Publicado em 17 de setembro de 2025 às 08:00
O ano de 2025 tem se mostrado um tanto desafiador para o mercado imobiliário. Com a Selic – a taxa básica de juros da economia – a 15%, um efeito é o encarecimento do financiamento de imóveis, desestimulando uma parcela da população que depende dessa forma de pagamento para adquirir a casa própria ou dar um upgrade na moradia. >
Tanto é que houve uma desaceleração de 10,1% nos lançamentos no país no segundo trimestre, em relação aos três primeiros meses do ano, segundo pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Por outro lado, foram comercializados 102.896 imóveis, movimentando R$ 68 bilhões no segundo trimestre de 2025.>
FORAM LANÇADAS NO PAÍS NO ACUMULADO DE 12 MESES
Essa redução parece ser temporária, uma vez que a mesma pesquisa aponta que nos seis primeiros meses de 2025 o volume de lançamentos (6,8%) e o de vendas (9,6%) cresceram quando comparados com o mesmo período de 2024. No acumulado de 12 meses, foram lançadas 414.375 unidades no Brasil, com um valor geral de lançamento (VGL) de R$ 260 bilhões. Por sua vez, as vendas no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) cresceram 25,8% no primeiro semestre, alcançando 95.483 unidades.>
Além disso, a Faixa 4 do programa, voltada para imóveis de até R$ 500 mil, deve facilitar o acesso ao crédito para a classe média, que foi a que mais sentiu a alta dos juros para o financiamento. Somado a isso, está uma pesquisa recente realizada pela consultoria Brain Inteligência Estratégica, que mostra que quase metade dos brasileiros têm a intenção de adquirir um imóvel nos próximos 24 meses, apesar da Selic a 15%. >
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DE CRESCIMENTO DO MINHA CASA, MINHA VIDA NO BRASIL NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2025
Este é o número mais alto da série histórica da pesquisa, que iniciou em 2020. Portanto, a expectativa é que 2025 feche mantendo o mesmo ritmo de 2024, segundo afirma o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), Alexandre Schubert. Isso tanto no país quanto no Espírito Santo. >
Alexandre Schubert
Presidente da Ademi-ESPara 2026, mesmo sendo um ano eleitoral, o ambiente deve estar um pouco mais favorável, acrescenta Schubert. Um dos motivos para esse otimismo, mesmo que moderado, é o fato do Banco Central ter sinalizado que a atual taxa de 15% deve permanecer até o final deste ano, no entanto, segundo o relatório Focus emitido no final de agosto, analistas de mercado apontam uma perspectiva de queda para 12,5%, até o final de 2026. >
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Espírito Santo (Sinduscon-ES), Douglas Vaz, pontua que o mercado capixaba tem passado por algumas mudanças, como o crescimento de condomínios de alto padrão e luxo, desde o ano passado.>
Uma tendência que deve permanecer, dada a atenção cada vez maior deste segmento, inclusive por empresas de fora do Estado – como a recente apresentação de um condomínio de luxo de São Paulo para investidores capixabas. Outro segmento que se destacou neste ano e deve continuar sua consolidação são os empreendimentos com foco em aluguel de curtíssima temporada (também conhecido por short stay), além da expansão de novos polos de crescimento imobiliário no Estado. >
TÊM INTENÇÃO DE ADQUIRIR UM IMÓVEL NOS PRÓXIMOS 24 MESES
Projetos mais modernos e materiais inovadores com foco na sustentabilidade devem fazer parte da agenda das empresas, afirma Douglas Vaz, principalmente para suprir a dificuldade da mão de obra, que tem se tornado cada vez mais escassa. >
Douglas Vaz
Presidente do Sinduscon-ESA tecnologia também já é algo cada vez mais permanente, quando se fala em relações de compra e venda. Segundo o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 13ª Região/ES (Creci-ES), Manoel Dias, realidade virtual para visitas on-line, marketing digital e gestão de relacionamento fazem parte desse dia a dia, além de maior foco na personalização do atendimento e na atuação em nichos específicos. >
Para o próximo ano, ele ressalta, a expectativa é de maior digitalização das transações imobiliárias, expansão de mercados híbridos (presencial e digital) e a valorização de práticas sustentáveis.>
Manoel Dias
Presidente do Creci-ES“Não podemos esquecer da tokenização imobiliária, que consiste na criação de tokens digitais que representam a propriedade de um imóvel físico, utilizando a tecnologia blockchain para registrar e rastrear esses ativos de forma segura e transparente. Esse processo ajuda a democratizar o investimento em imóveis, organizando a propriedade e permitindo que múltiplos investidores comprem pequenas partes de um mesmo bem”, acrescenta. >
Ainda sobre inovação, há toda uma preocupação do mercado sobre a Geração Z (pessoas nascidas de 1995 a 2010), conhecida por seu engajamento, valorização da autenticidade, diversidade, inclusão e sustentabilidade e muito ativa nas redes sociais. >
DOS LANÇAMENTOS NO PRIMEIRO SEMESTRE NO BRASIL
Para o presidente do Sinduscon-ES, Douglas Vaz, o mercado precisa se preparar e criar situações de moradia, lazer e trabalho para esses clientes, como projetos mais compactos e sustentáveis, bem como horários flexíveis, inclusive dentro da construção civil, quando se fala em atrair essa mão de obra para o setor. “É pensarmos no presente mirando o futuro”, analisa.>
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