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Inadimplência de aluguel no ES registra quarta alta seguida em julho

Inadimplência de aluguel no ES registra quarta alta seguida em julho

Especialistas apontam que perda de renda das famílias, juros altos e necessidade de garantias financeiras são fatores que explicam o cenário

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Yasmin Spiegel

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Publicado em 29 de agosto de 2025 às 17:31

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Número de pessoas que não pagam aluguel no ES está em alta Crédito: Shutterstock

A inadimplência do aluguel no Espírito Santo voltou a subir em julho, registrando a quarta alta consecutiva e alcançando 2,86%, contra 2,79% no mês anterior. Este é o maior índice desde 2023, ano da criação do Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica, plataforma de gestão e administração condominial. 

Apesar da elevação, a taxa segue abaixo da média nacional, que ficou em 3,76% no mesmo período. Entretanto, a análise mostra que, no comparativo anual, o salto foi expressivo: em julho de 2024, o índice de inadimplência do aluguel no Estado era de 1,88%.

O índice contou com dados de mais de 900 mil clientes locatários em todo o Brasil, sendo considerados inadimplentes aqueles que possuem boletos que estão há mais de 60 dias sem pagamento ou que foram pagos com atraso de mais de 60 dias.

“Apesar da alta na inadimplência em julho, o Espírito Santo mantém uma taxa abaixo da média nacional, o que demonstra certa resiliência do mercado local. Ainda assim, o aumento, mesmo discreto, reforça que os desafios econômicos persistem e que é essencial seguir atento à evolução dos indicadores macroeconômicos, como inflação e juros, que impactam diretamente a capacidade de pagamento das famílias”, avalia Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica.

Na avaliação de Charles Bittencourt,  vice-presidente do segmento de imobiliárias da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), o principal fator por trás da inadimplência continua sendo a perda de renda. “A grande maioria dos casos está ligada à redução de renda. Vemos pessoas com boa vontade e intenção de pagar, mas que acabam sem condições devido ao desemprego ou à queda salarial”, explica.

Planejamento é essencial

Para evitar problemas futuros relativos à inadimplência, Bittencourt recomenda que os locatários façam um planejamento financeiro criterioso. “O aluguel e seus encargos, como condomínio, IPTU, energia, água e seguro-incêndio, devem representar entre 20% e 30% do orçamento familiar. Esse cálculo é essencial para que a locação não comprometa as demais despesas”, orienta.

A busca por mais segurança também levou a mudanças na forma de fechar contratos. Segundo Bittencourt, 95% das locações da imobiliária em que é diretor comercial, a Betha Imóveis, já são feitas por meio de seguro-fiança ou capitalização, reduzindo a dependência do fiador.

“É muito importante a análise do cadastro e uma boa conversa inicial com o cliente. Isso ajuda a entender de onde ele vem, se está saindo de outro imóvel com problemas e quais são suas reais condições financeiras”, destaca.

Para Manoel Gonçalves, do Grupo Superlógica, a participação de seguradoras no processo é um fator que dá mais robustez ao mercado. “É muito mais fácil uma empresa especializada ter expertise em credenciamento do que a própria imobiliária. O seguro é bom para todos os lados: protege a imobiliária e dá mais agilidade ao cliente, que não precisa fornecer tantos dados pessoais”, afirma.

Cenário regional

O levantamento da Superlógica mostra que a Região Sudeste apresentou taxa de 3,51%, abaixo da média nacional de 3,76%, enquanto o Nordeste liderou o ranking, com 4,91%. No recorte por tipo de imóvel, os comerciais seguem com maior inadimplência (4,80%).

Para Gonçalves, isso se justifica pelo cenário macroeconômico, visto que, com a taxa Selic em 15% ao ano, muitas famílias trocam a compra de imóveis pelo aluguel o que, por consequência, aumenta o número de devedores: "A alta na demanda do aluguel aumenta diretamente a inadimplência, já que uma parte da renda vai para os juros bancários e outra para o pagamento do aluguel. Esse efeito deve persistir nos próximos meses”.

No Espírito Santo, entretanto, Bittencourt observa que o mercado mostra resiliência, impulsionado pelo emprego e pela chegada de novos moradores transferidos por empresas, o que pode impactar positivamente em um momento futuro e ajudar na queda do índice. 

"Vivemos um momento muito bom no Espírito Santo, com alta demanda de emprego e melhores salários. A gente também observa muita gente chegando de fora, que vem de um local em que, às vezes, a renda é melhor e o aluguel é mais caro, e então chega aqui transferido, ganhando a mesma renda e encontrando um aluguel de preço mais baixo", pontua. 

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