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Para educar

Projeto "Cidades Comestíveis" percorre ruas de Viana atrás de árvores frutíferas

Projeto mapeia árvores frutíferas, estimula colheitas urbanas e cozinhas experimentais coletivas nos bairros
Felipe Khoury

Publicado em 09 de Maio de 2022 às 07:00

Projeto "Cidades Comestíveis" percorre ruas de Viana atrás de árvores frutíferas
Sabia que é possível encontrar alimentos perto de casa sem ser no supermercado ou na mercearia? Seja indo para o trabalho ou a caminho da escola, basta dar uma circulada e reparar nas árvore frutíferas do bairro. Um projeto em Viana Sede ensina um novo jeito de “olhar” para esses frutos. Trata-se do “Cidades Comestíveis”, fundado pelo artista plástico Piatan Lube.
O projeto reúne, por meio de um mapeamento colaborativo, pontos em que há alimentos disponíveis na cidade. No caso, as árvores frutíferas e plantas disponíveis para alimentação pública.
"Aqui é um lugar para começar a pontuar, discutir e gerar reflexões sobre qual é a cidade que nós queremos para o futuro de Viana. Por ser de comunidade rural, eu já tenho esse costume de olhar para as plantas. Estou conectado com elas. Até me pergunto se eu fosse um passarinho, como eu andaria na cidade? De fruta em fruta”, diz Lube.
Um dos exercícios iniciais dessa experiência é rastrear o local, sempre olhando para cima e arredores. Durante uma expedição com o projeto, a repórter Luanna Esteves, do programa Em Movimento (TV Gazeta), conseguiu encontrar diversas frutas como cajá, jambo, banana e abacate, que inclusive decidiu pegar.
Projeto
Projeto "Cidades Comestíveis", em Viana Crédito: Bernardo Bracony/TV Gazeta
“Achamos um abacateiro carregado na BR-101.  E como as áreas de 5 a 15 metros próximas às rodovias são de domínio público, é permitido pegar. Uma dica importante: prestar atenção se a árvore está perto de algum terreno particular. Nesse caso, é sempre bom pedir autorização ao proprietário”, enfatiza Luanna.
Piatan reforça que criar um vínculo com o proprietário, caso a fruta esteja em terreno particular, pode ser uma boa alternativa. “É muito importante respeitar a propriedade e criar uma dinâmica com o proprietário, deixando um pouco para ele”, ressaltou. 

COLHEITA DE FRUTOS E DADOS

Além de colher frutos,  o projeto também colhe dados. Com a ajuda da tecnologia, é feita uma análise para encontrar os locais onde existem árvores frutíferas. Além disso, existe um recurso que permite que os usuários cadastrem novas árvores. Só no projeto de Viana, mais de 300 árvores foram cadastradas.
“A gente usa um aplicativo ‘planetário’ que tem essa ideia de mapeamento, focado em colheita urbana. Só essa plataforma possui mais de 480 mil árvores mapeadas pelo mundo”, afirma Lube.
Projeto
Projeto "Cidades Comestíveis", em Viana Crédito: Bernardo Bracony/TV Gazeta
Com tanta informação, o “Cidades Comestíveis” também levou essa imersão alimentícia para algumas escolas municipais de Viana.
“É uma boa oportunidade dos nossos alunos explorarem o bairro onde residem. É importante fazer esse levantamento”, afirma Mariene dos Santos, diretora de uma Escola Municipal.

COZINHA EXPERIMENTAL

Para consolidar essa vivência, uma parte dos alimentos coletados são transformados em doces, sucos e outras guloseimas que a criatividade permitir. “A lógica da cozinha é um atrativo, uma espécie de oferenda. Fazemos doce, suco e damos de graça para as pessoas. O intuito é incentivar outras pessoas a fazerem o mesmo”, conta Lube.
A estudante Lavínia Falcão, por exemplo, disse que ficou surpresa com essa parte do projeto. “Me surpreendeu a laranja virando doce. Eu não sabia que tinha uma laranja específica para isso. É muito interessante”, relatou.

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