O show deve continuar, mesmo que o astro não esteja mais no palco. Mas a impressão que “Michael”, cinebiografia do artista Michael Jackson, deixa é a de que ele estava novamente nos encantando com seu talento, reencarnado através do próprio sobrinho, Jaafar Jackson. Entre erros e acertos, o filme impacta pela coreografia, mas deixa os fatos mais importantes para uma sequência não confirmada.
Antes de tudo, saiba que esse formato de cinebiografia não é novidade. Os produtores de “Michael” tentam repetir a fórmula utilizada em “Bohemian Rhapsody”, que rendeu quatro estatuetas do Oscar para o filme. Acontece que, para o “Rei do Pop”, mostrá-lo como um artista talentoso e fora da curva não é novidade, apenas uma certeza que já tínhamos.
A tentativa de colocar Michael como um ser praticamente mitológico, amigo dos animais, uma criança que cresce com o desejo de retornar à Terra do Nunca, de Peter Pan, só nos afasta da tentativa de descobrir a parte humana do artista. Assim como fizeram com Freddie Mercury, Michael se mostra como alguém acima dos que estão ao seu redor.
Além disso, a escolha de pincelar pontos importantes, como o vitiligo, as cirurgias, os remédios e o carinho com os mais jovens, ao invés de forçar o drama desses assuntos é, no mínimo, uma forma de escapar da polêmica que o astro viveu. A justificativa para a ausência? "Contaremos no próximo filme, se ele existir".
Mas claro, se for visto como partes de um todo, esse primeiro filme é sobre a criação e ascensão do Jackson 5, o início da carreira solo de Michael e terminando com o sucesso meteórico que começaria no fim dos anos 1980.
Uma obra performática
Mas já que é para entregar performance, saiba que isso foi bem feito. O elenco é escolhido a dedo. Colman Domingo entrega o vilão necessário na figura de Joseph Jackson, pai de Michael. Juliano Valdi, que interpreta o pequeno Michael, não rouba a cena, ele puxa, prende e te faz brilhar os olhos pelo que ele é capaz de fazer com tão pouca idade.
Mas não poderia ser diferente. Uma atuação que só poderia ser feita por quem vive como um Jackson, respira como um Jackson e, de fato, é um Jackson. Jaafar faz sua estreia no cinema parecendo ter recebido o próprio tio em seu corpo. O sorriso, a forma de falar, a energia corporal e a dança nos remetem diretamente a Michael. É uma experiência de rever o Rei, sem parecer que tem outra pessoa ali.
São cerca de duas horas de filme, que são sustentadas com cenas incríveis de apresentações musicais de Michael, com músicas que arrepiam ao serem tocadas na sala de cinema. Mas mesmo assim, faltou o bastidor que todos queriam ver, faltou sabermos quem é o humano por trás da alcunha do Rei do Pop. Em uma escala de 5 estrelas, "Michael" merece um 3.