, fechaduras, ar-condicionado, alarme de gás, sonorização, piscina, rede e aparelhos de segurança, como as câmeras, são alguns dos elementos que podem ser automatizados. "Em geral, tudo que vai na rede elétrica da casa consegue ser integrado com a automação", afirma Jefferson Hubner, sócio-administrador da Intercine Home, empresa capixaba prestadora desses serviços. >
Além de proporcionar um ambiente com conforto e praticidade, a automação também traz vantagens no fim do mês. Os aparelhos atuais contam com sistemas de regulagem que permitem também o monitoramento do consumo de energia em tempo real, o que traz um alívio na conta de luz. >
"Usando a luz como exemplo, em um cenário tradicional, ou ela está acesa ou apagada. Quando você faz a automação desse item, existe a possibilidade de fazer a dimerização da luz, ou seja, de controlar a intensidade dela, diminuindo durante o dia e aumentando apenas na ausência de luminosidade. Com isso, além do conforto, você tem também uma economia considerável", destaca Jefferson. >
O empresário também afirma que a compra de itens automatizados também está mais em conta, visto que muitos produtos começaram a ser fabricados no Brasil. "Quando a automação chegou no país, os aparelhos eram todos importados, com preço do dólar. Hoje, você tem equipamentos nacionais com a mesma qualidade e a mesma robustez que os equipamentos americanos e com custo em real", completa. >
E justamente por essa facilidade, mais brasileiros estão interessados em conectarem suas casas. Uma pesquisa do QuintoAndar, em parceria com o Datafolha, revelou o desejo por soluções tecnológicas integradas à sustentabilidade, conforto e segurança – com itens como sistemas de câmera de segurança (59%), fechadura eletrônica (45%) e sistema de luz controlada por aplicativo (42%) ganhando cada vez mais espaço nos desejos de consumo da população.>
“A casa inteligente não é mais um sonho distante, mas uma realidade que redefine nosso dia a dia. Além de oferecer conveniência e segurança, é também uma oportunidade para repensar formas de reduzir o nosso impacto ambiental, melhorando assim a qualidade de vida das famílias”, destaca Marcel Serafim, diretor executivo da Elgin.>
Para quem tem interesse em automatizar a casa, a arquiteta Marcela afirma que é essencial investir num projeto de cabeamento. "O cliente vem com o projeto, e é função do arquiteto fazer um projeto de automação em cima do que o cliente quer, levando em conta tudo que pode ser automatizado na casa para, a partir daí, fazer o projeto de tubulação e cabeamento. Assim, caso ele queira fazer automação de outro item depois, o cabo já está passado e não será necessário mexer na infraestrutura da obra de novo", aconselha.>
E quem mora de aluguel também pode aproveitar para automatizar a residência. Hoje, já existem dispositivos que o morador pode levar consigo ao sair da casa ou apartamento, sem prejuízos nem percas. "Temos equipamentos que podem ser levados de um lugar ao outro e instalados sem retirar, cortar ou quebrar nada da casa", diz Jefferson. >
Vale destacar também que apostar na automação é apostar também no aumento da valorização do imóvel. Segundo o portal E-Investidor, do jornal Estadão, especialistas do setor imobiliário apontam que imóveis com tecnologia embarcada são mais atrativos para compradores, podendo ter uma valorização de até 10% no mercado na hora de comprar, vender ou alugar.>
Aqueles que ainda estão receosos sobre as novas tecnologias e sua segurança podem ficar despreocupados, pois Jefferson Hubner, sócio-administrador da Intercine Home, garante que a invasão dos aparelhos automatizados é praticamente impossível. >
"Cada equipamento vem com um software próprio, de protocolo fechado, diferentemente da internet, que é aberta; o que impede de alguém com maus interesses invadir. Por exemplo, se eu e meus vizinhos temos casas automatizadas com os mesmos aparelhos, não há risco de um desregular o aparelho do outro, pois cada um conta com esse sistema individual", finaliza. >
A conexão com a internet também não é necessária para manter nem a segurança, nem a eficácia dos equipamentos. Sem o acesso, apenas os acessos remotos são impedidos, já que não há como regular o aparelho a distância sem essa conexão.>
"A internet é necessária para fazer o acesso fora da casa ou entrar em aplicativos de música e streaming, mas os interruptores ou keypads ainda podem ser usados de forma manual pelo morador", diz Marcela.>
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