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Nádia Alcalde

Além dos tintos: conheça alguns dos vinhos preferidos pelos capixabas

Terceiro no ranking de consumo per capita da bebida no Brasil, o Espírito Santo vê crescer a procura por rótulos mais leves e frescos

Publicado em 02 de Fevereiro de 2026 às 14:47

Publicado em 

02 fev 2026 às 14:47
Nádia Alcalde

Colunista

Nádia Alcalde Nádia Alcalde
Imagem Edicase Brasil
Os vinhos tintos lideram a preferência dos capixabas Crédito: Shutterstock
O Espírito Santo tem se consolidado como um grande consumidor de vinho. Segundo dados recentes da empresa de tecnologia Ideal BI Consulting, que estuda e oferece soluções para o mercado vinícola no Brasil, nosso estado ficou em terceiro no ranking nacional e foi líder na região Sudeste, com um consumo de 2,12 litros por habitante, superando Minas Gerais (1,64 litros) e São Paulo com (1,76 litros).
O primeiro da lista é o Rio Grande do Sul, que apresenta um consumo médio de 3,35 litros por habitante, seguido de perto por Santa Catarina, que registra 3,02 litros.
Apesar do número positivo, o índice entre os consumidores capixabas já foi mais alto, chegando a 6,12 litros por habitante no ano de 2019. Essa queda reflete o consumo de vinhos de maneira global, diante de desafios diversos, como clima, economia e política.
Em meio a esse cenário, muita coisa vem mudando no processo de produção da bebida e também no perfil de consumo. Pesquisas recentes, como a publicada na revista The Drinks Business, apontam que, na faixa dos 21 a 35 anos, apenas 59% afirmam beber álcool - em 2001 esse número chegava a 72%. Podemos considerar ainda que vinho não é um dos favoritos desse público, que vê a cerveja e o drinque como opções mais refrescantes, prontas e fáceis.
Apesar de aquele estilo de vinho mais complexo, potente e cheio de rituais ainda ser o preferido dos brasileiros e principalmente dos capixabas, já é possível notar mudanças no dia a dia das adegas.
A Grand Cru Vitória, uma das mais antigas do estado, viu de perto essa transição. O proprietário da loja, Bruno Freire, lembra bem da preferência dos tintos até mesmo para acompanhar a moqueca capixaba. “Nós sempre procuramos oferecer mais e apresentar aos clientes os vinhos brancos, rosés e espumantes, justamente pelo nosso clima e gastronomia, que pedem esse estilo. É muito legal ver que essa proposta hoje tem mais aderência”, comenta Freire, para quem o tinto ainda funciona como referência para os clientes que têm medo de errar.
Confira a seguir um pequeno termômetro da venda de vinhos em casas especializadas da Grande Vitória e do interior. A coluna ouviu sommeliers de lojas, supermercados e importadoras para saber quais são os mais procurados pela clientela do Espírito Santo. 

OS FAVORITOS NA GRAND CRU VITÓRIA: 

Na Grand Cru Vitória [(27) 99281-9825/@grandcruvitoria], a uva Malbec está entre as mais desejadas, porém com um estilo diferente da cepa de cinco anos atrás. A procura por vinhos sem barrica e de altitude tem sido uma característica entre os clientes que demonstram saber bem o que procuram, de acordo com Bruno Freire.
  • Entre os tintos preferidos do portfólio está o Zuccardi Q Malbec, de paladar macio, boa estrutura e acidez mineral (14% de álcool, R$ 250 a garrafa). 
  • Quando o assunto é espumante, a procura é sempre pelo produto nacional. Um dos mais vendidos na casa é o Victoria Geisse Extra Brut, produzido pela Cave Geisse, na Serra Gaúcha -  método tradicional, fresco, cremoso e pronto para o consumo, com 12% de álcool e garrafa vendida por R$ 170.

