Publicado em 8 de setembro de 2025 às 02:58
- Atualizado há 5 meses
Quarenta e cinco minutos. Este é o tempo aproximado que se leva para ir de uma ponta a outra da capital capixaba, de carro, considerando o percurso da Rodoviária de Vitória até o limite do bairro Jardim Camburi. O tempo pode surpreender e, além disso, revela um dado geográfico: Vitória é uma das menores capitais do Brasil em extensão territorial.>
Com apenas 93,3 km², a cidade tem um território reduzido se comparada a outras capitais brasileiras - Belo Horizonte, por exemplo, possui mais de 330 km². Além disso, em Vitória, boa parte da área é ocupada por morros, maciços, manguezais e áreas de proteção ambiental, o que diminui ainda mais o espaço disponível para moradia e expansão urbana.
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É A ÁREA TOTAL DE VITÓRIA
Assim, a cidade chega aos 474 anos em uma encruzilhada. Se no passado, aterros e obras de infraestrutura abriram caminho para o crescimento urbano, agora a equação passa pela verticalização, pela revisão do Plano Diretor Urbano (PDU) e pela revitalização de áreas estratégicas, como o Centro.>
O presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), Alexandre Schubert, acredita que Vitória chegou ao limite do crescimento horizontal.
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Alexandre Schubert
Presidente da Ademi-ESSchubert também defende uma revisão profunda das regras urbanísticas da capital. Segundo ele, sem flexibilizar afastamentos, índices de aproveitamento e zoneamento, os preços dos imóveis continuarão inacessíveis para a classe média, que já sofre para financiar a casa própria.>
"Vitória tem um potencial imenso, mas precisa ser revisado por meio de transformações profundas no PDU. O crescimento da cidade só é viável quando ela tornar a olhar para si mesma e rever as determinações de afastamento entre edifícios, índices de aproveitamento e também outros fatores que são entraves para a verticalização", pontua.
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Embora existam esses gargalos, alguns bairros oferecem potencial de expansão. O diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Espírito Santo (Sinduscon-ES) Eduardo Borges destaca áreas como Santa Lúcia, Bento Ferreira, Monte Belo, Praia do Suá e os entornos da Reta da Penha e da avenida Leitão da Silva como regiões que podem receber novos empreendimentos. >
Ele descarta, no entanto, planos de urbanização em regiões como a Costa Oeste da Ilha. "Não há como o mercado imobiliário fazer uma Operação Urbana Consorciada (OUC) na Costa Oeste da Ilha de Vitória. Pelo menos nos próximos 15 anos não será possível, até mesmo porque a região tem muitos problemas fundiários e, pra começar, a OUC tem como pré-requisito ser local de interesse do mercado imobiliário", explica. >
Para Borges, além de definir regras claras no Plano Diretor, o município precisa enfrentar outros entraves históricos, como os terrenos de marinha. O diretor também conta que a boa administração do poder público sobre a questão é essencial para que a população possa ter acesso aos empreendimentos. >
“Vitória tem tido elevações de preço muito altas e, para o investidor de imóveis é bom, só que isso traz complicações para a classe média. O único ente que consegue melhorar essa equação é o poder público, por meio do PDU e outras iniciativas. Para que o desenvolvimento imobiliário aconteça e haja mais oferta de lançamentos e, com isso, os preços não subam tanto”, avalia. >
Para o broker owner da Re/Max Häuser, Renato Avelar, bairros como Jardim da Penha e Bento Ferreira são vistos como polos de valorização. >
Renato Avelar
Broker owner da Re/Max HäuserPara complementar, na avaliação de Flávio Dantas, diretor da rede Netimóveis, bairros como Praia do Canto, Mata da Praia e Enseada do Suá lideraram essa valorização nos últimos anos, mas sofrem justamente com a escassez de terrenos. >
