Uma maldição, um jovem escravizado transformado em lenda e uma pianista marcada pela culpa. O que poderia ligar essas histórias separadas por mais de um século? É a partir desse encontro improvável que a autora capixaba Paula Carminatti constrói "O assovio do Saci", uma releitura da lenda do Saci que mistura folclore, memória e fantasia em uma história sobre dor, resgate e cura.
O lançamento acontece em setembro, durante a Bienal do Livro de São Paulo. A pré-venda do livro já está disponível.
O livro acompanha Tereza Nunes, uma jovem pianista que carrega a culpa pela morte da mãe. Sua trajetória se cruza com a de Martim Pereira, um jovem escravizado que viveu no final do Brasil Império e foi vítima de uma maldição que o condenou a existir fora do tempo — tornando-se, ao longo dos anos, a figura que conhecemos como Saci.
Separados por épocas e realidades completamente distintas, Tereza e Martim/Saci encontram um no outro algo inesperado: a possibilidade de falar sobre feridas que permaneceram abertas. Entre desabafos, sonhos e desejos, a conexão entre os dois conduz a uma jornada em que o passado e o presente se encontram para discutir temas como luto, opressão, liberdade e autoperdão.
Mais do que reinventar uma das figuras mais conhecidas do folclore brasileiro, Paula Carminatti usa a lenda do Saci para lançar luz sobre marcas que atravessam gerações. A narrativa aborda o legado da escravidão, relações familiares disfuncionais e os impactos de dores que muitas vezes permanecem silenciadas.
Ao aproximar duas personagens que, à primeira vista, não teriam nada em comum, "O assovio do Saci" propõe uma reflexão sobre a força da escuta e da empatia — e sobre como contar a própria história pode ser também uma forma de começar a se libertar dela.