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Deolane Bezerra é presa sob suspeita de ligação com lavagem de dinheiro do PCC

Investigação aponta que influenciadora participaria de esquema envolvendo transportadora ligada a facção; OUTRO LADO: advogado diz que se manifestará após ter mais informações sobre o caso
Agência FolhaPress

Publicado em 21 de Maio de 2026 às 09:26

Deolane Bezerra é presa
Deolane Bezerra é presa Reprodução/Instagram @dra.deolanebezerra

A influenciadora Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) em uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo. A suspeita é de lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital) por meio de uma transportadora de fachada.

Ela foi detida, no início da manhã, no condomínio em que mora, em Barueri, na região metropolitana de São Paulo.

A Operação Vérnix também cumpre mandados de prisão contra Marco Herbas Camacho, o Marcola, considerado o chefe da facção, e parentes dele. Marcola já está preso em uma unidade de segurança máxima no Distrito Federal.

O advogado Rogério Nunes, que defende Deolane, disse que assim que se inteirar do caso vai se manifestar. Já o defensor de Marcola, Bruno Ferullo, afirmou que emitirá uma nota assim que tiver mais informações a respeito da operação.

Foram decretadas seis prisões preventivas, bloqueios de valores superiores a R$ 327 milhões, sequestro de 17 veículos, incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de quatro imóveis vinculados aos investigados.

Além de Deolane, foram presos Everton de Souza, apontado como operação financeiro da organização, e Paloma Camacho, sobrinha de Marcola, detida na Espanha. A polícia não informou se eles já têm defensores.

A polícia também cumpriu mandado de prisão contra Alejandro Herbas Camacho, irmão de Marcola, que está preso. A reportagem ainda tenta identificar o advogado que faz a sua defesa.

Segundo a polícia, a ação é resultado de uma investigação sobre uma engrenagem financeira usada para ocultar, dissimular e reinserir na economia formal valores vinculados à alta cúpula do PCC.


A investigação começou em 2019, quando bilhetes foram apreendidos pela Polícia Penal em uma penitenciária de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, com dois presos.

Por meio do material foi possível reunir informações sobre a dinâmica da facção, inclusive sobre a atuação de lideranças presas e possíveis ataques a autoridades.

Três inquéritos foram abertos para investigar as suspeitas.

De acordo com a polícia, a análise do material apreendido com os dois presos possibilitou a identificação de ordens internas do PCC, contatos com integrantes da alta hierarquia e menções a atos violentos contra servidores públicos.

Um dos trechos analisados mencionava uma "mulher da transportadora" que teria sido responsável pela informação de endereços de agentes públicos alvos de ataques planejados.

Um segundo inquérito procurou identificar quem é essa mulher e qual é a relação dela com a transportadora do PCC. Os investigadores chegaram a uma empresa de Presidente Venceslau que seria usada para lavagem de dinheiro.


Em uma das operações sobre esse fato, chamada Lado a Lado, um celular foi apreendido e deu origem a uma nova investigação, a partir de conversas de pessoas ligadas à cúpula do PCC, além de indícios de repasses financeiros e conexões com a influenciadora, que teria vínculos pessoais com um dos gestores fantasmas da transportadora.

A operação desta quinta é baseada em um suposto esquema de lavagem de dinheiro, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras.

Segundo a investigação, a influenciadora passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando da organização criminosa.

Os levantamentos apontaram a utilização de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão.

Para os investigadores, a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial eram utilizadas como aparência de legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.

Três investigados estão foram do Brasil, na Itália, Espanha e Bolívia e poderão ser incluídos na Lista Vermelha da Interpol para que sejam localizados.

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