OS MAIS PROCURADOS NOS SUPERMERCADOS PERIM:

Na rede de supermercados Perim [(27) 3357-2000/@superperim], os chilenos se destacam entre os vinhos mais requisitados pela clientela.
  • Um deles é o Loma Negra Gran Reserva Cabernet Sauvignon, com taninos marcantes e notas características da uva, como o toque herbáceo, as especiarias e as frutas vermelhas. Tem 14% de álcool e passa 12 meses de barricas de carvalho francês. O preço da garrafa é R$ 72,80.
  • Entre os estilos em ascensão de consumo, o sommelier Brian Braun inclui alguns rosés e o vinho verde Casa Amado, de uvas Arinto e Loureiro, leve, fresco, com boa acidez e 11% de álcool (R$ 69, a garrafa).
Taça de vinho verde tinto na região do Vale do Douro, em Portugal
Produzidos no Douro, em Portugal, os vinhos verdes têm sido muito procurados no ES Crédito: Shutterstock

OS CAMPEÕES DE VENDA NA EMPÓRIO VINO DO SUL: 

Na loja virtual Empório Vino do Sul [(27) 99249-2351 @emporiovinodosul], que trabalha exclusivamente com rótulos brasileiros, 2025 também registrou um volume maior de vinhos nos estilos branco e clarete (elaborado com uvas tintas, mas de corpo leve, baixo álcool e taninos moderados).
Para o sommelier Ubirajara Pinto, a preferência pelo tinto com mais extração e amadeirado ainda é significativa, no entanto, a procura pelos brancos mais frescos têm se destacado.
  • A lista dos mais procurados na loja traz o clarete Garbo Cherry Bomb, de uva Pinot Noir, bastante frutado e com notas de frutas vermelhas, como cereja e morango. Produzido na Serra Gaúcha, tem acidez, perfil leve e é gastronômico, com 11,9% de álcool e venda por R$ 125 a garrafa. 
  •  Outro campeão de vendas é o Vaccaro Chardonnay, branco com leve passagem por carvalho, também da Serra Gaúcha. Bastante aromático, apresenta notas de abacaxi e frutas tropicais, tem 12% de álcool e custa R$ 80 a garrafa.
Taça de vinho branco e prato com bacalhau para a Páscoa
Mais leves e frescos, os brancos também ganham destaque por aqui Crédito: Shutterstock

OS MAIS-MAIS NA CANZONE, EM COLATINA:

Em Colatina, a uva Pinot Noir tem sido a preferida no restaurante, café e loja de vinhos Canzone [(27) 99947-0109/@canzone_restaurante]. De acordo com a sócia-proprietária Vida Miclos, os colatinenses gostam mais dos chilenos e dos tintos, mas já vem procurando exemplares mais frescos e sem caráter amadeirado. 
  • O destaque na casa é o búlgaro Melnik 55, elaborado com uma uva nativa do país chamada Siroka Melniska. Intenso nos aromas e com bastante estrutura no paladar, tem 14% de álcool e sua garrafa custa R$ 199,90.

OS LÍDERES DE IMPORTAÇÃO NA VILLA PORTO:

Quando se fala em volume, os números e as preferências são um pouco diferentes. Na capixaba Villa Porto [(27) 99650-6233/ @vilaportovinhos], uma das maiores importadoras de vinhos do Brasil, os tintos encorpados ainda são os mais procurados, com as uvas Primitivo e Malbec no topo da lista. 
A sommelier Márcia Lopes confirma a melhor aceitação dos vinhos brancos em geral, mas diz que ainda é necessário um trabalho para ampliar a adesão dos consumidores daqui ao estilo.
No portfólio da importadora, o destaque fica para o argentino Kaiken Ultra Malbec, da região de Mendoza. Bastante encorpado e potente, com notas florais e de especiarias, taninos macios e quase 15% de álcool (R$ 159,90 a garrafa).
Nádia Alcalde Nádia Alcalde

Nádia Alcalde

Apaixonada por vinhos, Nádia Alcalde é jornalista, sommelière e consultora. Escreve sobre o universo da bebida, antenada com lançamentos, tendências e notícias..

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