“A pouca oferta de novos espaços para edificações verticais influencia diretamente no valor do metro quadrado dos imóveis. A alternativa que algumas construtoras estão fazendo no momento é comprar prédios antigos, efetuar a demolição e lançar novos empreendimentos modernos nessas regiões com tecnologia de ponta, acabamentos de luxo, espaços de lazer, dentre outras benfeitorias que as edificações antigas não proporcionam”, completa.>
Dantas também acredita que nem a nova faixa do Minha Casa, Minha Vida, anunciada em abril pelo governo federal, influenciaria nas questões imobiliárias da Capital.>
"Digo isso, principalmente, por conta do alto valor agregado aos terrenos a serem comercializados em bairros como Praia do Canto e Mata da Praia. O plano não comportaria ter mais este tipo de imóvel lançado dentro da cidade de Vitória. Até porque a Faixa 2 de imóveis até R$ 264.000 não cabe dentro de nossa cidade, e é a faixa utilizada para empreendimentos urbanos em grandes metrópoles", comenta. >
Renato Avelar acredita que chave para o futuro de Vitória pode estar no Centro. “Se existe um lugar com potencial brutal de valorização, esse lugar é o Centro de Vitória. Espaços subutilizados, imóveis decrépitos que poderiam ser reaproveitados ou simplesmente demolidos, e uma infraestrutura urbana invejável que permanece escondida sob o peso da falta de visão”, explica.>
O especialista defende que a Capital invista em retrofit, flexibilize a transformação de imóveis comerciais em residenciais e incentive projetos que tragam vitalidade para a região. Avelar, inclusive, compara Vitória a cidades europeias que revitalizaram seus centros históricos e transformaram áreas degradadas em vitrines de modernidade.>
"O Centro de Vitória é lindo, tem beleza natural, mar, patrimônio arquitetônico de valor e, acima de tudo, espaço para se reinventar", afirma. >
Os especialistas concordam que Vitória precisa tomar decisões rápidas e estratégicas. A revisão do PDU, prevista para os próximos anos, é vista como oportunidade única de preparar a cidade para o futuro.>
“Vitória é uma ilha linda. Se a gente conseguir alcançar essa alteração do Plano Diretor, que permita uma ocupação inteligente e democrática, o mercado será muito positivo”, resume Alexandre Schubert.>
Em nota oficial, a Secretaria de Desenvolvimento da Cidade e Habitação da Prefeitura de Vitória afirma que 100% do território da capital está inserido no perímetro urbano. Com isso, a expansão de Vitória ocorre, predominantemente, pela renovação urbana em áreas já ocupadas, que apresentam potencial para transformação e maior adensamento construtivo e populacional.>
Como regiões de destaque para crescimento, a Prefeitura elenca o eixo da avenida Beira Mar, entre o Centro e Bento Ferreira, a Praia do Suá e a parte oeste do município, que compreende a Grande São Pedro. Além disso, destaca que o desenvolvimento urbano da cidade é prioridade em sua governança, registrando, ao todo, 448 obras em diferentes fases - conclusão, excecução e projeto - que incluem a construção e reforma de escadarias, encostas, escolas, praças, drenagem, mobilidade urbana, habitação e saúde.>
Sobre o Centro de Vitória, destacado pelos especialistas entrevistados como um grande potencial de crescimento da Capital, a Secretaria conta que a região é o principal alvo das políticas de requalificação, com entregas como a restauração do Viaduto Caramuru e urbanização da Rua Araribóia, feita com proposta de se tornar uma Rua Viva tal qual a Rua da Lama, em Jardim da Penha.>
"O Centro da capital concentra diversas ações de requalificação urbana. Além das obras estruturantes já entregues ou em andamento, como na Praça Getúlio Vargas e na avenida Beira Mar, a Prefeitura implantou incentivos legais, como a Lei do Retrofit e a redução de alíquotas do ISS para atrair novas atividades econômicas. Até agora, foram identificados 34 imóveis em reforma com potencial para enquadramento na legislação, sendo 19 já qualificados, o que corresponde a 892 unidades imobiliárias", descreve a nota oficial. >
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