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Tecnológica e natural

Tendência une estilos de decoração em busca de espaços ancestrais

Pedras, fibras e texturas seguem em alta, mas abrem espaço para mobiliários tecnológicos que ajudam a manter a praticidade

Publicado em 11 de Novembro de 2025 às 11:27

Vinícius Viana

Publicado em 

11 nov 2025 às 11:27
A madeira, que é um elemento atemporal, está sendo usada de forma cada vez mais variada, como em papéis de parede e teto
A madeira, que é um elemento atemporal, está sendo usada de forma cada vez mais variada, como em papéis de parede e teto Crédito: Composé
Dos tons terrosos aos elementos naturais, as tendências de decoração têm explorado cada vez mais o lado humano na construção de ambientes a fim de reforçar o afeto e a memória. O caminho para isso está nos espaços que destacam pedras, fibras e texturas, mas, acima de tudo, priorizam o conforto.
Quem confirma isso é a arquiteta Julia Dalmásio. Segundo ela, a madeira, um elemento atemporal, está sendo usada de forma cada vez mais variada, como em papéis de parede e teto, painéis e cabeceiras.
“Estão sendo incorporados formatos mais curvos, orgânicos e coloridos, tanto em pinturas quanto em painéis e azulejos. Há também estilos sendo importados de outros países. Um exemplo é o Japandi, criado no Japão, que traz uma decoração minimalista, mas com tons mais naturais. Para compor a decoração, objetos de artesanato têm sido uma opção bastante procurada”, reforça
Ainda de acordo com ela, a madeira também segue muito presente em móveis, especialmente, na palha indiana, muito usada em cadeiras, cabeceiras ou em marcenaria para salas, quartos e cozinhas.
“Recentemente, o público vem mostrando uma oposição cada vez maior às chamadas ‘casas com cara de clínica’, que apresentam uma estética bem mais minimalista e sem muitas cores, justificada pela preferência a espaços que transmitem mais conforto e personalidade”, pontua.
Tudo isso porque, hoje em dia, a forma como as pessoas se relacionam com o ambiente também tem mudado. Afinal, mais do que um espaço para descansar depois do trabalho, a casa é um lugar para construir histórias e compartilhar bons momentos em família ou entre amigos.

Reprodução com fidelidade de texturas naturais

Se por um lado os materiais naturais têm ganhado força, por outro a tecnologia também tem influenciado diferentes tendências no mercado. De acordo com Priscila Rezende, arquiteta do Grupo Composé, os revestimentos e porcelanatos de última geração, por exemplo, são desenvolvidos com tecnologia de impressão digital de alta definição, permitindo reproduzir texturas de pedras naturais, madeiras nobres e até metais com fidelidade e manutenção simples.

“Essa inovação, combinada a um projeto de iluminação planejada, realça relevos, efeitos 3D e tonalidades sutis, criando ambientes sofisticados e funcionais. O equilíbrio de cores, quando bem pensado, contribui para um espaço harmonioso, confortável e de personalidade”, observa.

Para a especialista, o que se vê hoje é uma transformação completa da arquitetura e do design de interiores, que busca ir além da estética para criar espaços que priorizam a funcionalidade, o bem-estar e a personalidade.

Peças que se transformam ou se organizam, por exemplo, são muito procuradas, principalmente em ambientes compactos e corporativos dinâmicos. As linhas orgânicas continuam em alta, trazendo suavidade e conforto visual, enquanto acabamentos em madeira clara, fibras naturais e tecidos sustentáveis reforçam o compromisso com a responsabilidade ambiental.

“A ergonomia aliada à estética é essencial, com móveis que garantem conforto e saúde sem abrir mão do design. Nas cores, prevalecem tons naturais com pontos de destaque em nuances vibrantes”, afirma.

Ainda, segundo Priscila, a inovação tecnológica se une à criatividade para oferecer soluções que cabem em todos os bolsos, mostrando que um bom design é acessível e essencial para qualquer ambiente. A chave é o planejamento estratégico, seja com grandes reformas, seja com pequenos toques decorativos.

Ancestralidade na decoração une presente e futuro nos projetos

Cores ligadas à natureza se comportam bem no cérebro humano, dando uma sensação maior de bem-estar
Cores ligadas à natureza se comportam bem no cérebro humano, dando uma sensação maior de bem-estar Crédito: Projeto de Jade Arantes
O resgate da ancestralidade na decoração ajuda a apontar para o futuro e manter a saúde integral do presente, observa a arquiteta Jade Arantes. Uma dica, segundo ela, é adotar as tintas de terra, tanto pelo custo-benefício quanto pelo conforto térmico.
“Elas são, de fato, lindas, executadas com água, cola branca e terra peneirada, têm fácil aplicação e geram aconchego. Seguimos também com as cores ligadas à natureza, como verde e azul, que se comportam bem em nosso cérebro. Todas essas tintas têm sido um forte caminho estético de bem-estar no Brasil e no mundo”, destaca.
O uso de materiais naturais, de acordo com ela, também garante o compromisso com o equilíbrio ecológico e uma cadeia mais sustentável nas escolhas decorativas.
Sendo assim, as matérias-primas naturais seguem saindo na frente e “dificilmente deixarão de ser tendência”, como explica o designer de interiores Regilano Dornellas. Ele ainda acrescenta que pedras, madeiras, fibras, tramas e texturas trazem aconchego e autenticidade aos ambientes.
“Outro ponto muito presente nas mostras de decoração é a ideia da ‘casa com cara de casa’, ou seja, espaços que unem estética e funcionalidade, mas que também refletem a identidade e o estilo de vida de quem mora ali”, afirma.
Entretanto, Regilano reforça que esse processo não precisa ser muito trabalhoso e caro. Afinal, pequenos detalhes podem transformar completamente a atmosfera de um espaço.
“Uma parede pintada em uma nova cor, a escolha de uma cortina com bom acabamento, a iluminação adequada ou até mesmo um quadro bem posicionado já fazem toda a diferença. Muitas dessas mudanças podem ser feitas pela própria pessoa, desde que haja um pouco de habilidade e cuidado na execução”, indica.

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