O Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, é tradicionalmente marcado pelas homenagens e visitas aos túmulos de familiares e amigos. Mas você sabia que os cemitérios também podem ser destinos de passeios turísticos? No Espírito Santo, o turismo cemiterial - ou "necrotour" - começa a ganhar espaço com experiências que convidam o público a conhecer histórias, manifestações artísticas e curiosidades preservadas nesses locais.
A modalidade tem como proposta valorizar a memória coletiva por meio de visitas guiadas que exploram a arquitetura, os monumentos funerários e as histórias de personalidades e famílias que fazem parte da trajetória de uma cidade.
A prática já é conhecida em outros destinos, como o Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, na Argentina, onde está sepultada Eva Perón, e o Cemitério da Consolação, em São Paulo, que abriga importantes obras de arte tumular e o mausoléu da família Matarazzo, considerado um dos maiores da América Latina.
No Espírito Santo, há iniciativas que levam esse conceito a diferentes municípios.
Confira algumas experiências:
Longe de qualquer abordagem mórbida, o passeio pelo Cemitério de Santo Antônio, em Vitória, propõe um mergulho na história, na arte e na memória da capital capixaba.
Em junho deste ano, a agência de turismo Michele Turismo ES (@micheleturismoes) lançou a iniciativa, apresentada como o primeiro roteiro de turismo cemiterial do Espírito Santo.
As visitas são organizadas e conduzidas por guia de turismo, com uma proposta educativa e histórica. Durante o percurso, os participantes conhecem fatos sobre personalidades marcantes, curiosidades sobre a história do local e detalhes da arte tumular. A experiência é realizada com respeito ao silêncio, à sacralidade do espaço e às famílias que frequentam o cemitério.
Os passeios têm valores a partir de R$ 25 por pessoa e incluem acompanhamento de guia credenciado.
Em Santa Leopoldina, o turismo cemiterial também passa por uma história cercada de mistério e tradição popular. No Cemitério Campo Santo, o guia de turismo Jefinho Expedições (@jefinhoexpedicoes) conduz visitantes até o túmulo de Maria Gilda, uma criança cuja história atravessa gerações no município.
Segundo a lenda local, a menina morreu afogada em uma bacia enquanto a avó havia saído para buscar uma toalha. Desde 1923, o túmulo da criança chama a atenção por permanecer constantemente cheio de água.
A tradição conta que, durante o sepultamento, a mãe da menina teria despejado uma bacia de água sobre a sepultura e feito a seguinte declaração: “Já que levaram a minha filha, a minha filha levará a água”. Desde então, segundo a crença popular, o túmulo de concreto nunca teria secado, mesmo durante longos períodos de estiagem.
A história também está associada à fé de moradores e visitantes. De acordo com a tradição, algumas pessoas procuram o local em busca de cura para doenças e atribuem propriedades milagrosas à água acumulada na sepultura. Há relatos populares de pessoas que teriam alcançado a cura após passar a água pelo corpo, embora não exista comprovação científica desses efeitos.
O passeio conduzido por Jefinho Expedições apresenta a história e as crenças que cercam Maria Gilda, preservando uma das narrativas mais conhecidas da memória popular de Santa Leopoldina. Os interessados podem entrar em contato diretamente com o guia para obter informações sobre a visita.
Caro leitor
Giovana Duarte é colunista de turismo de HZ. As opiniões, análises e recomendações expressas em seus textos são de sua exclusiva responsabilidade e não refletem, necessariamente, o posicionamento editorial de HZ ou da Rede Gazeta.