• Taynã Feitosa

    Taynã Feitosa é sommelière e cervejeira apaixonada por uma boa cerveja e suas infinitas possibilidades. Também é jornalista e mercadóloga

Lambic: conheça a mais antiga família de cervejas

Publicado em 29/07/2022 às 09h00

Quem acompanha esta coluna já deve saber que entre as classificações cervejeiras temos as famílias, que dividem-se em estilos. As Ale e as Lager diferenciam-se pelo tipo de fermentação: leveduras suspensas e temperaturas mais altas no caso das Ale e leveduras na parte baixa dos tanques e temperaturas ainda mais baixas quando o assunto é Lager.

Mas quando falamos de famílias de cerveja, o papo deve começar pela mais antiga e importante de todas: a das Lambic, as cervejas de fermentação espontânea. Típicas de Lembeek, no sudoeste de Bruxelas, Bélgica, elas dão o que falar desde meados do século XVI devido a alguns fatores curiosos que fazem dessa família tão especial.

As cervejas são fermentadas ao ar livre, contando com as bactérias, leveduras e tudo mais presente no ar! É isso mesmo: do jeito que a natureza manda e, claro, de acordo com o terroir da região do Vale do Rio Senne.

Além de terem denominação de origem, as Lambic autênticas têm como marco suas características sensoriais pra lá de particulares.

São cervejas, em sua maioria, com base de trigo, acidez nas alturas, amargor baixíssimo (devido ao uso de lúpulos envelhecidos nas receitas), notas de malte muito suaves e presença de aromas e sabores selvagens, que podem ser chamados de funky: feno, caprino, couro de cavalo, terroso, estábulo e outros mais.

As Lambic têm também uma característica em comum: geralmente são refermentadas em garrafas com adição de Brettanomyces, uma família de leveduras encontrada nas cascas de frutas e em barris de madeira envelhecidos, que trazem as tais notas funky e outras surpresas sensoriais para essas cervejas.

ESTILOS DE LAMBIC

Com o passar dos séculos e o surgimento de Escolas Cervejeiras focadas na produção controlada e mais tecnológica de Ales e Lagers, as Lambic passaram a ser pouco produzidas fora da região belga de origem.

No entanto, é fácil mapear as cervejarias que ainda mantêm a fermentação espontânea como seu carro-chefe: basicamente todas as cervejarias produtoras de Lambics estão em Pajottland, nos arredores de Leembeek, na Bélgica, o que torna a família o orgulho e o maior diferencial da Escola Belga.

Cerveja da família Lambic

As Lambic são típicas de Lembeek, no sudoeste de Bruxelas. Crédito: Shutterstock

A família Lambic têm menos estilos do que a Ale e a Lager, mas encanta por suas características que se mantêm firmes e fortes ao longo dos séculos. Confira abaixo:

  • JONGE LAMBIEK E OUDE LAMBIEK - São Lambics jovens e Lambics velhas, exatamente nessa ordem. Essas são as Lambics "puras", ou seja, que não têm adição de outro ingrediente. As jovens são cervejas com um ano de maturação e geralmente são encontradas apenas nas cervejarias que as fabricam. Já as velhas costumam amadurecer até três anos em barricas de carvalho, mas também não são fáceis de encontrar no mercado.
  • GUEUZE LAMBIC - Bem mais populares, as Gueuze são o resultado de blends entre Jonge Lambieks e Ouve Lambieks. Após a mistura, essa nova bebida é refermentada em garrafas, o que gera ainda mais carbonatação. Por isso, as Gueuze também são chamadas de "champanhe da Bélgica". São cervejas agradáveis e extremamente refrescantes. Um dos meus estilos favoritos.
  • FRUIT LAMBIC - Como o nome sugere, as Fruit Lambics são Lambics com adição de frutas. Um segmento bem comum entre as Fruit são as Kriek (com adição de cerejas) e as Framboise (com adição de framboesas). Existem rótulos com outras frutas, como ameixa, maçã verde e pêssego.
  • FARO - O estilo quase foi extinto e originou-se do blend de Lambic e Bière de Mars (similares às Saison, são cervejas antigas consumidas por camponeses durante a primavera - "mars" vem de março), além da adição de algum açúcar. Muito popular no século XIX, o estilo perdeu espaço para as Gueuze e as Fruit Lambics. As Faro produzidas hoje em dia são apenas Jonge Lambiek com adição de açúcar.

6 LAMBICS QUE VALE A PENA CONHECER

  1. 01

    Cantillon Gueuze 100% Lambic Bio - Bélgica (ABV: 5%)

    A clássica da cervejaria mais clássica de Bruxelas. O blend de Lambics de um, dois e três anos e uma refermentação em garrafa são o segredo por trás dessa cerveja límpida, bem carbonatada e inesquecível.

  2. 02

    Blumenau Mestres do Tempo Fruit Lambic #10 - Brasil (ABV: 7,5%)

    Medalha de Prata no Concurso Brasileiro de Cervejas de 2021, essa representante nacional das Lambics é complexa, tem adição de framboesas e muito funky.

  3. 03

    Timmermans Framboise Lambicus - Bélgica (ABV: 4%)

    Fácil de beber, leve e extremamente frutada, essa Lambic tem textura frisante e é perfeita para agradar quem não gosta de cervejas.

  4. 04

    Brazilambic Narcose - Vieux Lambic Style - Brasil (ABV: 6,7%)

    A cervejaria gaúcha Narcose acaba de lançar duas Gueze que representam bem a família das Lambics por aqui. A Brazilambic foi refermentada com suco de amora e envelheceu por 42 meses em barricas de carvalho. Simplesmente incrível.

  5. 05

    Kriek Boon - Bélgica (ABV: 4,5%)

    A receita leva 250g de cerejas para cada litro da bebida, o que resulta na cerveja perfeita para quem gosta de sabores frutados e acidez. É um ícone do estilo. 

  6. 06

    Liedermans Faro Lambic - Bélgica (ABV: 4,2%)

    Equilibrada e com dulçor na medida, é fácil de beber e ótima para harmonizar com sobremesas e frutas.

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Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de HZ.

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