Pablo Picasso é um dos nomes mais conhecidos da história da arte. Suas pinturas ajudaram a transformar a maneira como o mundo enxergava a arte no século XX e fizeram dele um dos grandes símbolos do modernismo. Mas, antes de se tornar o artista celebrado nos museus, Picasso foi uma criança que desenhava desde cedo, um jovem estrangeiro tentando sobreviver em Paris e um homem cheio de interesses, manias e paixões que acabaram aparecendo em suas obras.
Algumas dessas histórias podem ajudar a enxergar de outra maneira o trabalho do espanhol. De sua suposta primeira palavra a uma curiosa relação com objetos considerados amuletos, confira sete curiosidades sobre a vida de Picasso.
Uma das histórias mais curiosas sobre a infância de Picasso envolve justamente a relação precoce com o desenho.
Segundo relatos biográficos, sua primeira palavra teria sido “piz”, uma abreviação de lápiz, que significa “lápis” em espanhol. A história combina com o ambiente em que o menino cresceu: seu pai, José Ruiz Blasco, era pintor e professor de desenho e foi uma de suas primeiras influências artísticas.
O talento apareceu cedo. Aos 13 anos, Picasso já frequentava uma escola de belas-artes.
Antes de se tornar tema recorrente em seus trabalhos, as touradas fizeram parte da infância de Picasso.
Nascido em Málaga, no sul da Espanha, ele acompanhava o pai às arenas desde pequeno. Aos oito anos, pintou “O Pequeno Picador Amarelo”, sua primeira obra a óleo conhecida, justamente inspirada em uma cena de tourada.
O interesse não ficou restrito à infância. Ao longo da carreira, touros, cavalos, toureiros e arenas apareceram em pinturas, desenhos, gravuras e cerâmicas. O touro se tornou, inclusive, um dos símbolos mais reconhecíveis de sua produção.
Quando se mudou definitivamente para Paris, em 1904, Picasso ainda era um jovem artista espanhol tentando conquistar espaço na cidade.
Foi nesse período que ele passou a frequentar circos e a observar personagens como palhaços, acrobatas e saltimbancos. A identificação não era por acaso: assim como aquelas figuras, Picasso também vivia à margem dos círculos mais tradicionais e buscava reconhecimento em uma cidade que não era a sua.
Os personagens começaram a aparecer em suas obras, muitas vezes retratados em momentos silenciosos e melancólicos. O universo do circo teve destaque especialmente na chamada Fase Rosa, entre 1904 e 1906.
É comum associar Picasso imediatamente à pintura, mas sua produção foi muito além das telas.
Durante a carreira, ele trabalhou com escultura, cerâmica, gravura, colagem e desenho. Também escreveu poemas e peças de teatro.
A experimentação chegava aos materiais. Em uma de suas guitarras, por exemplo, utilizou elementos como papel de jornal, cordas e pregos. A ideia de experimentar novas possibilidades acompanhou o artista durante toda a vida.
Por trás do artista revolucionário também existia um homem bastante ligado a crenças e rituais.
Picasso era conhecido por sua superstição e mantinha objetos aos quais atribuía significados simbólicos. Segundo registros do Museu Picasso de Paris, ele chegou a enviar regularmente à companheira mechas de cabelo, unhas e peças de roupa.
A relação com a superstição estava associada também a uma preocupação recorrente em sua vida: a morte. O tema e seus símbolos aparecem em diferentes momentos de sua produção.
Uma das pinturas mais famosas de Picasso, “Guernica”, nasceu de um acontecimento histórico.
Produzida em 1937, a obra foi criada em resposta ao bombardeio da cidade espanhola de Guernica durante a Guerra Civil Espanhola. A pintura se tornou posteriormente um dos símbolos mais conhecidos contra a violência e os horrores da guerra.
Com suas figuras fragmentadas, corpos deformados e expressões de sofrimento, “Guernica” mostra como Picasso conseguia transformar acontecimentos de seu tempo em imagens que ultrapassaram o contexto em que foram criadas.
Talvez a maior curiosidade sobre Picasso seja justamente sua capacidade de mudar.
Ao longo de mais de 70 anos de carreira, o artista passou por diferentes fases, técnicas e estilos. Da Fase Azul à Fase Rosa, passando pelo cubismo e por diferentes experiências com gravura, escultura, cerâmica e colagem, Picasso evitou ficar preso a uma única fórmula.
Essa inquietação ajuda a explicar por que seu trabalho continua sendo reconhecido tantas décadas depois de sua morte, em 1973.
Quem quiser ver de perto parte desse universo pode visitar a exposição “Picasso, a construção de um gênio — A arte de nunca ser o mesmo”, em cartaz no Espaço Cultural do Palácio Anchieta, no Centro de Vitória.
A mostra reúne 120 obras e materiais relacionados ao artista, incluindo 80 obras originais de Picasso, além de fotografias, gravuras e cerâmicas. Entre os temas apresentados estão justamente alguns dos universos que marcaram sua trajetória, como os saltimbancos e a tauromaquia.
A exposição tem entrada gratuita e segue até 16 de outubro.
Exposição: Picasso, a construção de um gênio — A arte de nunca ser o mesmo
Quando: até 16 de outubro
Local: Espaço Cultural do Palácio Anchieta, Centro de Vitória
Horários: terça a sexta, das 9h às 17h; sábados, domingos e feriados, das 9h às 16h
Entrada: gratuita
Agendamento de grupos: (27) 3636-1031 / (27) 3636-1032
E-mail: [email protected]