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Publicado em 25 de março de 2026 às 09:11
O público capixaba tem encontro marcado com uma produção local que promete arrancar risadas e provocar reflexão. O telefilme “É Quase Verdade!” estreia no próximo dia 4 de abril, sábado, às 15h30, na TV Gazeta, como parte do projeto de telefilmes regionais da Rede Globo. >
Gravado no interior do Espírito Santo e com equipe majoritariamente local, o longa aposta em uma narrativa leve para discutir um tema atual: os impactos das fake news.>
A trama acompanha uma artista plástica talentosa que, para não perder a casa da família, acaba criando, quase sem querer, uma farsa que toma proporções inesperadas. A mentira se espalha pela cidade e desencadeia uma série de situações inusitadas, revelando conflitos, crenças e relações típicas de uma pequena comunidade do interior.>
Mais do que uma comédia, o filme propõe uma reflexão sobre a linha tênue entre verdade e mentira. “Essa premissa de uma pequena situação que cresce, ganha corpo, movimenta uma cidade inteira e revela muito sobre as pessoas sempre nos interessou”, explica o diretor e co-roteirista Gustavo Moraes. “É uma história que fala sobre convivência, exageros e confusões que surgem quando uma mentira ganha pernas.”>
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Segundo ele, o projeto já vinha sendo desenvolvido antes mesmo da oportunidade surgir. “Era uma ideia que eu e a roteirista Dani Reule já cultivávamos. Quando surgiu a chamada da Globo Filmes voltada para produtoras locais, entendemos que era o momento certo de tirar isso do papel".>
O projeto é assinado pela produtora capixaba 55, que atua há mais de duas décadas no mercado audiovisual. Ao todo, 45 profissionais estiveram diretamente envolvidos na produção, além de mais de 100 figurantes e moradores da região que participaram das gravações.>
Com 14 atores no elenco, o filme carrega uma forte identidade local. “Esse encontro entre talento, verdade e intimidade com o universo do filme foi essencial”, afirma a produtora Leandra Moreira. “A gente construiu os personagens muito próximo dos atores, com ensaios e troca constante.”>
Gustavo Moraes reforça que a conexão entre os intérpretes também foi um critério importante. “Não adiantava ter bons atores se não houvesse química. E funcionou. Os pares funcionaram em cena".>
Mesmo com algumas exceções, a produção mantém raízes locais. “Podemos dizer que é 100% capixaba de coração”, destaca Leandra. “São artistas que têm relação real com o estado, que conhecem esse território e ajudam a contar essa história com verdade".>
As gravações aconteceram em São Pedro de Itabapoana, distrito de Mimoso do Sul, um sítio histórico que se tornou parte viva da narrativa. A escolha do local foi também afetiva.>
“Eu já conhecia o lugar há muitos anos e sempre achei extremamente cinematográfico”, conta Gustavo. “Quando trouxemos isso para o desenvolvimento do roteiro, ficou claro que aquele era o cenário ideal".>
A presença da equipe transformou a rotina da cidade durante as filmagens. Moradores participaram como figurantes, ajudaram na logística e acompanharam de perto o processo de produção.>
“Foi uma experiência que ultrapassa a filmagem”, afirma Leandra. “A comunidade abraçou o projeto. Tinha sempre alguém curioso, querendo entender, ajudar. Isso criou um sentimento muito bonito de pertencimento".>
Gustavo completa: “A gente sempre diz que é um filme sobre as ‘doideiras’ de uma cidade do interior, mas ele ganhou ainda mais força porque foi feito junto com uma cidade de verdade".>
Gravar em um sítio histórico trouxe desafios técnicos importantes. Muitas locações eram imóveis tombados, o que exigiu soluções criativas para preservar os espaços.>
“Não podíamos alterar absolutamente nada”, explica Leandra. “Tudo foi pensado para respeitar o patrimônio, desde a iluminação até a movimentação da equipe".>
Ela destaca que o desafio foi coletivo. “Talvez não tenha sido uma cena específica, mas todo o processo. Era um filme com ambição, feito em um lugar extremamente preservado, que exigiu planejamento e cuidado o tempo todo".>
Além disso, questões logísticas, como ruas de pedra e o pôr do sol mais cedo, impactaram diretamente a rotina das gravações. “A cidade também se adaptou à gente, e isso foi muito bonito”, completa.>
A produção buscou valorizar o Espírito Santo de forma natural, sem estereótipos. “A gente não quis fazer um cartão-postal”, explica Leandra. “A ideia era mostrar esse universo com afeto, com humor e com verdade".>
Ela destaca que essa construção passa por todos os elementos do filme. “O jeito de falar, o tempo das conversas, o humor, tudo isso vem da nossa cultura. Isso não se força, se vive".>
Para Gustavo, esse reconhecimento é essencial. “Quando a gente se vê na tela, com nossos sotaques e histórias, isso cria pertencimento. É muito poderoso".>
A participação da Globo Filmes foi decisiva para viabilizar o projeto e garantir visibilidade nacional. A iniciativa busca fortalecer produções fora do eixo tradicional.>
“Estar nesse projeto é fazer parte de um movimento de valorização do audiovisual regional”, afirma Gustavo. “A Globo está colocando essas histórias em janelas importantes, com alcance enorme.” O telefilme também será exibido no Cine BBB, ampliando ainda mais o alcance da produção capixaba para o público nacional.>
Ele ressalta o impacto disso para o estado. “Somos nós nos vendo na tela. Isso muda tudo. Dá valor para a nossa cultura e mostra que temos potência para dialogar com o Brasil inteiro”. Para a produtora 55, o telefilme representa um momento importante na trajetória da empresa. “É um projeto que reúne tudo o que construímos ao longo de mais de 20 anos”, diz Gustavo.>
Segundo ele, o filme também aponta caminhos. “Mostra que é possível produzir com qualidade, escala e identidade a partir do Espírito Santo”. A estreia na TV Gazeta carrega um significado especial. “É como compartilhar o filme com quem fez parte dele”, afirma. “Mais do que uma estreia, é um encontro".>
Leandra completa: “É muito simbólico começar por aqui. É dar ao público capixaba a chance de se ver, se reconhecer e se divertir com uma história que é nossa”. Com humor, afeto e uma narrativa envolvente, “É Quase Verdade!” chega como uma celebração da cultura local e um convite para rir, refletir e se enxergar na tela.>
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