Solano Ribeiro, crítico e produtor musical que teve papel importante na história dos festivais de música popular brasileira na televisão, morreu na madrugada deste sábado, aos 87 anos. Ele estava internado em uma clínica em São Paulo, onde recebia cuidados paliatvos na luta contra um câncer.
A morte foi confirmada por um amigo da família. O velório e a cremação vão acontecer neste sábado, entre 15h e 17h, no Cemitério e Crematório Jardim da Paz, em Vargem Grande Paulista, próxima a São Paulo.
A convite de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, Ribeiro trabalhou na extinta TV Excelsior, na capital paulista, onde produziu o primeiro Festival Nacional da Música Popular Brasileira, em 1965, que deu origem à sigla MPB. O evento registra o lançamento de Elis Regina cantando "Arrastão", composição de Edu Lobo e Vinicius de Moraes.
Depois, saiu da TV Excelsior e foi para a Record, onde realizou o segundo Festival da MPB, em 1966, no qual dividiram a primeira colocação as músicas "A Banda", de Chico Buarque, e "Disparada", de Geraldo Vandré e Théo de Barros.
No terceiro festival, foi Ribeiro quem incentivou a inserção de guitarras elétricas na música popular, o que era uma heresia na época. Venceu a composição de Edu Lobo e Capinan, "Ponteio". Esse festival que deu origem ao documentário "Uma Noite em 67", dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil, de 2010.
Ribeiro atuava nos bastidores, organizando as competições e transformando as apresentações de novas canções em grandes acontecimentos televisivos, no período de popularização da televisão no Brasil. Ele escreveu o livro "Prepare seu Coração: a História dos Grandes Festivais", no qual conta a sua história.
Desde 2006, ele apresentava, na Rádio Cultura de São Paulo, o programa semanal "Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil".
Ribeiro foi também sócio-fundador da Rádio Antena 1, em São Paulo, e quando contratado da extinta TV Tupi, em 1976, realizou o Festival Tupi, no qual o cantor e compositor cearense Fagner abocanhou o primeiro prêmio com a música "Quem me levará sou eu", de Dominguinhos.
No exterior, ao deixar o Brasil por conta da ditadura militar, Ribeiro esteve na Alemanha e atuou na emissora Südwestfunk, dirigindo vários documentários, entre eles obras sobre o compositor Gilberto Gil e o teatro de Ruth Escobar. Novamente a convite de Boni, Ribeiro retornou ao Brasil, em 1972, para realizar o sétimo Festival Internacional da Canção, na TV Globo.
Em entrevista à Folha em 2025, Ribeiro destacou Chico Science e a Nação Zumbi, as cantoras Tulipa Ruiz, Tiê, Céu, o grupo BaianaSystem e Lenine como nomes relevantes da música brasileira. Mas fez uma ressalva. "Existem pelo Brasil centenas de novos músicos, cantores e compositores, mas eles não têm a exposição necessária como no tempo dos festivais que tiveram Elis, Caetano, Gil, Chico, Bethânia e tantos outros."
Ainda nesta entrevista, ele disse que "a MPB está morrendo" e que "hoje, qualquer um que cante em português é rotulado, classificado, como pertencente à MPB, na qual foi agregada a tecnologia".