Tem talento capixaba nos bastidores da nova turnê de Anitta. A artista visual Bárbara Carnieli é a responsável pela concepção e execução da arte floral, além da curadoria e montagem das plantas que integram o universo visual de Equilibrivm II. O trabalho pôde ser visto no último sábado (22), durante a apresentação realizada no Caminho Niemeyer, em Niterói, no Rio de Janeiro.
Para chegar ao resultado apresentado no palco, Bárbara mergulhou no universo visual e simbólico da turnê e criou uma paisagem vegetal inspirada na Mata Atlântica. Em vez de simplesmente reproduzir uma floresta, a capixaba buscou construir um ambiente que transitasse entre o real e o fantástico, combinando plantas, flores, folhas, texturas e diferentes volumes.
A vegetação, portanto, não entrou em cena apenas como decoração. Cada espécie foi selecionada considerando características visuais, sensoriais e simbólicas e passou a fazer parte da própria narrativa do espetáculo, dialogando com conceitos como natureza, memória, ancestralidade e espiritualidade.
O trabalho tem como base uma pesquisa que Bárbara desenvolve desde 2015, batizada de Cosmologia Vegetal. Nela, flores e plantas são compreendidas não somente por sua beleza, mas como elementos capazes de carregar memórias, provocar sensações e comunicar diferentes significados.
Desenvolvo uma investigação com flores e plantas, compreendendo-as para além da matéria estética, como linguagens capazes de comunicar, evocar memórias e mobilizar diferentes dimensões simbólicas
Bárbara Carnieli, artista visual
A concepção criada para Equilibrivm II também estabelece diálogos com cosmologias de matrizes africanas, nas quais elementos da natureza podem estar associados à proteção, à força e à conexão com o sagrado. A partir dessas referências, a artista utilizou a matéria vegetal para reforçar a atmosfera ritualística proposta pelo espetáculo.
Levar esse trabalho para uma produção da dimensão de uma turnê de Anitta também exigiu adaptações. Bárbara precisou pensar a vegetação considerando o tamanho do palco, a iluminação, a movimentação dos artistas e sua integração aos demais elementos da cenografia, sem perder a identidade de sua pesquisa.
A participação marca um novo momento na trajetória da capixaba. Uma investigação artística construída há mais de uma década no Espírito Santo ganha agora projeção em um espetáculo de alcance nacional, aproximando arte floral, artes visuais, música e performance.